Destaques Geral

Prefeitos pedem ajuda à ALMG para cobrar dívida do governo estadual

17 de abril de 2021

Prefeito de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, Daniel Sucupira (PT). / Foto: Divulgação

BELO HORIZONTE – Prefeitos das principais cidades de Minas reivindicam que governo estadual pague pelo menos metade da dívida que tem com os municípios para que ações de enfrentamento à pandemia não sejam prejudicadas. A iniciativa, denominada “Movimento 100+”, reúne as prefeituras com sede macro em saúde e com mais de 100 mil habitantes em Minas Gerais, como Belo Horizonte, Contagem, Juiz de Fora, Ubá, Ipatinga e Passos, entre outras cidades. Os municípios que fazem parte do movimento representam cerca de 45% da população do Estado.

Os prefeitos se reuniram nesta sexta-feira, 16, com deputados estaduais e com o procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais, Jarbas Soares. A principal reivindicação é que o governo Zema pague pelo menos metade da dívida com os municípios na área da saúde. O débito total chegaria a mais de R$ 3 bilhões.

Os prefeitos do movimento também cobram do Estado ações mais efetivas para garantir o kit intubação e outros insumos hospitalares. Há ainda queixas em relação à falta de diálogo do governo estadual com as prefeituras, ponto em que o prefeito de Teófilo Otoni, Daniel Sucupira, pediu intermediação dos parlamentares.

A melhor forma que a Assembleia pode nos ajudar é buscando o diálogo com o governo estadual. A proposta do Movimento 100+ é suprapartidária, é buscar o diálogo, a conversa. A realidade de Minas Gerais hoje é que não percebemos e não temos canais de conversa, de um diálogo claro na condução da pandemia”, disse o prefeito de Teófilo Otoni.

Ele também destacou que quem aprova o orçamento do Executivo é o Legislativo estadual, ou seja, indicou que os deputados podem remanejar recursos do Executivo para que a dívida seja quitada. Questionado sobre se a verba poderia vir do acordo com a Vale, Daniel Sucupira acenou positivamente, mas disse que as opções ainda estão sendo discutidas.

Essa dívida não é do governador Romeu Zema, não é do governador Fernando Pimentel, não é do ex-governador Anastasia, essa dívida é do Estado de Minas Gerais. E o Estado deve assumir essa responsabilidade de cobrir essa medida e fazer o pagamento para que os municípios tenham condição de nesse momento tão difícil continuar trabalhando em prol do povo nesta pandemia que assolou a vida de todos nós”, acrescentou.

Ele relatou que a verba enviada pelo governo federal no início da pandemia acabou e que as prefeituras estão tendo que usar recursos próprios no custeio das ações de enfrentamento à pandemia, mas que o dinheiro também está
perto do fim. Daniel Sucupira também afirmou que há um desabastecimento de insumos hospitalares nas cidades que integram o Movimento 100+, que por serem referências em suas regiões, acabam recebendo pacientes de outras cidades.

É necessário que o repasse desses insumos seja feito de forma urgente. Já tem pessoas morrendo em Minas Gerais por não terem os insumos, já tem pacientes entubados que estão acordando com uma situação de saúde realmente preocupante”, declarou.

Outro ponto cobrado pelo movimento é o recebimento de mais vacinas, que têm chegado à conta-gotas nos municípios mineiros, na avaliação do prefeito de Teófilo Otoni. Sucupira criticou a decisão de Zema de enviar mais vacinas para as cidades que estiverem vacinando mais rápido seus cidadãos.

Nós não estamos aqui pra fazer leilão na cidade que vacina mais ou que vacina menos ou receber quantidade de vacina por conta disso. O que nós precisamos é que as vacinas cheguem em quantidade e com a celeridade que nós precisamos para imunizar o povo mineiro”, declarou.