Destaques Folha Motors

Questão de ‘status’

Por Luiz Humberto Monteiro Pereira Especial

28 de Maio de 2021

A Ford quer se posicionar no Brasil com o lançamento do Bronco Sport /: Divulgação

Em janeiro deste ano, a Ford surpreendeu o mercado ao anunciar a decisão de encerrar a fabricação de automóveis no Brasil, após cento e dois anos de atuação, alegando que a produção local causava prejuízo. Após fechar as fábricas de Taubaté (SP) e Camaçari (BA) e tirar de linha os compactos nacionais Ka e EcoSport, concentrou suas atividades no Brasil na importação da picape média Ranger (Argentina), do “pony car” Mustang (Estados Unidos) e do utilitário esportivo Territory (China). Agora, chega às concessionárias o Bronco Sport, um utilitário esportivo importado do México. Com ele, além de aproveitar a sempre aquecida demanda por SUVs, a Ford quer reafirmar seu novo posicionamento no mercado local, no qual pretende oferecer veículos importados de elevado valor agregado – e que proporcionam margens de lucros generosas.

Para a missão de colocar sua imagem no Brasil em um novo patamar, a Ford escolheu a sexta geração do Bronco, lançada no ano passado nos Estados Unidos para resgatar um modelo tradicional no mercado norte-americano – teve cinco gerações produzidas de 1966 a 1996. Como o Bronco anterior era praticamente desconhecido no Brasil, por aqui, a aposta no novo modelo se concentra mais nas habilidades off-road com versatilidade para o uso urbano, em um estilo que poderia ser definido como “rústico chique” – ou seja, rural e abrutalhado na estética e refinado no acabamento e na tecnologia. O Bronco Sport chega em versão única, a Wildtrak, com motor 2.0 EcoBoost a gasolina.

O perfil quadrado e os faróis redondos são uma inequívoca releitura do Bronco dos anos 60. Na frente alta, um elemento gráfico escurecido engloba faróis de leds e grade. Dentro dele, a assinatura luminosa redonda se conecta com uma barra iluminada com o nome “Bronco” em destaque. As lanternas de leds são verticais e posicionadas fora da tampa do porta-malas, em um desenho que remete ao antigo Land Rover Freelander. A marca da Ford aparece apenas no canto direito da tampa do porta-malas, de forma discreta. Como é usual nos SUVs, volumes esculpidos no capô, nas portas e nas caixas de rodas ajudam a transmitir robustez. A carroceria é em dois tons – com teto, colunas, para-choques e molduras laterais em preto. Nos faróis, lanternas, vidro traseiro e bocal de abastecimento encontram-se os chamados “easter eggs”, discretos grafismos com referências ao veículo – uma firula de design já popularizada em modelos da Jeep, como o Renegade e o Compass.

No interior do Bronco, o acabamento é em dois tons, preto e marrom. Os bancos de formas esculpidas têm revestimento em couro e camurça na parte superior e dispõem de aquecimento. O painel de instrumentos digital tem tela de 6,5 polegadas e há tomadas elétricas de 110V e 12V, além de nove airbags (frontais, laterais dianteiros, laterais traseiros, cortinas e joelhos do motorista). O SUV traz tecnologias semiautônomas como piloto automático adaptativo com Stop & Go, assistente de frenagem com detecção de pedestre, faróis com luz alta automática, alerta de ponto cego, sistema de alerta e centralização na faixa, assistente de manobras evasivas, farol alto automático, câmera traseira de visão 180 graus e reconhecimento de placas de velocidade. A central multimídia Sync 3 com tela de 8 polegadas inclui som Bang & Olufsen e carregador sem fio para celular. Também estão disponíveis os recursos de conectividade do aplicativo FordPass.

Sob o capô, o Bronco Sport abriga um motor 2.0 EcoBoost a gasolina com turbo e injeção direta, que gera 240 cavalos e 38 kgfm de torque. A transmissão automática SelectShift de 8 velocidades tem teclas para trocas manuais no volante. O Bronco Sport é oferecido no Brasil por R$ 256.900. Um valor elevado, porém abaixo dos R$ 322.950 cobrados pelo Land Rover Discovery Sport SE, que a Ford imagina ser o principal concorrente do seu novo SUV no Brasil. O Audi Q3, o BMW X1, o Mercedes GLA e o Jaguar E-Pace são outros rivais previstos – e a escolha dos adversários explicita as ambições de ser premium da marca do oval azul. A Ford evita a comparação com o líder do segmento de SUVs médios, o Jeep Compass (que parte de R$ 224 mil em sua versão “top” Traihawk), alegando que seu modelo é bem mais equipado e potente. Para o segundo semestre, a investida da Ford será o furgão Transit, importado do Uruguai.

Estão cotados ainda para o mercado brasileiro o crossover híbrido plug-in Escape e uma picape monobloco baseada no Bronco, a Maverick, igualmente produzida no México.