Cultura Destaques

Reinaldo Barbosa é o homenageado do 4º FTNPassos

20 de julho de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – Neste domingo, 19, começam as apresentações do 4º Festival Nacional de Teatro de Passos (FNTPassos), produzido pela Associação de Desenvolvimento Cultural de Passos e Região (Adesc Regional). Serão 40 apresentações que, por força da pandemia do coronavírus, serão apresentadas de forma virtual. Neste ano, assim como em todos os outros, uma personalidade passense ligada às artes é homenageada. O escolhido para esta edição é Reinaldo Barbosa Fonsêca que foi ator e diretor de teatro.

De acordo com a esposa de Reinaldo Barbosa Fonsêca, a sindicalista e educadora, Maria Antônia Mourão, ele nasceu em Passos, no dia 31 de maio de 1944 e faleceu em 26 de janeiro de 2010. Trabalhou com o pai na Vidraçaria Brasil e em seguida graduou-se em Inglês pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tornando-se professor do idioma e também de Cultura Brasileira, lecionando na Fundação de Ensino Superior de Passos (Fesp). Foi professor na Escola Dulce Ferreira de Souza, o Polivalente, onde também foi diretor, de 1983 a 1987. Reinaldo e Maria Antônia tiveram os filhos Priscila Mourão, Wlad e Guilherme.

Também foi professor no Colégio Imaculada Conceição (CIC). Foi presidente da União dos Estudantes Secundários de Passos (UPES). Todo voltado para o lado cultural e sempre ligado ao teatro, como diretor e ator. Foi um dos criadores do Grupo Alfa de Teatro e dirigiu peças incríveis, tais como Lição de Anatomia, Inspetor Geral, O Verdugo, a Fogueira das Vaidades entre tantas outras”, contou Maria Antônia.

“Era um artista completo. Até pouco tempo antes de ele adoecer, e parece que combinamos de adoecer quase na mesma época. Ele já estava em tratamento contra o câncer quando ele quis montar uma peça O Verdugo, a Fogueira das Vaidades”, disse.

Ele nunca desanimou do teatro. Montou várias coisas, inclusive Missa dos Quilombos, que foi um belíssimo espetáculo em frente à igreja Matriz. Tentou fazer outras, mas, não estava conseguindo, não só pelo tempo, mas por parceiros que ele gostaria de trabalhar. O Inspetor Geral tinha um elenco muito grande, a Foqueira das Vaidades também muito grande e Reinaldo era uma pessoa tímida. Muito tranquilo, mas tímido. Falava pouco. Gostava de cantar, tocar violão, mas, de pouca fala. Só quando precisava. Penso que ele ficou quase próximo à época da estreia com conversinhas, por falta de conhecimento. Não chamo de maldade, quem conviveu conosco sabe que respeitávamos um o espaço do outro”, contou.

Sobre as peças que Reinaldo mais gostava, Maria Antônia lembra que era, certamente, Morte e Vida Severina. Ele amava o texto e o autor. Tinha vontade de montar O Auto da Compadecida, me lembro que trabalhava muito com Silas Figueiredo – um grande amigo pessoal -, e gostariam de fazer esta remontagem. Pode até parecer infantil, mas eles queriam montar do mesmo autor, Ariano Suassuna. Ele conversava com o Silas Figueiredo que dizia ´vamos deixar mais pra frente’.

O teatro deu uma esfriada por uns tempos, mas agora está revivendo com o FNTPassos”, contou.
Não podendo esquecer que Reinaldo trabalhou na Paixão de Cristo. “Ele dizia que a emoção de trabalhar neste espetáculo era incrível. Fez parte de diversas peças, como diretor e como ator, dentre elas: Eh, Ardeia, Romeu e Julieta, Testemunha de Acusação, Essa bruxinha que era boa, Édipo Rei, O Pagador de Promessas. Além dos festivais de música”, finalizou Maria Antônia, de forma resumida da história de Reinaldo.

 

Reinaldo Barbosa Fonsêca que foi ator e diretor de teatro. / Foto: Divulgação