Destaques Dia a Dia

Provérbio tibetano

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

9 de novembro de 2020

“ Só se podem juntar as mãos quando estão vazias. ” Este é mais um provérbio pesquisado por Frei Clarêncio Neotti, OFM. O frei afirma: “ – Posso entender este provérbio, pensando na oração que tantas vezes fazemos de mãos juntas. ” – Realmente, é comum rezar ou “orar”, como preferem algumas denominações religiosas, juntando as mãos. Há também como fazê-lo de braços abertos e elevados para o alto.

“ Às vezes, juntamos as mãos para fazer um pedido. ” – É uma atitude de solicitar favor, pedir perdão, desculpas, com certa carga emocional, é claro! Mas, sempre com sinceridade. “Em muitos lugares as crianças juntam as mãos para pedir a bênção do padre ou padrinho. ” – É uma tradição que possuía mais adeptos em tempos passados. Hoje, ainda existe tal tradição entre algumas famílias mais religiosas e praticantes. As crianças “tomam a benção” dos pais, dos avós, padrinhos, padres ou alguns chefes religiosos. O importante é o respeito com os pais e os mais velhos.

“ Ora, para juntar as duas mãos, elas precisam estar vazias. Vazias de quê? De autossuficiência, de orgulho, de calúnia, de palavras que ferem como pedradas. “ – Bem, em primeiro lugar elas devem estar desocupadas. Olhando por outro ângulo, lembramos o ditado que diz: a mão que acaricia é a mesma que apedreja. As mãos falam tanto quanto a boca e as expressões faciais. Elas têm sua forma de se expressar, pois cada gesto demonstra o que sentimos e queremos dizer. Temos de entendê-las, saber usá-las, sempre para o bem. Não devem estar cheias de autossuficiência, de orgulho, não podem apontar calúnias e nem, com gestos feios e indecorosos, sugerir ofensas que possam ferir as pessoas.

“ O autossuficiente não precisa de ninguém, por isso não junta as mãos para pedir. ” – Será que existe alguém autossuficiente mesmo? Bem, há os que se julgam assim, não precisam de ninguém, nem de conselhos e opiniões. São capazes de fazer e resolver tudo sozinhos, são absolutos. Viram “feras” quando percebem que alguém está só pensando em interferir. Mais dia, menos dia, acabam caindo na realidade, quando, num momento de fraqueza ou extrema necessidade, se tornam dependentes de algo ou de alguém.

“ O orgulhoso finge que não precisa de ninguém, por isso também não pede nada a ninguém. ” – O orgulho, no seu mau sentido, é um dos sete pecados capitais, no catolicismo. Não é pecado e nem defeito quando dizemos que temos orgulho de nossos filhos, parentes ou mesmo amigos, por sabermos que estão no bom caminho, sabem conduzir a vida e fazer o bem. Sentir tal orgulho é uma qualidade, pois sabemos reconhecer e o que eles têm de bom. Ter orgulho, no sentido pejorativo, ser excessivamente vaidoso, olhar para os outros com ares de superioridade, considerando-se melhor que todos e menosprezando ou rebaixando os semelhantes, principalmente os mais humildes, não é nada bom ou louvável. É deprimente e tal atitude se aproxima daquele que é autossuficiente.

“ Quem calunia tem as mãos sujas do sangue da boa fama. ” – Entendo que, ao caluniar alguém que seja uma boa pessoa e não é nada do que dela se diz, o caluniador está sujando suas mãos com o sangue da pessoa, que simboliza a vida. Ela não merece a calúnia, as mentiras. Se quem sofre a calúnia é uma boa pessoa, tem excelente fama e não há nada que a desabone, a calúnia é pecaminosa. É crucificar a pessoa simplesmente pelo fato de não se ter admiração por ela. A boa fama faz a plenitude da vida.

“ Mãos humildes costumam ser mãos vazias de interesses e cobiças. ” – Quando as pessoas têm mãos humildes, incapazes de usá-las para inventar erros, mentiras e calúnias contra outras, ou até condená-las imerecidamente, tais pessoas têm as mãos vazias, não carregam maldades. No entanto, suas mãos estão carregadas de humildade, de bondade, de amor ao próximo e de ternura com seus semelhantes. Elas não carregam riquezas materiais e estão vazias de tudo que é ruim, mas, cheias de tudo que é bom, de tudo que constrói o amor que se deve dar aos seus semelhantes.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino técnico comercial formado no Curso Normal Superior pela Unipac.