Destaques Dia a Dia

Provérbio italiano

11 de julho de 2020

Frei Clarêncio Neotti, OFM, nos presenteia com um provérbio italiano muito interessante e educativo. Tentaremos ampliar a interpretação com nossas pinceladas, com aprovação dele. É de uma folhinha que se destaca dia a dia do calendário de Aparecida.

Censura os teus amigos na intimidade, elogia-os em público.” O frei escreve: “A todo momento temos alguma censura a amigos. O segredo de ajudar o amigo com uma repreensão é fazê-lo a sós e na hora oportuna.” – Interessante como estamos sempre a observar o comportamento alheio, daqueles que nos cercam ou que sejam de nosso relacionamento. Quantas vezes verificamos que alguém está a comportar-se de forma inadequada, displicente, negligenciando em seus afazeres ou com pronunciamentos não condizentes totalmente ou mesmo em parte com a verdade.

Nosso primeiro impulso é advertir a pessoa em público para alertá-la. Só que, incorremos no mesmo erro que ela, quando fazemos isso perto de outras pessoas. Ninguém gosta de ser “censurado” na frente dos outros . Não temos o direito de agir assim. A melhor maneira, para que sejamos civilizados, é conversar em particular. Mostrar que prezamos a sua amizade e que nossa intenção é de colaborar apenas, que também não somos perfeitos, vez ou outra incorreremos no mesmo equívoco, inadvertidamente ou não.

É preciso que saibamos escolher a ocasião oportuna, que sejamos perspicazes para observar o emocional da pessoa de forma que ela esteja num momento propício para a abordagem, que deve ser calma, educada, civilizada, sem quaisquer tipos de agressividade. Um caminho seguro é elogiar em público, com sinceridade, surte mais efeito.

Palavras do frei: “É sabedoria ter a palavra certa na hora certa. É inútil ter a palavra certa na hora errada.” – Como já dissemos, é preciso calma, educação. Caso contrário, estaremos buscando apenas animosidade, quando, na verdade, queremos ajudar a pessoa ser cada vez melhor. Que não seja perfeita, como também não somos, mas, que procure agir no sentido de ser melhor. A palavra certa precisa ser pronunciada no momento certo, quando a pessoa estiver preparada para ouvir, para dialogar, para se enxergar, para perceber a nossa intenção e contestar até, caso não concorde integralmente conosco. O caminho certo é o diálogo.

Por outro lado, de nada adianta a palavra correta na hora incorreta. É preciso perscrutar o momento certo, observar que ela esteja emocionalmente preparada para uma abordagem carinhosa, amiga e não tendenciosa. Afinal, o íntimo de cada pessoa é algo muito delicado. Não podemos ferir ninguém, o momento é de ajudar.

Ainda diz o frei: “A censura em público magoa. Quem costuma censurar em público mostra prepotência. O prepotente nunca alcança o coração e a consciência de ninguém. A censura vira humilhação. E não há criatura humana que goste de ser humilhada.” – Ora, censurar alguém em público é humilhar. Isso magoa! Ninguém aceita isso e não há razão que justifique tal atitude. Quem assim procede, está sendo uma pessoa prepotente. Se não aceitamos que nos censurem em público, também não podemos censurar pessoas na frente de outros. Não é direito!

Quem age assim, geralmente o faz com pessoas subordinadas hierarquicamente, indefesas, pessoas simples, humildes. Não seria capaz de fazer com alguém do seu próprio nível ou acima dele. Desdenhar das outras pessoas, julgando-as inferiores não tem sentido algum! Aliás, não existe ninguém inferior, somos seres humanos e todos merecemos respeito e consideração. Hierarquia, disciplina, são necessárias na convivência humana, mas, sem humilhação ou prepotência. Não se alcança o coração e consciência de alguém com humilhação. É triste, é desagradável!

Conclusão de Frei Clarêncio Neotti: “Um pequeno elogio em público tem mais efeito que muitas repreensões. Todo bom professor sabe disso. Muita mãe se esquece disso.” – Saber elogiar é uma arte e toca com mais efeito o coração das pessoas. Um bom professor sabe disso! Elogiar com sinceridade, sem ironia, sem falsidade, mostrando o verdadeiro amor que devemos ter pelos nossos semelhantes é o mínimo que se exige. Que as mães também pensem nisso! – O frei interpretou, nós acrescentamos.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG – Ex-professor do ensino técnico comercial – formado no curso Normal Superior pela Unipac.