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Produtor leiteiro deve diminuir custos, diz Emater

11 de abril de 2020

Divulgação

A pandemia do coronavírus (Covid-19) tem gerado dificuldades para a comercialização de leite e queijos, segundo produtores rurais mineiros. Para amenizar esses problemas, técnicos da Emater-MG têm orientado a adoção de diversas medidas, como a redução dos custos de produção.

No município de Porteirinha, no Norte de Minas, no início da paralisação do comércio, pecuaristas doaram parte da produção de leite para entidades filantrópicas, pois não conseguiram vendê-la. “Muito leite foi doado a instituições de assistência a crianças e adolescentes, asilos e distribuídos na periferia do nosso município”, diz o técnico da Emater-MG, Diogo Franklin.
No início de abril, este cenário apresentou melhora. A pecuária leiteira do município vem reagindo, pois os produtores diminuíram a produção e estão conseguindo comercializar. “As queijarias voltaram a produzir. Isso é importante porque este é o principal destino do leite aqui do município e região. Também foram feitos alguns ajustes com os laticínios e a captação não foi suspensa”, diz Franklin.

O pecuarista Marcus Vinícius Santos, do município de Porteirinha, adotou algumas medidas de redução de gastos. Ele diminui o número de ordenhas e não está oferecendo concentrados – alimentos como caroço de algodão e farelo de soja – para os animais. “Isso é para produzir menos leite e ter um destino para esse leite. Muitos produtores tiveram de parar de produzir porque não estava tendo saída”, diz o pecuarista.

 

Recomendações

 

Uma das principais sugestões dos técnicos da Emater-MG para evitar prejuízos na pecuária leiteira é a redução dos gastos com a alimentação dos animais. Segundo o coordenador técnico regional da empresa, Antônio Domingues, a diminuição de ração para as vacas, quando possível, deve ser gradual. “Reduz-se um terço por semana para evitar problemas de saúde dos animais. Colocar os animais com alimentação mais a pasto e misturar os ingredientes que compõem a ração na propriedade. Para as vacas que estão com pouco leite, vamos secá-las”, afirma.

Domingues orienta o aumento do plantio de capim para que o rebanho tenha maior quantidade de um alimento barato no período de estiagem. Outra dica é a formação de grupos de produtores para a realização de compra conjunta, o que facilita obter melhores preços de insumos.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor devido à Covid-19, o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Minas Gerais, José Antônio Bernardes, não espera uma queda brusca no preço pago pelo litro do leite ao produtor e nem uma paralisação na captação dos laticínios. “Até o momento não está tendo uma crise de produção. Há casos específicos em função da produção das indústrias regionais. O queijo sofreu um primeiro impacto, mas o leite foi absorvido de outras formas por outras cadeias produtivas”, disse.

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), o ano de 2020 começou favorável para a pecuária leiteira, com preços mais elevados, em função de uma redução da oferta do produto. Para o analista de agronegócios da Faemg, Wallison Lara, com a pandemia, houve uma busca maior nos supermercados por produtos com mais durabilidade, como o leite longa vida, o que gera concorrência entre os laticínios pela captação do leite junto ao produtor. “Não há receio de desabastecimento no atacado ou no varejo, pois as indústrias de pequeno e médio porte estão fazendo essa captação local”, disse o analista.

O pesquisador da Embrapa, Glauco Carvalho, diz que ainda é muito cedo para saber quais os reais impactos no valor pago pelo litro de leite ao produtor. No cenário atual, segundo ele, é possível que esse valor não sofra grandes variações. Isto porque, de acordo com o pesquisador, a atividade está entrando no período de entressafra e a oferta de leite nacional ou importado no mercado é baixa. “Por enquanto, o mercado de leite em pó e UHT está dando uma segurada. Já o leite spot, aquele comercializado entre as empresas, está recuando. Essa é a grande preocupação, pois é este valor que tem maiores reflexos no valor pago ao produtor”, afirma.