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Refugiados venezuelanos chegam a Passos para trabalhar em frigorífico

Por Talita Souza / Especial

14 de julho de 2021

Foto: Reprodução

PASSOS – Há uma semana, 55 refugiados venezuelanos foram alocados em Passos por meio de processo de interiorização (deslocamento planejado) orientado pela Força Tarefa Logística Humanitária – Operação Acolhida, em parceria com as organizações Refúgio 343 e Visão Mundial. Eles vão trabalhar na unidade de um frigorífico no município. Entidades assistenciais passenses estão se articulando por meio de campanhas de doações de móveis e utensílios básicos para ajudar as famílias.

De acordo com Ricardo Andrade, presidente do Lions Clube de Passos, o grupo estava em Boa Vista (RR) e alguns deles moravam em abrigos da Operação Acolhida, e cada adulto recebeu R$2.175,00 para despesas, através de um CBI (Cash Based Intervention) doado pela Visão Mundial. Os beneficiários foram hospedados em dois hotéis na cidade e, durante 30 dias, receberão refeições oferecidas pela JBS.

Foi solicitado, como acontece em todo o mundo, para que nós, as entidades, fizéssemos uma campanha de arrecadação de roupas e utensílios [para o lar]. A receptividade, até onde nós temos conhecimento, está sendo bastante positiva. A campanha de arrecadação está caminhando bem. Num curto espaço de tempo, a gente teve que tirar um resultado assim fora do comum”, afirmou o presidente.

Ainda de acordo com Andrade, além do Lions Clube, o Rotary de Passos, a Igreja Presbiteriana de Passos, a Ação Solidária Adventista (Asa), a Associação Espírita Santo Agostinho (Aesa), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (IFSul de Minas) – Campus Passos, a Prefeitura de Passos, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, líderes solidários de Passos, entre outros, estão à frente da campanha de arrecadação e recepção dos venezuelanos no município.

Para o presidente do Lions, a vinda do grupo para a cidade foi uma oportunidade para as entidades do município unirem forças.

Isso nos deu a oportunidade de fortalecer uma musculatura de articulação entre as entidades que pode servir agora para o município. Nós conseguimos criar uma rede como se fosse um ecossistema, onde cada um entra com facilidade para poder ajudar e articular. Quando a gente soma as energias, a soma é muito maior do que individualmente”, disse.


Igreja Presbiteriana faz culto de acolhida

Os refugiados foram alocados em dois hotéis no município e entidades passenses estão realizando campanha de arrecadação de móveis, roupas e utensílios para o grupo. / Foto: Divulgação

PASSOS – No último domingo, 11, foi realizado um culto de recepção ao grupo na Igreja Presbiteriana de Passos. De acordo com o pastor Leonildo Alves de Oliveira, da Igreja Presbiteriana de Passos, mais de 30 venezuelanos participaram da celebração e, no próximo domingo, 18, acontecerá outro culto, às 15h.

Nós tomamos a decisão de realizarmos um culto aos domingos, às 15h. Um culto em ‘portunhol’, que é uma mistura do português com o espanhol. Então, esse culto em portunhol com o propósito de oferecer para eles, os refugiados venezuelanos que estão entre nós, um ambiente em que eles se sintam mais à vontade, com a língua mais conhecida deles e mais fácil de se compreender. E que eles pudessem ter um espaço de louvor, de adoração a Deus, receber uma palavra de encorajamento, de fortalecimento também espiritual. A Igreja Presbiteriana de Passos está de portas abertas, acolhendo aos venezuelanos e dando a eles a oportunidade de estar em um ambiente de culto em que possam adorar, buscar a Deus e receber uma palavra de encorajamento para suas vidas”, disse o pastor.

Segundo o pastor, além dos venezuelanos, membros de outras entidades do município também participaram do culto e conversaram com o grupo.

Nós somos muito gratos à sociedade de Passos, porque as pessoas têm dado uma resposta positiva às solicitações. E a gente deixa um desafio aí para que a população e o comércio em geral continuem acolhendo bem a todos eles, tendo ali a compreensão de ter paciência quando não compreender o que eles estão falando, o que eles estão pedindo, para que a gente continue mantendo essa característica de sermos uma cidade bem acolhedora. É um grande desafio para eles. A maneira como nós temos tratado e reagido à presença deles, faz toda a diferença na força que eles necessitam para continuar o seu desafio de reconstruir sua história”, ressaltou.