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Por causa da pandemia, renda de músicos passenses chega a zerar

Por Talita Souza / Especial

16 de julho de 2021

Alguns artistas que vivem exclusivamente da música perderam 100% de sua renda durante a pandemia. / Foto: Divulgação

PASSOS – Devido à pandemia do novo coronavírus, os músicos passenses tiveram que se reinventar e procurar outros meios de renda. Segundo o presidente da Associação de Músicos e Projetos Artísticos (Ampa), de Passos, Renato Flor da Silva, a renda de muitos músicos do município chegou a zero após as restrições no funcionamento de bares e de eventos.

Para Silva, pelo menos, 80% dos músicos do município ficaram sem trabalho e renda.

Acredito que esse percentual seja maior, porque o número de serviços é bem menor. Aqui, o músico atua quase que só tocando. Então, acredito que o percentual seja maior devido a não ter mais opções de trabalho. Eu sou músico e tenho outro meio de atividade. Então, eu perdi parte da minha renda que é relativa à música, mas não perdi o total da renda. Porque o meu meio de trabalho, apesar de ter caído na pandemia, ele continuou. Então, eu não perdi total. Para muitos, que são exclusivamente músicos, perderam 100% [da renda]. E uma parcela que depende dos dois, tiveram uma redução de ganhos”, disse o presidente.

Segundo ele, as expectativas do setor para o segundo semestre de 2021 ainda são baixas, devido às restrições que os bares e lanchonetes estão seguindo devido à pandemia.

Talvez, mais para o final de ano, mas aí não afetaria a totalidade dos músicos. Muitos dos eventos, onde o pessoal toca, por exemplo, são casamentos, festas de confraternização já pré-agendadas. Então, o pessoal conseguir refazer uma nova agenda vai ser complicado”.

De acordo com Renato, uma das dificuldades que o setor artístico mais tem enfrentado durante o período é a falta de compreensão por parte do público.

A gente viu que, nesses momentos de crises, os músicos foram tratados durante essa pandemia quase que como um disseminador da covid. O artista está ali não só porque ele gosta da arte, mas, porque ele precisa, porque é o que ele sabe fazer, ele faz bem e faz como se fosse um trabalho normal, um trabalhador. Ele produz o seu produto, que é a arte, e comercializa ela. A arte e o artista estão sendo tratados de uma forma bem desumana”, afirma.


Parte dos músicos teve que migrar para o mercado formal de trabalho

De acordo com músico passense Saulo Machado, membro da Ampa, alguns dos artistas do município tiveram que entrar para o mercado de trabalho formal durante a pandemia.

Alguns, passando por muita dificuldade, sendo ajudados pela família, com cestas básicas de amigos e, até mesmo, da Secretaria de Cultura. Outros, conseguiram outras formas de trabalho e não sabemos se voltarão a exercer suas atividades como músico ou artista [no período] pós-pandemia, pois, no momento, encontram-se no mercado de trabalho formal e, até mesmo, já venderam seus instrumentos e não terão como exercer sua profissão de músico”, afirmou.

Ainda de acordo com Machado, apesar de o setor musical ter sido afetado diretamente pela pandemia, as expectativas para o futuro são positivas.

Fomos afetados [de forma] direta e indiretamente pelo vírus, passamos por momentos difíceis e turbulentos, mas estamos crentes que em um futuro bem próximo poderemos retomar nossas atividades e conseguir levar o sustento de forma justa e honesta para dentro de nossas casas”, disse o músico.