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Produtores comemoram regulamentação do queijo

21 de agosto de 2020

Minas é destaque como maior e mais importante produtor de queijos artesanais do Brasil. / Foto: Divulgação

PASSOS – Produtores de queijos e órgãos representativos do setor comemoraram, nesta quinta-feira, 20, a regulamentação do decreto assinado pelo governador Romeu Zema na quarta-feira, 19. Em Minas Gerais, o chamado QMA – Queijo Minas Artesanal, nome dado ao queijo artesanal produzido em área específica e certificada, como por exemplo, os queijos da microrregião da Canastra, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), seguem agora com nova legislação.

Minas tem legislação estadual específica para esses queijos, que dão diretrizes e definem processo de produção, leite utilizado, condições da queijaria, maturação e outros pontos. A regulamentação da lei, através do decreto, traz benefícios para a expansão e melhoria na produção do queijo artesanal mineiro, sendo importante para um consequente aumento de regularização de queijarias em órgãos competentes, melhoria da qualidade e segurança alimentar para o consumidor, melhores condições higiênico-sanitárias, valorização do artesanal e pequeno produtor, abertura de novos mercados, aquecimento, fortalecimento e expansão do mercado de queijos artesanais mineiros.

Para o instrutor no Sistema Faemg/Senar Minas Giancarlo de Souza Ferreira, são vários pontos a serem destacados, dentre eles, que a regulamentação dá diretrizes e estabelece normas sanitárias e boas práticas de fabricação, bem como a regularização de outras variedades de queijos.

Também possibilita que queijos elaborados com leites de outras espécies e não só de vaca; permite o reconhecimento da “afinação” de queijos artesanais, que é o acompanhamento da maturação, por meio de técnicas e análises, explorando a potencialidade organoléptica do queijo. Ainda possibilita a maturação em caves (cavernas), conferindo maturação e características específicas ao queijo; que sejam usadas salas de maturação com climatização artificial; que outros tipos de maturação, como por exemplo, com fungos, que é o chamado queijo de “casca florida” sejam produzidos e comercializados de forma regulamentada e, o reconhecimento de outras regiões produtoras de queijos artesanais”, assegurou Ferreira.

Conforme informa o instrutor, segundo essas normas, o QMA é o queijo chamado como “casca lavada”, elaborado somente nessas regiões específicas, a partir de leite cru de vaca, em condições de maturação específica na queijaria, sob técnicas e condições peculiares. Antes da normatização, apenas o QMA de casca lavada tinha autorização legal para ser produzido no estado, ou seja, não se permitia variações na produção.

Ressaltamos que, para alguns pontos dessa lei, ainda temos que aguardar portarias do IMA e que não podem ir de encontro com as normas já existentes(normas do próprio órgão estadual), ou seja, para alguns desses pontos, dependerá da criação de regulamentos técnicos específicos”, afirmou.

Para o gerente Regional do Sistema Faemg/Senar Minas em Passos, Rodrigo de Castro Diniz, essa medida representa um grande avanço, pois melhora as condições de comercialização dos queijos artesanais e beneficia tanto o produtor, quanto o consumidor. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de São Roque de Minas e dono da Queijaria Capela Velha, Alexandre Pereira Silva, afirma que a legislação deve ser flexibilizada e vista com atenção, de modo que todos os produtores consigam se adequar e sair da “clandestinidade”.

Com certeza será um grande marco para a história do nosso queijo artesanal. É bom saber que o governo está olhando com mais atenção aos produtores que dedicam uma vida toda à fabricação desse produto tão valioso, não só pelo sabor, mas também pelo seu conteúdo histórico e cultural. O produtor, por sua vez, também deve fazer a sua parte, observando as boas práticas e produzindo um queijo de qualidade”, finalizou Silva.