Destaques Dia a Dia

Psicanálise e o Socialismo

POR HÉLIO DE LIMA JÚNIOR

23 de julho de 2020

Na vida corporativa emerge as disposições obsessivas, com repetições sem elaboração no trabalho, eliminando o potencial criativo do homem. O discurso totalitário vem cercear o trabalhador manipulando-o em aceitar o desprazer do trabalho, visando transformar sua dimensão psicossocial em relações puramente objetais, relações estas, que podem ser substituídas, compradas, desprezadas, onde o humano fica submetido e alienado à representação de um pai totalitário. Porém o trabalho pode gerar mais trabalho, para a psicanálise é a atuação da pulsão de morte (pulsão da destruição) repetindo algo sem sentido, sem significado.

O famoso Psicanalista Francês Jacques Lacan, efetivou suas investigações sobre linguagem com sustentação teórica através dos estudos do Linguista e Filósofo, Ferdinand Saussure. No entanto, Lacan elaborou os cinco Discursos: Discurso do Mestre, do Universitário, da Histérica, do Analista e do Capitalista. O primeiro, o Discurso do Mestre, é o discurso do governo, da lei, o mestre possui uma verdade inquestionável, pois é mantido pelo escravo que lhe delega poder. O último é o Discurso do Capitalista, o que vale diz respeito aos objetos produzidos e explorados pelo capitalismo, pois a mercadoria é o seu ponto central visando, sobretudo, a produção.

Lacan trabalhou certas questões da filosofia de Marx nas relações como o gozo, ressaltando os seguintes temas: discurso do capitalista, a alienação, o fetiche, o mais-de-gozar, etc. Lacan expõe sobre a alienação do sujeito ao capital que é a moeda e encarnação fetichista da riqueza, nota-se então que o fetiche capitalista é uma forma de perversão.

Contudo, o discurso do capitalista tem sua relação com o discurso do governo totalitário, visando induzir o ser humano a acreditar numa sociedade perfeita que importa é a produção de objetos e a exploração do trabalhador. Lacan também fez críticas à teoria de Marx, enfatizando que ele ficou colado ao Discurso do Mestre.

Karl Marx vai alertar para a mistificação da realidade, que induz o homem à alienação, onde não há dúvidas e nem se quer questionamentos sobre as relações do ser humano com as instituições, pois o humano acaba aceitando passivamente o que é determinado pelo Outro.

Nota-se que no Brasil, na época que foi tematizada a aprovação das Reformas Trabalhista e da Previdenciária emergiu um estranho conformismo do povo brasileiro. Verifica-se que o brasileiro aceitou passivamente a retirada de direitos primordiais, no entanto, na época no Brasil não houve discussões e debates por parte da sociedade sobre estes temas. Esta submissão geral é a emersão da alienação de massa, que foi ressaltada por Wilhelm Reich em sua obra: “Psicologia de Massas do Fascismo”.

Wilhelm Reich, Ucraniano, estudioso da teoria psicanalítica aliando à abordagem corporal, aproximou do referencial marxista procurando articulá-la à psicanálise, produzindo trabalhos, freudo-marxistas.

No entanto Reich contextualiza a posição do pai no estado e na economia, refletindo-se sobre o comportamento patriarcal em relação à família. O estado autoritário é representado na família, tornando – se desse modo o instrumento mais precioso do seu poder. A inibição sexual para Reich é à base do reforço familiar dos indivíduos, do mesmo modo que é à base da consciência individualista da personalidade. Deve considerar – se estritamente que o comportamento metafísico, individualista, sentimental em relação à família visa, sobretudo, a negação da sexualidade. O laço familiar pressupõe a inibição da sensualidade sexual, também influenciada pela religiosidade.

Na Escola de Frankfurt na Alemanha estruturou uma teoria crítica sobre a sociedade, projeto teórico de cunho marxista, nota-se que sua filosofia é herdeira de Freud e Nietzsche. No entanto, um dos seus expoentes é o Filósofo, Sociólogo, Herbert Marcuse, que foi membro da referida Escola de Frankfurt, no entanto ele expõe sobre a “cosificação” e alienação. O homem situa diante de outros homens, aflorando: propriedade privada, inveja, necessidade, gozo, etc. O sentimento de culpa como um papel incisivo no desenvolvimento da civilização e na sua eterna luta entre Eros e Thanatos – pulsão de vida e de morte. No entanto, o impulso agressivo contra o pai (seus sucessores sociais) é um derivativo da pulsão de morte. CONTINUA…

HÉLIO DE LIMA JÚNIOR. Psicólogo, Psicanalista. Mestrado em psicologia Social e Psicanálise e Doutorando em Psicologia.