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Que presidente é este?

11 de julho de 2020

Aqui no Brasil tem-se o costume de perguntar “que país é este?”. Hoje tem muita gente perguntando “que presidente é este?”, óbvio, referindo-se ao Sr. Jair Messias Bolsonaro. E claro a resposta teria apenas duas variações por se tratar do Bolsonaro. “O melhor presidente de todos os tempos” e ou, “o pior presidente de todos os tempos”. Daí a conclusão, trata-se apenas de seguidores ou apoiadores a elogiar e claro outros lados né, de não gostar e com os direitos de criticar. Afinal de contas, polarização política que se preza funciona assim mesmo.

Aliás, sempre foi assim e assim será por muito tempo ainda, com qualquer presidente. Mas, será que sempre foi assim mesmo, ou com Bolsonaro é que é diferente? Não me lembro na história recente do país de nenhum presidente ser tão ruidosamente atacado e defendido ao mesmo tempo, antes de completar a primeira metade do mandato. Procurar o fio dessa meada para saber onde inicia este emaranhado fenômeno político não é tarefa para um só artigo de jornal.

Talvez as origens estejam nas expectativas que o povo, ou pelo menos os 57,8 milhões de eleitores que por razões diversas tenha votado no Bolsonaro. É muito simplista a tese de que o Bolsonaro se elegeu porque foi o melhor candidato a representar oposição ao PT. Pesou a seu favor mais que tudo, a canhestra mensagem bolsonarista embasada nos entulhos autoritários de trágica lembrança.

Uma vez que parcelas significativas da sociedade brasileira acreditaram e muitos ainda insistem crer neste discurso ultrapassado. Bolsonaro na campanha não disse nada diferente do que dizia em seus 28 anos de parlamentar, ou seja, nada que pudesse se parecer com plano ou um programa de governo que pudesse mudar o rumo da política brasileira. Bolsonaro não apresentou nem algo próximo de um programa de governo, até porque não pode participar de debates políticos porque teve aquele lance da facada. Nem depois de eleito o Bolsonaro mudou o discurso se é que se pode chamar de discursos suas bravatas semelhantes às de um adolescente pirracento, que não dá o braço a torcer, mesmo sabendo que vai dar tudo errado.

Mas, esta tem sido a sina do povo brasileiro em escolher mal seus governantes de todas as esferas do municipal ao federal. Têm bons políticos nesse meio, claro, mas são tão poucos que não faz a diferença. E o povo tem dificuldades enormes para encontrá-los. Porque o povo é despolitizado, só liga para política em época de eleições. E isto é apenas uma ilusão de viver democracia, o povo se torna presa fácil das paixões políticas. Povo despolitizado é refém das paixões políticas.

Até porque, a paixão política sempre fala mais alto que a razão quando o povo ou o povão, como se diz no popular, é facilmente levado a se dividir em torcidas organizadas e fanatizadas a favor deste ou daquele político. E a não perceber que se trata de pura enganação. Daí, a falsa ideia de que democracia é apenas um meio pelo qual o povo pode votar e escolher os seus representantes. Inevitável, porque o povo brasileiro não consegue sair dessa fase infantil da democracia e por isto mesmo nunca se preocupa em se politizar. Políticos não respeitam povo despolitizado e por isso mesmo faz questão de manter este círculo vicioso do entra e sai de governos ruins, ineptos, incapazes, populistas, corruptos e corruptores. Daí a manutenção desta proposital conjuntura política e social tão desigual e tão injusta e perversa no Brasil!

Enfim, voltando ao tema, contudo isto, no entanto emplacamos a cada eleição sempre o mais do mesmo. Nada a reclamar de 2018, exceto do extraordinário uso das fake-news que tanto pesaram no resultado das eleições. O governo bolsonaro resume-se hoje na opinião pública no que foi dito acima, sobre ser o melhor e ou o pior e nos dois casos pelas mesmas razões, ou seja, seu pífio desempenho presidencial. Depois da prisão do Fabrício Queiroz, Bolsonaro se recolheu estrategicamente por um tempo.

Mas, já voltou ao cenário da ópera bufa o falastrão Jair Bolsonaro e já conseguiu a façanha em confirmar a dúvida nacional e até internacional sobre si mesmo. Ou seja, quando é que ele diz a verdade? Quando disse que não tinha Covid/19, ou agora quando diz que tem? Povo politizado é a saída. Caso contrário persistirá as eternas perguntas: Que país é este, ou Que presidente é este?

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História