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Psiquiatra explica sobre doenças mentais durante o isolamento e orienta sobre prevenção

Por Nathália Araújo / Redação

15 de Maio de 2020

PASSOS – O isolamento social e os cuidados com a higiene são as principais orientações emergenciais indicadas pela Organização Mundial de Saúde, OMS, e pelo Ministério da Saúde para conter a disseminação do novo coronavírus. A pandemia, que está entre as maiores da história, já registra um total de quase cinco milhões de pessoas infectadas e cerca de 300 mil mortes em todo o mundo.

Para somar às perdas, a infecção por covid-19 também tem causado problemas em outros setores, como o econômico, o social, o trabalhista e o da educação. Diante de tantas dificuldades, a saúde mental também acaba sofrendo inúmeras consequências, já que os sintomas se tornam mais intensos e faz com que os pacientes sintam maior vulnerabilidade.

A psiquiatra passense Amanda de Lima Teixeira, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, e membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria, explica que as pessoas que já ostentavam de algum tipo de transtorno, passaram a apresentar sintomas mais agravados. Enquanto isso, aqueles que não possuíam histórico de adoecimento mental, vieram a compor o quadro clínico destes problemas.

Para as doenças mais comuns, a profissional fala sobre os sintomas mais frequentes em cada uma. “Depressão, ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo (toc) são as doenças que mais afetam a população neste momento. A depressão apresenta humor triste e uma visão negativa sobre a vida. O transtorno de ansiedade faz com que exista grande preocupação com o futuro, além de estresse e angústia. Já o toc, por sua vez, provoca picos muito elevados de ansiedade e sensação de perda do controle de si mesmo”, especificou.

Ela também informa que o contexto do isolamento social, incluindo alterações na rotina, dificuldades financeiras e o medo do contágio pelo vírus, são exemplos de fatores que explicam o impacto da pandemia na saúde mental. “Além das doenças, algumas pessoas tendem a experimentar, em momentos de instabilidade, o descontrole alimentar, sono irregular, abuso de álcool e comprar desnecessárias, por impulso. Isso ocorre para aliviar o desconforto emocional, mas também pode gerar novos problemas de saúde física e mental”, destacou.

Finalizando, a médica enfatiza que as sensações de insegurança, ansiedade e medo, se tornaram naturais, especialmente em meio a quarentena; devido ao anúncio diário do aumento nos índices de mortalidade. Ela completa pedindo para que as pessoas não se deixem abalar pela situação, que tomem os cuidados necessários e que não tenham medo de procurar por ajuda profissional.

O caminho para a ajuda especializada

PASSOS – Em razão da pandemia causada pela infecção por covid-19, muitas atividades foram suspensas ou canceladas, incluindo tratamentos médicos. No entanto, os recursos disponíveis na internet e em chamadas de vídeo, permitem que alguns profissionais realizem seus trabalhos a distância, como é o caso dos que atuam na área de saúde mental, que podem fornecer consultas e terapias sem sair de casa.

Com o objetivo de auxiliar para que os índices de doenças mentais se mantenham controlados, a psiquiatra, Amanda de Lima Teixeira, oferece orientações. “Planeje uma rotina e procure respeitar seus horários e manter uma alimentação saudável; evite ler ou ouvir demais sobre o tema e busque informações em fontes confiáveis; mantenha contato com os laços afetivos pela internet; foque em comportamentos preventivos que estão ao seu controle, como a higiene pessoal e o uso de máscaras; faça atividades relaxantes e aceite o momento”, ensinou.

Além disso, a médica recomenda que a população busque compreender que as recentes mudanças ocorreram na vida de milhões de pessoas e não se trata uma particularidade. “A nova situação é o que gera o estado de medo patológico, este ocorre quando as emoções passam a dominar o indivíduo, impedindo o seu funcionamento e colaborando para uma visão catastrófica. Devemos evitar o abalo mental, cuidar das crianças e dos idosos e não causar pânico”, salientou.

Para as pessoas que enfrentam situações de sofrimento intenso ou sentem a necessidade de ajuda psicológica, é possível agendar um atendimento em clínicas particulares especializadas, ou pelo Sistema Único de Saúde, SUS. Em Passos, o telefone de contato da Secretaria de Saúde é (35) 3521-6063, onde é possível saber mais sobre a assistência.

Os que não se sentem confortáveis ou prontos para buscar ajuda clínica pessoalmente, devem procurar pelo serviço público virtual do Centro de Valorização a Vida, pelo número 188 ou no site www.cvv.org.br. O contato possibilita conversar com um atendente voluntário, sobre as causas que levam ao sofrimento, para encorajar o paciente a enfrentar a situação e procurar o tratamento profissional necessário. Todo o suporte é realizado de modo anônimo e gratuito.