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Produtores devem redobrar cuidados na colheita do café

16 de abril de 2020

Foto: Divulgação.

A colheita de café deve começar em todo o Brasil a partir da segunda quinzena de maio. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa da safra de café arábica e robusta no País deve variar de 57,15 e 62,02 milhões de sacas, o que representa um aumento de 25,8% em comparação ao volume colhido na temporada passada. Em tempos de pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19), o cafeicultor precisa redobrar os cuidados para proteger a vida de seus colaboradores e fazer a colheita deste importante produto para o agro do País e do exterior. A colheita do café é uma das atividades mais importantes na cafeicultura e normalmente demanda bastante mão de obra e equipamentos para ser realizada em tempo hábil.

 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo produziu um manual de orientação e boas práticas contra a Covid-19, com direcionamentos que podem ser adotados nas comunidades rurais, nas propriedades e no dia a dia da produção. Sendo a colheita do café uma atividade essencial, o produtor, de acordo com o manual, deve afastar os funcionários que apresentem sintomas, como febre, tosse ou dificuldade para respirar e evitar ao máximo a presença de pessoas acima de 60 anos nos locais de trabalho.

 

O trabalhador deve manter as mãos limpas, as unhas cortadas e não fumar e beber durante a atividade de colheita. Além disso, deve-se evitar compartilhar ferramentas de trabalho, como pás, enxadas, rastelos e peneiras, assim como garrafas de água e de café, e lavar com desinfetante todos os utensílios e equipamentos com solução clorada (900ml de água para 100ml de água sanitária) e higienizar com álcool 70% as partes de contato direto com as mãos nas ferramentas de trabalho, antes do início e ao final da atividade. A recomendação é que ocorra o mais breve possível o recolhimento dos sacos com os frutos colhidos, que devem ser mantidos abertos na parte sombreada da planta.

 

No transporte dos trabalhadores, também deve-se retirar toda a sujeira e borrifar antes e depois das viagens solução de água com 1% de água sanitária ou peróxido de hidrogênio, além de disponibilizar álcool 70% para limpeza das mãos dos trabalhadores, manter as janelas dos veículos abertas e a distância de 1,5 metro entre os passageiros.

 

“No ano passado, contratamos 45 trabalhadores de Minas Gerais, que ficavam hospedados na fazenda. Optamos neste ano por contratar 30 pessoas, da própria cidade”.

 

As orientações têm sido seguidas por Diogo Dias Teixeira de Macedo, da fazenda Recreio, que fez algumas adaptações para garantir a colheita do produto e a saúde de seus colaboradores.

 

Entre as iniciativas destacas pelo cafeicultor da montanhosa região de São Sebastião da Grama está a contratação de trabalhadores da própria cidade, em vez de pessoas do Norte de Minas Gerais, como vinha ocorrendo nos últimos anos, para evitar o trânsito e a aglomeração dos trabalhadores nos alojamentos da fazenda.

 

“No ano passado, contratamos 45 trabalhadores de Minas Gerais, que ficavam hospedados na fazenda. Optamos neste ano por contratar 30 pessoas, da própria cidade, para que eles durmam em suas casas, evitando assim a aglomeração na propriedade”, explica.

 

Outra providência foi reforçar a instalação de pias para lavagem das mãos dentro do ônibus e da propriedade. Os trabalhadores também recebem álcool gel 70%, além de máscaras. “Os orientamos também quando acabar o trabalho irem direto para suas casas e permanecerem por lá”, conta o produtor, que realiza 100% da sua colheita na forma manual, devido as condições de topografia da região em que está localizada sua propriedade. A expectativa do produtor é que os 150 hectares de café plantados gerem 4.500 sacas de café.

 

André Cunha, sócio proprietário da Fazenda Bela Época, situada em Ribeirão Corrente, na região da Alta Mogiana, também tem tomado alguns cuidados no planejamento da colheita do café. Apesar de 90% da colheita em sua propriedade ser feita de forma mecânica, o produtor tem realizado treinamento na área de segurança do trabalho e entregue cartilhas para os trabalhadores.

 

Além disso, tem-se evitado o transporte coletivo dos funcionários. Os trabalhos na fazenda estão sendo executados de forma mais isolada possível e estão sendo disponibilizados frascos de álcool 70% para assepsia das mãos. Os veículos e tratores também estão sendo desinfetados e os trabalhadores que constam no grupo de risco foram colocados em férias.

 

Mecanização avança nas lavouras paulistas

 

O pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Gerson Silva Giomo, explica que a colheita do café ocorre, normalmente, de maio a agosto, sendo que em algumas regiões paulistas, como na Alta Mogiana, há uma forte utilização de máquinas, e em outras, como na região de São Sebastião da Grama e Divinolândia, a utilização é menos frequente, devido as condições de topografia, que dificultam o uso de colheitadeiras. “O Estado de São Paulo tem migrado nos últimos anos para uma colheita mecânica do café, com aumento expressivo do uso de colheitadeiras em todas as regiões com topografia favorável à mecanização.

Isso é bastante interessante, principalmente neste momento, para os produtores de algumas regiões paulistas, que acabam não sendo tão afetados por conta da pandemia”, afirma.

A informação é confirmada pelo pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), Celso Vegro, que afirma não haver estatísticas sobre a mecanização do café em todos os estados brasileiros. “Mas arrisco em dizer que as lavouras submetidas a colheita mecânica atingem percentual majoritário em São Paulo, sendo que no cerrado e na região da Mogiana, esse índice deva estar em praticamente 100% das propriedades”, analisa.