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Presidente do América critica MP de direitos de transmissão

22 de junho de 2020

Dirigente disse que negociação por direitos de TV tem de ser coletiva. / Foto: Divulgação

BELO HORIZONTE – O presidente do América, Marcus Salum, criticou a Medida Provisória Nº 984, que modifica a forma de negociação dos direitos de transmissão no futebol brasileiro. A alteração da Lei Nº 9.615, popularmente denominada Lei Pelé, foi assinada pelo presidente da República Jair Bolsonaro, após reunião com Rodolfo Landim, mandatário do Flamengo.
Salum classificou a MP como “intempestiva” e “tomada da pior forma possível”.

Com relação à Medida, inegavelmente é intempestiva e tomada da pior forma possível. Não dá para esconder. Se nós estamos discutindo um PL, na Câmara dos Deputados, com várias cláusulas de Profut, de contrato, uma série de coisas, não pode com uma canetada fazer uma medida de forma urgente para beneficiar A, B ou C”, disse.

O Flamengo tem que entender que o futebol brasileiro corre risco. O Flamengo está naquele momento de novo-rico, que acha que pode comprar tudo, fazer tudo. É o nouveau riche, que a gente fala”, acrescentou o dirigente americano.

Salum preferiu não se aprofundar em questões políticas, mas mencionou a “briga” entre o Flamengo e a TV Globo. Por divergências financeiras, o contrato entre as partes no Campeonato Carioca acabou não sendo fechado. E Bolsonaro, em constante pé de guerra com a emissora, mostrou apoio ao rubro-negro ao editar da MP – fato este questionado pelo presidente do Coelho.

Sair para resolver um problema dele e sentar com o presidente por um canal que ele tem – e politicamente o Flamengo é muito forte – para resolver um problema dele no Campeonato Carioca com a detentora dos direitos, da forma que foi, a gente percebeu claramente que era uma briga entre Globo, Flamengo e o presidente entrou no meio. Ele (Bolsonaro), no tamanho do cargo, não poderia ter feito dessa forma. Esse registro tem que ser feito, e nós, como entidade, vamos repudiar isso”.

O dirigente americano até se mostra favorável a discutir mudanças no modelo de exploração da imagem do futebol, porém com a anuência de todos os clubes. Para o presidente do América, outros temas precisam ser deliberados, como a lei que permite instituições esportivas se tornarem empresas. Do contrário, conforme Salum, o regimento ficará incompleto e precisará passar por constantes revisões.