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Preços dos carros novos disparam no Brasil e reajustes chegam até 22% em 12 meses

18 de fevereiro de 2021

Preços dos carros novos subiram além do esperado nos últimos 12 meses, o VW T-Cross já está R$ 14 mil mais caro do que há um ano. / Foto: Divulgação

Os preços dos carros novos dispararam no Brasil. Em 12 meses, 26 dos modelos mais vendidos tiveram as tabelas reajustadas em 17,12%, em média. A alta é bem maior que a inflação de 2020, que foi de 4,52%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Dos hatches, o Gol, da Volkswagen, por exemplo, ficou 19,5% (R$ 9.170) mais caro em um ano. O novo Chevrolet Onix, carro mais vendido do País, encareceu 22,94% (R$ 11.400). Para comparação, o IPCA do carro novo em 2020 foi de 4,03% e o do usado, de 2,8%.

O levantamento foi feito pela Kelley Blue Book (KBB), multinacional do setor de avaliação de veículos, em parceria com o Jornal do Carro. Comparamos os preços sugeridos pelas fabricantes em meados de fevereiro de 2020 com as tabelas do mesmo período de 2021. Os preços utilizados são os das versões de entrada, as mais simples, dos respectivos modelos.

Segundo as fabricantes de veículos, a alta resulta, portanto, da desvalorização do real e do aumento dos preços de matérias primas e outros insumos no mercado internacional. Da mesma forma, as montadoras também se queixam dos altos impostos e da burocracia no País.

No caso do Onix, a versão de entrada da nova geração custava a partir de R$ 49.690 em fevereiro de 2020. Agora, o mesmo modelo, com motor 1.0 e câmbio manual, tem tabela a partir de R$ 61.090. Já o Volkswagen Gol 1.0, também com câmbio manual, cuja tabela começava em R$ 47.020 em fevereiro de 2020, atualmente está à venda por R$ 56.190. Até mesmo o Ford Ka, que deixou de ser produzido no Brasil, teve o preço reajustado acima da inflação – confira as altas dos 26 modelos na tabela abaixo.


SUVs e sedãs

Assim como os hatches, em todos os demais segmentos os veículos vendidos no Brasil ficaram (bem) mais caros. Dos sedãs, o Onix Plus, que está no topo do ranking de vendas, ficou 18,38% (R$ 10.330) mais caro em um ano. Ao mesmo tempo, a versão sedã do Yaris que a Toyota produz em Sorocaba (SP), teve o preço reajustado em 17,08%. Com a alta de R$ 11.700, a tabela passou de R$ 68.490, em fevereiro de 2020, para R$ 80.190 atualmente.

A tabela do Volkswagen Virtus (com 14,58%) também subiu muito além da inflação. No caso da versão 1.6 MSI com câmbio manual, o aumento foi de R$ 9.975. Ou seja, o preço sugerido subiu de R$ 68.415 para R$ 78.390. Entre os SUVs compactos, o líder de vendas é o T-Cross. E foi justamente o Volkswagen que mais encareceu em 12 meses. A alta da versão de entrada no período foi de 16,5%. Ou seja, a tabela saltou de R$ 84.990, há um ano, para R$ 99.070 agora. Dessa forma, está R$ 14.080 mais alta.

Já o Honda H-RV teve o preço da versão de entrada reajustado em 13% no mesmo período. Dessa maneira, agora o carro parte de R$ 105.100. Nem mesmo os lançamentos mais recentes escaparam da agressiva inflação do automóvel. A nova geração do Chevrolet Tracker, por exemplo, estreou no Brasil em março de 2020 com tabela a partir de R$ 82.000. Contudo, após 12 meses o mesmo SUV compacto custa a partir de R$ 92.850. E assim, em menos de um ano, o modelo feito em São Caetano do Sul (SP) ficou 13,23% mais caro.