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Preço da carne faz consumidor procurar opções mais em conta

Por Mayara de Carvalho / Redação

17 de fevereiro de 2021

Quem comprava só carne de vaca para churrasco agora compra carne de porco, asinha de frango. / Foto: Divulgação

PASSOS – O preço da arroba do boi registrou mais uma alta, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) unidade da Universidade de São Paulo (USP). O levantamento mostra o preço da arroba (15kg) nesta terça-feira, 16, a R$303, 1,05% mais alto em relação ao mesmo período de janeiro e 53% maior que o valor registrado em 17 de fevereiro de 2020 (R$197,69).

O comerciante Pedro Altino Cardoso fez a opção pelo corte de alcatra, a R$48,99 o quilo.

Não me lembro de ter comprado alcatra nesse preço em outra época. Essa subida começou em novembro do ano passado. Acredito que seja por causa da covid-19”, disse.

Segundo ele, a alcatra por ser carro-chefe na venda dos espetinhos que produz.

Inclusive, o espeto custava R$6 a unidade. Com o aumento no açougue, precisei vendê-lo por R$9 e, mesmo assim, não ganho nada na produção. Meu lucro vem dos espetos de queijo e quiabo. É só fazer as contas que vai perceber que um espeto com 200 gramas de alcatra, que custa quase R%50 o quilo, não me deixa com margem de lucro algum”, afirma.

O açougueiro Thiago Souza Araújo reconhece que o preço da carne bovina subiu muito, de uns tempos para cá. Segundo ele, o cliente tem optado por outras carnes para tentar driblar a alta.

Quem comprava só boi para churrasco agora compra carne de porco, asinha de frango, outras opções mais em conta. Há pouco tempo, uma carne de boi, de segunda, custava R$21 o quilo. Agora já está em R$33. Até as carnes assadas estão saindo menos”, contou Araújo.

Segundo ele, a venda de frango assado nos fins de semana tem aumentado. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos, Darlan Esper kallas, disse que a alta é tem sido ocasionada por város fatores.

Estamos na entressafra e naturalmente a demanda é maior que a oferta nesse momento. Outro fato é a escassez do bezerro para reposição”, afirma.

Segundo ele, em 2019, devido à desvalorização no preço do leite, muitas matrizes foram vendidas para corte.

E a cadeia foi toda afetada. Além disso, tem a procura do mercado externo. O mundo está exigindo mais carne vermelha. Consequentemente, ficamos desabastecidos”, contou.

A soja, o milho, o sal mineralizado e o proteinado estão mais caros, bem como os medicamentos. Insumos subiram muito, quase 100%. E como se não bastasse, o salário-mínimo mantém-se o mesmo. Nessa história toda, o poder de compra do consumidor acaba sendo afetado”, contou. Para o presidente do sindicato, o que faz o mercado se movimentar é a expectativa.

A média de lucro do pecuarista está em cerca de 20% ao ano. O ser humano vive de expectativa de melhoras. Então compramos um boi hoje por R$3 mil esperando que o animal, dentro de 18 meses, venha a valer, pelo menos, R$6 mil”, afirma.