Destaques Eleições 2020

Redes e internet podem ajudar na escolha bem informada

28 de agosto de 2020

SÃO PAULO – Na eleição presidencial de 2018, a internet teve papel fundamental no processo eleitoral e está despertando interesse na juventude pela política. A estudante Marina Giannini, de 16 anos, começou a se interessar por política ao assistir uma série de vídeos sobre o tema no YouTube. Marina, que vai às urnas pela primeira vez em 2020, diz acreditar que o ato de votar funciona como uma porta para que os cidadãos se envolvam mais com a política. “Só fui pesquisar o que cada cargo faz por conta deste momento de eleições”, afirmou a jovem.

Embora possam ajudar o eleitor a levantar informações sobre candidatos, as redes sociais precisam ser acessadas com responsabilidade, afirma Cláudio Ferraz, professor de Economia Política da University of British Columbia, no Canadá, e também da PUC-Rio.

Propaganda (eleitoral) por Facebook, por exemplo, pode ajudar candidatos novos e com menos recursos partidários. Por outro lado, permite que os próprios candidatos digam coisas que podem não ser verdade, e é difícil controlar isso”, disse.

Corrupção

Segundo ele, o voto bem informado pode ajudar até no combate à corrupção.

Temos bastante evidência empírica de que informação ajuda eleitores a votarem melhor. Informação sobre corrupção, por exemplo, ajuda eleitores a punirem nas urnas políticos corruptos”, afirmou Ferraz, que tem pesquisas sobre o assunto publicadas em plataformas acadêmicas.

Enquanto alguns eleitores vão às urnas pela primeira vez, outros podem querer distância das aglomerações do dia da votação. A pandemia do coronavírus deve elevar as abstenções nas eleições deste ano, especialmente entre os idosos, observou o cientista político Humberto Dantas.

Pode haver anistia por parte da Justiça Eleitoral aos faltosos, mas o voto foi mantido compulsório. O que pode haver é uma ausência recorde de idosos, sobretudo acima dos 70 anos”, disse o cientista político. “Ao votar, posso eleger pessoas que se importam com a gente. O voto é um direito e uma conquista nossa que demorou anos para ser concretizado”, disse Aline.

Séries de vídeos na internet já despertam interesse dos jovens. / Foto: Divulgação

Candidatos podem usar impulsionamento, mas devem detalhar

BRASÍLIA – Os conteúdos na internet e redes sociais serão armas poderosas na campanha eleitoral deste ano, limitada por causa da pandemia. Mas por distorcerem a veracidade ou a repercussão desses conteúdos, a Justiça Eleitoral proíbe a utilização de plataformas ou dispositivos de disparos em massa e o uso de robôs na campanha eleitoral. Mas impulsionar publicações em redes sociais e comprar palavras chaves nos buscadores como o Google Adword está permitido. Tais ações devem atender o objetivo de alcançar mais internautas, ter prioridade nos resultados de buscas e ocupar posições de destaque nas plataformas e deve ser contratado diretamente com elas.

O candidato precisa estar atento aos crimes eleitorais, publicidades que estiverem ativas na data da eleição estão proibidas, podendo permanecer online apenas os impulsionamentos anteriores ao dia da votação. A mensagem deve ser nítida ao eleitor, sem distorções ou as chamadas fake news. Este modo de alavancagem é restrito às campanhas eleitorais, isto é, apenas coligações, partidos e candidatos podem fazer.

Os custos com tal prática devem integrar a prestação de contas para a Justiça Eleitoral, garantindo o controle dos gastos com a campanha. É necessário informar quais ferramentas e recursos foram empregados. A contração de marketing de conteúdo, impulsionamento e outros serviços deve ser realizada exclusivamente pelos candidatos, partidos, coligações ou o seu representante legal. Por sua vez, a ferramenta utilizada deve ter provedor com sede, filial, escritório ou representante no Brasil.