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Relatório sobre animais de rua gera polêmica em Alpinópolis

29 de junho de 2020

Foto: Divulgação

Nas ruas, avenidas e estradas de Alpinópolis, uma cena se mostra comum, independente do bairro: animais de pequeno porte, principalmente cães, circulam livremente e em grande quantidade. No município, são cerca de 580 cachorros de rua. Segundo a Prefeitura, esses animais, juntamente aos gatos, têm recebido atendimento regular na cidade desde 2015. No entanto, uma associação dedicada à proteção dos animais de rua de Alpinópolis contesta o comunicado e diz que a informação foi passada pela administração de forma distorcida.

De acordo com dados fornecidos em um relatório enviado à Câmara pelo Centro de Vigilância em Saúde, a cidade possui, atualmente, cerca de 5.847 cães em seu território, sendo 3.036 na zona urbana e 2.811 na zona rural.

Com base na estimativa de que 10% do total de cães de uma cidade são abandonados, em Alpinópolis há, aproximadamente, 580 animais abandonados.

O número de caninos no município é equivalente a quase 30% da população, já que Alpinópolis possui, considerando a última projeção do IBGE, 19.853 habitantes. Esse percentual supera a média nacional que, segundo o relatório, seria de 10% dos moradores de uma localidade.

De acordo com uma postagem feita pela Prefeitura em redes sociais, foram feitos 3.748 atendimentos a cães e gatos no município desde 2015. Entre os procedimentos estão castrações (em machos e fêmeas, errantes e domiciliados), cesarianas e partos induzidos, consultas, coletas de sangue, eutanásias, quimioterapias, transporte destes animais, testes rápidos, coleta de amostras e eutanásias de leishmaniose, entre outros. O município informou, ainda, que todos os anos são vacinados aproximadamente cinco mil cães e mil gatos.

No entanto, a Associação Patas & Focinhos de Alpinópolis emitiu nota contestando as informações da Prefeitura.

Segundo a associação, os dados não foram colocados de forma clara, o que poderia confundir e levar o cidadão a pensar que todos esses procedimentos vêm sendo realizados até o presente momento de forma ininterrupta e regular.

A Prefeitura de Alpinópolis diz, de forma não clara, que o atendimento de cães e gatos no município ultrapassa 3.700 atendimentos, levando o cidadão a entender que isto vem sendo feito no momento, o que não é verdade. A própria prefeitura esclarece no texto que esses números são desde o ano de 2015, ou seja, não condiz com a atual realidade”, informa um trecho da nota.

A associação esclarece, também, que diversos procedimentos deixaram de ser realizados e que o município vem mantendo apenas a vacinação contra a raiva.

A bem da verdade, a única vacinação que continua sendo feita pelo município é contra a raiva. Há anos a Prefeitura de Alpinópolis deixou de fornecer atendimento especializado aos animais em situação de rua, tais como: consultas, cesárias, quimioterapia, parto induzido, etc. Em 2019 não foi realizado nenhum atendimento destes citados”.

No entanto, a associação reconhece que as castrações continuam sendo feitas pela prefeitura e que há coleta regular de sangue para testes de leishmaniose, mesmo que o transporte de cães e gatos esteja sendo feito exclusivamente para casos de eutanásia e posterior descarte.

Achamos prudente esclarecer os munícipes sobre a publicação distorcida da Prefeitura de Alpinópolis, pois leva o cidadão a uma interpretação errada da nossa realidade. Oportuno frisar que a Associação Patas & Focinhos não levanta bandeira partidária, mas prezamos pela transparência e verdade dos fatos. Nosso trabalho é voluntário e nos mantemos com doações dos cidadãos, sem nenhuma ajuda de custo do poder público local. A nossa única bandeira é o bem estar, a defesa e proteção dos animais em situação de rua”, finaliza a nota.

A Prefeitura de Alpinópolis esclareceu que o texto postado no perfil oficial do município é muito claro em dizer “desde o ano de 2015” e que, caso algum cidadão deseje ter acesso às datas nas quais cada procedimento foi feito, basta procurar o Centro de Vigilância em Saúde ou a sede da prefeitura que os dados estarão à disposição.

O já citado relatório enviado ao Legislativo, em 28 de maio, a pedido do vereador Rafael Freire (PSB), indica que a Prefeitura Municipal manteve, até o ano de 2018, um projeto ambulatorial para cães de rua, com vários atendimentos médico-veterinários. Porém, tal projeto foi encerrado devido à necessidade de redução de gastos que o momento exigia. Foram mantidos, no entanto, os procedimentos de castração.

Leishmaniose em Alpinópolis

Um dos principais problemas envolvendo os cães no município de Alpinópolis é a contaminação por leishmaniose visceral canina, doença conhecida também como calazar, que ataca as células do sistema imunológico dos bichos, se propagando posteriormente até atingir órgãos como pele, fígado, rins, medula óssea e baço. Sendo uma zoonose, essa enfermidade não afeta somente os animais e pode ser transmitida aos humanos.

Em Alpinópolis, de acordo com o relatório do Centro de Vigilância em Saúde, dez pessoas foram diagnosticadas com a leishmaniose visceral humana até 2013.

A partir daí, providências foram tomadas e não houve mais nenhum registro da doença em seres humanos na cidade.

Em 2020, segundo a administração, cinco cães —entre domiciliados e errantes— já foram eliminados com resultado positivo de leishmaniose visceral canina em Alpinópolis.