Destaques Dia a Dia

Provérbio russo

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

26 de outubro de 2020

Mais um provérbio coletado por Frei Clarêncio Neotti, OFM, cujas anotações por ele efetuadas, tentamos interpretá-las, sempre com sua aprovação. “Ore a Deus, mas continue nadando para a praia. ” Frei Clarêncio Neotti escreve: Quando li pela primeira vez este provérbio russo, me lembrei do conselho que minha mãe me deu quando, aos onze anos, parti para o Seminário: “ Ajuda-te e Deus te ajudará. ” – O sentido é o mesmo. – Concordamos completamente. Tal provérbio nos faz lembrar a antiga história do sujeito que morreu afogado numa enchente e foi reclamar junto a Deus. A resposta de Deus: “ – Mandei três opções de salvamento, uma canoa, um barco, um helicóptero e você recusou! ” – O provérbio é sábio, como qualquer provérbio bem-intencionado, pois ensina que devemos orar a Deus, mas, devemos continuar nadando para a praia, pois, lá está a nossa salvação, o porto seguro.

Na vida devemos fazer tudo como se tudo dependesse de nós. Deus foi generoso conosco, dando-nos a inteligência, a vontade e todos os sentimentos. – Realmente, no momento em que passamos a ter consciência de nossa existência como seres humanos, capazes de pensar, de entender, de agir, de fazer algo que seja útil, não só para nós, mas para nossa família e comunidade, temos de entender que, mesmo contando com a ajuda de outras pessoas em quem confiamos, é preciso que elas confiem em nós também. Assim, devemos agir como se tudo dependesse de nosso esforço, mas, sem cair na arrogância de pensar que somos absolutos, insubstituíveis.

Também não podemos ser prepotentes! Devemos contar conosco sim, devemos ter autoestima, confiança no nosso trabalho, devemos nos valorizar, fazer de tudo para sermos úteis, mas, sempre com os pés no chão, como se costuma dizer. Para que possamos ser sempre o melhor possível, Deus nos deu inteligência, a vontade e todos os demais bons sentimentos, incluindo a nossa condição de sermos animais racionais. Temos maus sentimentos também? É claro, mas, esses são passíveis de serem controlados, apesar de sempre existir um diabinho cutucando a gente. Mas, apegando-se a Deus e a Virgem Maria, sairemos vencedores, sempre.

Com esses dons, sejam quais forem as influências que tivermos da família ou da escola ou da sociedade, nós somos os responsáveis únicos pelo meu êxito ou pelo meu fracasso na vida. – Sabendo usar os dons já citados e com a experiência que vamos adquirindo na vida, aproveitando o que de bom nos ensinaram a família, a escola ou mesmo a sociedade, nós passamos a ser únicos na vida, uma única pessoa. Portanto, passamos a ser os únicos e principais responsáveis por nós mesmos. É preciso pensar, porque as consequências de nossos atos serão de nossa inteira responsabilidade. É comum presenciarmos pessoas procurando um culpado pelos seus fracassos.

Às vezes, realmente, poderá haver alguém que colaborou por um fracasso de outro, mesmo que não tenha sido proposital. Se confiamos em alguém que não mereceu nossa confiança, podemos chamar isso de fatalidade. Mas, se fomos alertados por alguém, de que tal pessoa não era confiável, jogamos numa loteria, sabendo que a possibilidade de ganhar é remota. O tamanho das dores de cabeça é imprevisível. O mundo está lotado de exemplos de traição. Inúmeras vezes, os fracassos são nossos, assim como, os êxitos. Mesmo que ajudados por outros, grande parte do sucesso é nosso, pois, fizemos por merecer, não decepcionamos ninguém.

Culpar a Deus pela minha desgraça é blasfêmia. Querer que Deus faça tudo em nosso lugar é ingenuidade infantil. Sou parceiro de Deus. Preciso fazer a minha parte. – E como blasfemam por aí, hein! Tentam jogar a culpa na falta de sorte, porque Deus não ajudou, esqueceu de vigiar, de colaborar. Achar que Deus deva estar atento a tudo que possa se referir a nós e não deixar que nada de mal nos aconteça, deixar tudo por conta Dele, é pedir demais a Ele! Podemos pedir sim, desde que façamos a nossa parte. Ele nos deu o livre arbítrio e os dons já mencionados aqui. Não podemos ser tão infantis. Precisamos, como somos numa sociedade ou comunidade, ser parceiros de Deus, estar sempre com Ele. Ele nos ajudando, olhando por nós, mas, nós nunca nos esquecendo de fazer a nossa parte na vida. Não há outro caminho ou atitude!

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino técnico comercial formado no Curso Normal Superior pela Unipac.