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Provérbio hindu

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

8 de setembro de 2020

Frei Clarêncio Neotti, OFM, faz uma síntese do que depreende deste provérbio hindu. Eis o seu texto na íntegra, como escreveu, sem tirar ou colocar uma vírgula sequer:

“Se fechar a porta a todos os erros, a verdade pode ficar de fora”. Este provérbio é bom e útil para quem tem mania de limpeza, de organização, de moralidade. A limpeza é boa e necessária. A moralidade é essencial na vida. Mas possa exagerar e até chegar à doença de toque obsessivo. É normal a convivência com o certo e o errado, com a graça e a desgraça. Feliz de quem sabe viver equilibrado entre o erro e a verdade, entre o sim e o não. Quase diria: entre Deus e o diabo, se por diabo entendo tudo que me impede de ser feliz, e por Deus entendo aquele que me criou e me tirou do pecado exatamente para viver na felicidade. Santidade é uma coisa; mania de santidade é doença. Vida honesta é uma coisa; mania de honestidade é doença. – Analisemos, então!

“Se fechar a porta a todos os erros, a verdade pode ficar de fora.” – Errare humanum est, perseverare autem diabolicum. Traduzindo da língua latina: “Errar é humano, mas, perseverar no erro é diabólico.” Há outras variantes atribuídas a Santo Agostinho e a São Bernardo, mas, com o mesmo sentido. Não há quem não erre na vida, acredito que até os santos cometeram pequenos erros, dos quais se arrependeram e se penitenciaram depois. Por mais cautelosos que sejamos, não somos perfeitos, muito pelo contrário, somos “dotados de imperfeições”, alguns mais, outros menos. Portanto, se quisermos evitar qualquer erro, se quisermos ser perfeitos, estaremos deixando de fora a verdade, ou seja, não acreditar que somos imperfeitos. É o mesmo que acreditar que acertamos em tudo, que nunca erramos. E isso não é verdade!

Este provérbio é bem útil para quem tem mania de limpeza, de organização, de moralidade. Mas possa exagerar e até chegar à doença de toque obsessivo.” – Tudo que é exagero, que passa do limite do bom senso, deixa de ser o ideal, o correto, passa a ser inclusive prejudicial. Mania exagerada de limpeza faz com que a pessoa passe o tempo todo limpando e deixando tarefas ou obrigações também importantes para trás. Organizar demais, às vezes faz com que guardemos tão bem objetos ou materiais que utilizamos. Depois, não lembramos mais onde colocamos. Excesso de moralidade, de ver pecado em tudo e em todos, até num palavrão pronunciado sem querer, num momento de aborrecimento e perto de alguém de nossa intimidade, também não é nada bom. São momentos de extravasamento, sem maiores consequências, não é imoral! Tudo exageradamente pode mesmo, como afirma o Frei Clarêncio Neotti, levar uma pessoa a sofrer transtornos.

É normal a convivência com o certo e o errado, com a graça e a desgraça. Feliz de quem sabe viver equilibrado entre o erro e a verdade, entre o sim e o não.” – Realmente, a vida é repleta de acertos e erros, nem sempre erramos de propósito, assim como, nem sempre acertamos racionalmente. Às vezes, erramos sem querer mesmo e às vezes, também acertamos por intuição, nem sempre usamos a lógica. Também temos momentos bons, cheios de graça, e momentos ruins, com aborrecimentos. Importante é saber viver no equilíbrio, como o equilibrista de arame num circo. Balança para um lado, para o outro, mas, não cai. É preciso entender, compreender de fato o momento do sim e o momento do não. É saber discernir.

Quase diria: entre Deus e o diabo, se por diabo entendo tudo que me impede de ser feliz, e por Deus entendo aquele que me criou e me tirou do pecado exatamente para viver na felicidade. Santidade é uma coisa; mania de santidade é doença. Vida honesta é uma coisa; mania de honestidade é doença.” – O frei, quase diria que vivemos entre Deus e o diabo. O diabo, figura do mal, faz de tudo para impedir que sejamos felizes, só deseja o nosso mal e que nos afastemos de Deus. O frei ainda entende que Deus nos criou e nos tirou do pecado, para que sejamos felizes. Talvez ele se refira ao pecado original, acredito eu. Diz ainda que ser santo é uma coisa, ter mania de santidade, considera como uma doença. Ser honesto também é uma qualidade, mania de honestidade é ser doente. Bem, entendamos que tudo isso se refere a atitudes exageradas, que fogem da lógica, da racionalidade. Aprendi também, com meu primeiro professor de canto, que o meio termo na música é o ideal. Acredito que nas artes e em tudo na vida!

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG. Ex-professor do ensino técnico comercial – formado no curso Normal Superior pela Unipac.