Destaques Opinião

Quem ganhou, quem perdeu

POR LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO

7 de dezembro de 2020

Vamos aos fatos, clima pós-eleições. O Partido dos Trabalhadores (PT) não fez nenhum prefeito nas capitais. Venceu apenas 4 das 15 disputas eleitorais. O PT e as esquerdas perderam. Ainda que não admitam, saíram derrotados nas eleições. Podem dizer: nem tanto, há injunções. Mas perderam. Questão circunstancial, atipicidade no jogo etc. Os tempos são outros.

Jair Bolsonaro (sem partido) também perdeu. E feio. Por amostragem, perdeu nas principais capitais brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro. Celso Russomanno e Marcello Crivella, ambos do partido Republicanos, tiveram resultados pífios nas eleições. Talvez resida a maior derrota de Bolsonaro, seguida de outras tantas.

A partir de agora, pelo que se pode inferir, melhor é fazer de etapas empreendidas novas propostas. Uma visão de mundo em favor de oportunidades sociais. Voltadas para o povo. Vem bomba pela frente. Pergunta-se: em razão disso, a obra “O Capital”, de Karl Marx”, perdeu com isso? Não. De forma alguma. Nem capital e nem trabalho. A cada um o valor que lhe cabe. E sem essa de que haverá acentuada renovação política. Líder que é bom mesmo, não se vislumbra. Boulos? Não sei. Uma incógnita.

Podemos admitir, ainda que timidamente, ganhou a democracia. O eleitorado disse “não” à antidemocracia e um veemente “não” aos antipolíticos. E um “chega” à velha política. Na verdade a velha política cheira a ranço. É desprezível. Não podemos dizer que os barões do dinheiro venceram. Nem que os trabalhadores perderam. Não é verdade.

Podemos até admitir, chamem o nome que quiserem, saiu vencedora a denominada corrente “Centro Direita”, ou, quem sabe, a tendência “Moderada”. São denominações vãs e várias, para todos os gostos. Curiosidade em nível de dado estatístico: nenhuma mulher se elegeu nas capitais brasileiras. Às mulheres, então, nada: aos homens, tudo. Jamais. Às mulheres tudo. A elas, tudo mesmo. Novamente: fator “circunstâncias”. Mulheres detêm o poder inelutável de mando.

Em vez de falarmos em moedas e em trocas diretas ou indiretas de mercadorias. Assim como em fluxo de caixa, fluxo mercadológico sem fim, o ideal é a promoção considerável da qualidade de vida das pessoas e de forma global, evitando-se qualquer conflito no campo ideológico. Afinal, não somos moedas de troca, não somos objetos, não somos interesses conflituosos e mesquinhos. Em suma, na soma, não somos números. Longe disso. Somos gente. Em que nas veias se corre sangue e não laranjada.

Também não somos escravos e nem patrões. Somos, sim, força de trabalho, na linha direta e sempre crescente, voltada para o bem e para a capacitação do objetivo maior: a essência intrínseca do mais importante dos sentimentos humanos: o amor fraterno. Mas querem atrapalhar. Com a onda crescente da Covid-19, brigam por qualidade da vacina, quem irá vacinar primeiro. E nem sabemos se haverá tempo para vacinação. Atualmente, não há vacinas disponíveis no mundo. Estão em fase de testes.

Os números, em onda segunda, são assustadores. E se avolumam. E metem medo. Perdi amigos. Bolsonaro pode não ter medo da morte. Diz ter culhões. Mas eu tenho. Não culhões. Medo da morte, sim. Outros também têm. Sei que um dia vou morrer, mas não quero morrer agora. E pela peste da Covid.

Precisamos, isto sim, necessariamente, pensar além do varejo. No atacado. E no agregado. No cuidado de um para com o outro. Tanto no respeito, no compadrio, na amizade, no companheirismo. E fazer das relações sociais o melhor no que diz respeito aos valores humanos no que há de maior e melhor. Não obstante crises existenciais pairem num melancólico horizonte, dando sinais de amargura e empobrecimento material e espiritual.

A operação a ser feita é a transformação de cada personagem em homens de bem, cujo fiandeiro maior é a cooperação, à luz da solidariedade humana universal. Em consequência, devemos formar uma força ampla, mola mestra, em favor do maior dos bens: a liberdade, na observação primordial: sem subserviência e nenhum tipo de jugo. Sem essa de quartelada. A pior das ondas. Basta! Na concessão da permuta de vogal.

E o mais importante, sem distinção de raça, credo, cor, gênero, língua, opinião política, origem nacional ou social, propriedade, nascimento ou outro status. Ufa! O básico dos direitos inerentes à dignidade da pessoa humana, que a gente vê, lê, discute, mas não vive como se deve viver. Os movimentos sociais somos nós, na pluralidade. Partimos de nós. Sem truncados nós. Os enviesados.

Na busca por melhores dias, na observância e compatibilidade, mesmo em face de pensamentos díspares, diferenças naturais, aceitando os diferentes no seu jeito de ser e estar. Mas sem canga. Agindo assim, as pessoas no mundo poderão se irmanar numa confraria positiva, na farta e boa divisão do pão e da renda de cada dia. Mais pés de couve e galinhas na horta, minha gente!

A dificuldade é trabalhar isso. E naturalmente quem atrapalha todo e qualquer objetivo no sentido da promoção salutar humana é o próprio ser humano. E pelo único e insofismável motivo: o egocentrismo. Isso mesmo. O egoísmo ao cubo, porquanto quadrado. Egocêntrico é o vampiro do cotidiano. O sugador de seivas e do sangue de outrem.

No fatídico, atropela leis e normas vigentes. Nessa frente ampla, na evidência real, o lobo do homem é imbatível.
E olhem o Moro! Agora no sodalício do “compliance”. Em português não é “cônja”. É “conformidade”. Depois do marasmo de uma reinvenção estratosférica, decidiu trabalhar agora. Tudo porque foi juiz da Lava Jato e ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

Segundo informam, vai ajudar empresas que o próprio ajudou a ferrar. Dão a isso o nome de “revolving door”. Não se trata de metralhadora giratória. Estamos falando de “porta giratória”. Isso mesmo. Afinal, deixou duas portas estreitas e optou por uma bem espaçosa e rentável. Eita!

A empresa da qual Moro agora é sócio chama-se Alvarez & Marsal. Chique, não? É líder em serviços profissionais de recuperação judicial. Atua no processo de recuperar empresas bombardeadas pela Lava Jato, entre as quais as empreiteiras Odebrecht e OAS. Vai ajudar empresas a fazerem a coisa certa. Isso aí, rapaziada! Vamos otimizar desempenho e maximizar o valor!

E ele, Moro, por acaso estará fazendo certo? Bem, existem regulamentos na OAB que impedem. Falam em conflito de interesses. Ah, estamos no Brasil! Então pode. O homem está acima de qualquer suspeita. O incorruptível. O presidenciável. O acima do bem e do mal!

Por essas e outras que me faço aproximar de minha cadelinha, genuinamente alemã, presente de queridos sobrinhos: Cibele e Fabiano. De linhagem “Dachshund” (difícil de pronunciar), uma “salsichinha” de rara conformidade. Mais serelepe se torna quando me pega no sofá, me beija, me abraça, me lambe e me joga no chão. Com detalhe. Sem nenhum conflito de interesses. Esta, sim. Prenome de quatro letras e que atende por Nina. Por ela eu morro. Cinco letras que fazem chorar. Na conformidade, disse: “morro!”

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado trabalhista e previdenciário, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna.