Destaques Música

Regina Souza lança disco autoral ‘Chegaí’

26 de junho de 2020

Foto: (Divulgação)

Reunir os amigos para fazer um som sempre foi o passatempo preferido de Regina Souza. O clima descontraído desses saraus é a marca de vários trabalhos da cantora. No final dos anos 1990, ela, Marina Machado e a fotógrafa Márcia Charnizon montaram o espetáculo Hebraico, registrado em disco, hoje esgotado. Mantendo a vibe de juntar a turma, Regina reuniu outros amigos em seu quarto álbum, Chegaí. Em 25 de junho, o primeiro projeto completamente autoral da mineira será lançado nas plataformas digitais.´

A opção pelo álbum de inéditas, 19 anos depois do lançamento de Regina Spósito, o disco de estreia, é o reflexo do fim de um ciclo de transformações vividas desde 2013. As 13 faixas de Chegaí foram compostas entre 2018 e 2020, período que a cantora define como “menos pesado, com mais ar”.

Levei tempo para elaborar o luto, muita mudança aconteceu em minha vida. Passei muito tempo comigo, sempre escrevendo. Quanto mais escrevia, mais leves as coisas ficaram”, diz Regina. Em 2016, a cena musical brasileira sofreu um baque com a morte repentina do cantor e compositor Vander Lee, aos 50 anos, ex-marido dela e pai de sua filha Clara.

O disco está solar”, comenta Regina, animada com o resultado do novo som, feito com Du Macedo (violão, guitarra, cavaquinho, vocais e arranjos), Claudio Queiroz (bateria e percussão) e Fred Jamaica (baixo e vocais).

Com as letras em mãos, Regina apresentou seu trabalho autoral para a preparadora vocal Babaya, que a incentivou a seguir em frente. Inicialmente, ela não pensava em disco. Porém, o álbum ganhou vida quando participou do projeto Roda de Samba da Babaya e conviveu com o diretor musical Du Macedo.

O Du chamou o Claudinho, que chamou o Fred. Os meninos vieram, começamos a ensaiar até perceber que tínhamos uma história bacana. As músicas estavam no ponto para serem apresentadas em um show”, relembra Regina.

Com a inauguração da Casa Outono, criada por amigos no Bairro Carmo, ela e sua banda fizeram três apresentações, mesclando o repertório de álbuns anteriores de Regina às novas músicas. Do palco para o estúdio, foi tudo muito rápido. Com passagem de avião já marcada para a cidade do Porto, em Portugal, onde Regina estudaria filosofia, a turma não podia perder tempo.

Apesar de falar de coisas boas e difíceis da vida, não sinto peso nesse disco. Sempre vejo o lado bom das coisas. Fico atenta às minhas inspirações, tenho muitos amigos e, principalmente, me agarro na espiritualidade. Cada vez mais tranquila, menos ansiosa”, conta ela.

Regina Souza diz já ter material para um novo trabalho autoral. Porém, antes de voltar ao estúdio, sabe que precisa esperar, torcendo para que Chegaí seja bem aceito.

A covid-19 não vai atrapalhar a agenda. O avanço do coronavírus abalou Regina. Para se adaptar às aulas virtuais, ela teve de abandonar uma das quatro matérias.

Ouvíamos as informações sobre números de mortos na Espanha e na Itália, dava muita tristeza, muita ansiedade. Pensávamos que quando chegasse ao Brasil, seria uma catástrofe. A pandemia é maior do que a gente. Temos de aprender a lidar com ela.