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Presidente da Ameg, Serginho defende investir no turismo da região

Por Adriana Dias / Da Redação

18 de janeiro de 2021

Foto: Divulgação

Natural de Passos, nascido e criado no ‘último gole’, saída de Passos para São João Batista do Glória, o empresário Paulo Sérgio Leandro de Oliveira, o Serginho, 47 anos, se mudou para São José da Barra em 2006, para a abertura da filial de sua autoescola. Filho do comerciante Emílio Leandro de Oliveira, aposentado atualmente, e de Sebastiana Cândida de Oliveira, aprendeu desde muito cedo a trabalhar, assim como seus outros dois irmãos, Wilson e Cláudio. Casado há 18 anos com a gloriense Keila Pereira da Cruz, com quem tem os filhos Serginho, de 15 anos, e Melissa, de 9 anos, e também o enteado Guilherme, de 22 anos, do primeiro relacionamento de sua esposa, ele foi convidado a se filiar e logo lançado como candidato a prefeito da Barra.

Foi reeleito para seu segundo mandato em 15 de novembro de 2020, tendo como vice-prefeito, novamente, o advogado e secretário de Administração e Finanças, Andre Luiz Lemos da Silva e, na última sexta-feira, 15, foi eleito para a presidência da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (Ameg) durante a 176ª Assembleia Geral. O chefe do Executivo, que é graduado em Teologia, falou à reportagem sobre os novos rumos que pretende dar à associação e, principalmente, como fazer para reunir de volta os associados que deixaram a Ameg, inclusive a Barra.


Folha da Manhã – O senhor foi eleito presidente da Ameg, que já teve 17 prefeituras associadas e chegou a contar recentemente com apenas nove. O que vai fazer para retomar a representatividade?

Serginho – Começamos esta retomada conosco mesmo. A própria prefeitura de São José da Barra havia se desvinculado. Tivemos uma conversa entre os vários prefeitos da região e decidimos voltar, mas com algumas mudanças e elas já começam a ser implementadas desde já. Entre estas diversas decisões, que tomamos nesta reunião de sexta-feira, 15, considero que a principal seja a da transformação definitiva da Ameg em consórcio público, já a partir de 1º de março, iniciando o trabalho com licitações em conjunto, Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Procon Regional e Licenciamento Ambiental. Isso era fundamental, uma vez que o valor que era pago para ser associado é considerável. Algo em torno de R$4 mil por mês por prefeitura. Já deixamos definido que este valor será menor. São recursos que servem para a manutenção dos serviços, mas vamos fazer o possível para diminuir os gastos. Os ex-presidentes Adeberto José de Melo, o Deco, ex-prefeito de Piumhi, e o de Passos, Carlos Renato Lima Reis, o Renatinho Ourives, fizeram excelentes gestões frente à Ameg, mas, precisamos avançar. Ter a confiança dos prefeitos de volta. Esse ano a Ameg vai contar com 16 municípios associados, que são, Capetinga, Capitólio, Carmo do Rio Claro, Cássia, Delfinópolis, Passos, Piumhi, Pratápolis, São João Batista do Glória e São José da Barra que já eram associados e mais Claraval, Fortaleza de Minas, Guapé, Ibiraci, Itaú de Minas e São Tomás de Aquino que retornaram esse ano. Outros municípios como Alpinópolis, São Roque de Minas e Vargem Bonita devem associar também, depois que concluírem a parte burocrática.


FM – Terá alguma ação de imediato da qual os municípios vão se beneficiar?

Serginho – Sim, a compra de uma nova unidade de castração com recursos próprios, para aumentar a capacidade de trabalho diária e, principalmente, a compra da Usina Móvel de Asfalto, que é implementada em um caminhão e utiliza micropavimentação a frio com um custo de 30% do valor do asfalto convencional, a licitação será publicada ainda esse mês e será paga com parcelamento de dívidas dos municípios com a Ameg de anos anteriores. E, pelo consórcio os municípios vão ratear despesas desses serviços que têm um valor elevado com a equipe e que não haveria demanda suficiente para ocupar essa equipe em municípios pequenos. A Ameg firmou convênio com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad) e com o Fundo Especial do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (Funemp) no valor aproximado de R$1,2 milhão para comprar materiais e contratar mão de obra para realizar castrações, que possibilitará a castração de 10 mil animais, cães e gatos, que corresponde a 10% da população animal vacinada contra raiva em 22 municípios. E quero salientar que nosso trabalho na Ameg será coletivo com os prefeitos e, o consórcio permite 1 ano para cada mandato.


FM – Especificamente sobre a Usina de Asfalto, ela é para resolver o problema que é comum a todos os municípios: falta de asfalto?

Serginho – Sem dúvidas. É para todos os municípios consorciados. Esta será a nossa primeira ação dentro do consórcio. O Deco chegou a visitar uma usina em Ouro Fino e nós vamos passar todas as informações para os novos prefeitos que foram eleitos. Esta é uma demanda comum entre todos os municípios da região. Sou bem alinhado com os antigos e também com os novos.


FM – Em 2022 o Brasil realiza as eleições para deputado estadual e federal. O senhor tem intenções de se lançar como candidato?

Serginho – Minha trajetória relacionada à política foi e tem sido muito interessante. Minha mãe sempre se preocupou com os filhos, de que entrássemos para o mundo da política e nos envolvêssemos com questões que não fossem desonestas. Eu nunca vou, jamais, entrar em coisa errada. Nossa primeira campanha foi difícil, mas linda. E, agora, na reeleição tivemos muitas dificuldades com os outros dois adversários, mas vencemos de forma digna. Fui acusado até de ser católico, como se isso fosse algo ruim, ou que eu fosse perseguir outras denominações religiosas. Nunca. Mas, a maioria enxergou em mim e no André, e também em toda nossa equipe que fizemos um bom trabalho e vamos dar prosseguimento ao que começamos. Sobre esta intenção, é muito cedo para falar. Mas já aventaram esta possibilidade dentro do partido. Preciso trabalhar mais para o meu povo. Tudo é uma sequência.


FM – Sobre a Praia da Barra, um grande empreendimento no município, tem previsão para a inauguração?

Serginho – Temos a previsão, que nos foi informada pela empresa responsável, que é de 90 dias. Este é o prazo do contrato. Devido à pandemia, houve escassez de material, o que dificultou o término da obra antes do prazo. Além, do período chuvoso, que atrapalhou os trabalhos também. A praia terá um quiosque com restaurante, marina e estacionamento. Este é um dos grandes empreendimentos turísticos da região.


FM – A cidade tem atraído cada vez mais turistas. Esta é a marca da sua administração?

Serginho – Certamente sim. Antes de mim, nenhum outro prefeito havia se preocupado em colocar São José da Barra nos trilhos do turismo. Não era sequer filiada ao Circuito Turístico Nascentes das Gerais. Não tinha investimentos e nem incentivos. Agora recebemos, inclusive, o ICMS Turístico.


FM – Como estão os cofres públicos?

Serginho – Finalizamos o mandato com as contas em dia. O que nos garante a conclusão de todas as obras que iniciamos. São seis grandes obras, o Terminal Rodoviário; a Praça no bairro Eldorado; Praça na região central, a Eloi Batista; a pavimentação de um grande trecho dos 7 km da Barra até o Porto de Guapé; a Ciclovia e Pista de Caminhada da Barra até o bairro de Furnas; um Canteiro com iluminação em led e pista de caminhada na entrada de São José da Barra. Todas indo para a licitação. São obras que recebemos recursos de parlamentares, principalmente do senador Rodrigo Pacheco, além da prefeitura complementar. Quanto ao trecho ruim, que é um pedaço próximo ao parque de exposições, na estrada que sai da rotatória do Zé Bento e vai para o sentido de Guapé, estava na justiça e a empresa abriu falência, agora teremos que arrumar. Aquele asfalto ficou horrível, assim como outro que sai do bairro Cachoeira sentido Roseira, que também está na Justiça e devemos ganhar.


FM – Como está a sua relação com a nova Câmara?

Serginho – Muito boa. Fizemos quatro vereadores da nossa base. E, a oposição fez cinco, porém, já conseguimos a adesão de um dos parlamentares e o presidente da Câmara, que foi presidente no primeiro biênio da outra gestão, é nosso aliado. Isso facilita muito a realização dos trabalhos.


FM – Quais os gargalos que existem em São José da Barra e que o senhor ainda não tenha conseguido resolver?

Serginho – São os problemas do lixo e do esgoto. Temos o tipo de aterro antigo, a lei permite o aterro sanitário ou usina. Quero resolver isso neste primeiro ano deste novo mandato. Recebemos um empresário que tem intenção de recolher o lixo e isso resolveria nosso problema. Vamos ver se fazemos isso de forma regional, com outros municípios. Vejo que a usina é a solução para estas cidades. Estes dois problemas, tanto o lixo, quanto o esgoto são comuns aos municípios da região. O esgoto na Barra é tratado pela administração. Nós não passamos o esgoto para a Companhia de Saneamento de Minas (Copasa), como muitas cidades, pois o valor para o munícipe fica muito mais caro. Nós temos uma Estação de Tratamento de Esgotos, mas não tem um nível de tratamento eficiente. Deixa a desejar e não posso permitir isso. Uma cidade que quer ser reconhecida no turismo tem que ter esgoto de qualidade. Não podemos poluir. E, com isso, continuaremos a investir na maior empresa que temos: o turismo.


FM – O que representou a chegada da Marinha do Brasil na Barra?

Serginho – Representou muito. Foi um ganho enorme para São José da Barra, trouxe maior segurança, marinheiros com poder de polícia por toda a cidade. Além do objetivo principal da vida da Marinha que é de dar segurança ao tráfego nas águas do Lago de Furnas.


FM – A cota mínima exigida pela maioria dos prefeitos para o Lago de Furnas é uma das suas lutas?

Serginho – Sim, a baixa da água no Lago de Furnas afeta diretamente nosso município. Estamos aguardando as propostas e respostas da reunião que foi feita em São José da Barra, com a presença do governador Romeu Zema, do ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, e do senador Rodrigo Pacheco. Ainda não tivemos avanços, esperamos que criem realmente uma lei que resguarde a cota mínima. Neste momento chuvoso, o nível do lago vai subir, mas se não tivermos uma lei que garanta a cota mínima, logo teremos problemas novamente. O ministro garantiu que o presidente Jair Bolsonaro entrou na briga e iria resolver o problema.


FM – Como é a sua relação com o senador Rodrigo Pacheco?

Serginho – É o meu senador. Tem cumprido vários compromissos e aguardo que ele libere cirurgias eletivas, pois nos informaram de ter mais de R$20 milhões na conta do Estado para toda a região em hospitais credenciados. Aguardo ansiosamente o empenho dele para acabar com a fila que é grande.


FM – No início da pandemia, São José da Barra foi até certo ponto criticado por tomar atitudes rigorosas, como as barreiras sanitárias. Com este aumento dos casos, como está a situação no município.

Serginho – Nós entendemos que tomamos a atitude correta no início, nós temos a conscientização e compreensão da população. Nesta sexta-feira, 15, o município tem 5 casos, sendo 1 deles hospitalizado, e, anteontem eram sete, está diminuindo. Desde o início da pandemia contabilizamos uma morte. Nossa equipe está nas ruas, estamos cumprindo os decretos baseados no Minas Consciente e vamos seguir as determinações para deixar os essenciais em funcionamento. Aproveito para pedir que a população continue se preservando com todas as orientações. Que as famílias não aglomerem.


FM – Quando não está envolvido com sua empresa e agora com a prefeitura, o que gosta de fazer?

Serginho – É trabalho e é lazer, o que gosto de fazer. Religiosamente acordo 5h30 todos os dias, de segunda a domingo, vou para o Sítio Boa Vista, que minha família mantém, em São José da Barra, tiro leite de umas duas vaquinhas que temos lá, faço o trato dos animais (porcos e galinhas) e cuido do que for necessário. Este é o meu hobby. Só depois de cumprir esta tarefa é que vou começar os trabalhos na Barra. E, nos finais de semana, quando temos um tempinho, gosto de conhecer os lugares maravilhosos que nossa região tem. Cachoeiras, o próprio Lago de Furnas, andar de lancha, quando possível, sempre com a família. E, gosto muito de jogar bola, já nos grupos de veteranos da Barra.