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Recuperação de áreas

15 de outubro de 2020

Com o avanço das mudanças climáticas e das previsões de que o planeta pode enfrentar em algumas décadas uma grande extinção de espécies, especialistas têm defendido a necessidade não apenas de conservar as florestas que ainda existem como de restaurar as que foram desmatadas ou degradadas. O desafio, em geral visto como complexo e caro, acaba de receber uma ferramenta que pode ajudar a torná-lo mais factível.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Mapeamento
  • Onça-pintada
  • Condições naturais
  • Plano

Mapeamento

Um grupo internacional de 27 pesquisadores de 12 países, liderado por um brasileiro, fez um mapeamento dos ecossistemas em todo o mundo e calculou que a restauração de 30% deles em áreas prioritárias pode evitar mais de 70% das extinções de mamíferos, anfíbios e pássaros terrestres e absorver quase metade do carbono acumulado na atmosfera desde a Revolução Industrial, ou 466 bilhões de toneladas de gás carbônico.

Onça-pintada

O trabalho, publicado nesta quarta-feira, 14, na revista Nature, estima que, em todo o mundo, 2,87 bilhões de hectares de ecossistemas foram convertidos em terras agrícolas. Dessas áreas, mais da metade (54%) era originalmente floresta; 25% eram pastagens naturais; 14%, estepes; 4%, terras áridas; e 2%, pântanos.

Condições naturais

A ideia não é que isso tudo retorne às condições naturais – até porque há importantes cultivos agrícolas nessas regiões –, mas focar a restauração onde ela seria mais efetiva tanto em termos de custo quanto de resultados para os serviços ambientais. Ou seja, salvar mais espécies e ainda retirar mais carbono da atmosfera. Para isso, os pesquisadores mapearam os ecossistemas em todo o mundo e os dividiram conforme sua importância.

Plano

Se os países resolvessem se concentrar em recuperar apenas 5%, eles deveriam focar as áreas vermelho-escuras; se o plano for 10%, já entram as áreas vemelho-claras; para 15%, as laranjas; e assim por diante (veja o mapa abaixo). De acordo com o líder do grupo, o brasileiro Bernardo Strassburg, professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio e diretor-executivo do Instituto Internacional para Sustentabilidade, o impacto é muito diferente conforme a área escolhida, daí a importância de entender onde estão as prioritárias. “Recuperar 5% de terras em uma ou outra região do globo, por exemplo, pode reduzir a extinção de espécies em 7% ou 43%”, diz. E o Brasil, mais uma vez, se destaca nisso, com várias áreas entre as mais prioritárias, concentradas principalmente na Mata Atlântica, no sul e leste da Amazônia e no Cerrado.