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Polícia Civil apura ‘desmonte’ na Casmil

Por Ézio Santos / Especial

29 de janeiro de 2021

A “usina de leite” da Casmil, inaugurada em 1994, tinha capacidade de processamento de 300 mil litros/dia. / Foto: Divulgação

PASSOS – O delegado Felipe de Souza Capute, responsável pela operação ‘Consilium Fraudis’ desencadeada dia 15 de outubro de 2020 contra Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro Ltda., a Casmil, e coordenador da Agência de Inteligência Policial Civil (AIP) de Passos, agendou para a manhã desta sexta-feira, dia 29, encontro com um cooperado, não identificado, que solicitou providências quanto à retirada de maquinários da extinta fábrica de produtos lácteos.


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Vou ouvi-lo, ver fotos, vídeos e documentos que ele afirmou ter em mãos. Depois vou estudar a possibilidade de instaurar procedimento preliminar de investigação”, revelou.

Desde a semana passada, estão sendo retirados da antiga fábrica, na Rua Coronel João de Barros, os equipamentos utilizados no processamento do leite, fabricação de queijos e outros que foram implantados no início da década de 1990 e era denominada “nova usina de leite”, com capacidade de captação e processamento de 300 mil litros de leite por dia.

A empresa não se pronuncia sobre o procedimento. Ontem, a Folha conseguiu do advogado Alexandre Augusto Silva Faria, da Santiago & Faria Sociedade de Advogados, a informação de que o processo de retirada e venda de equipamentos do setor é uma decisão totalmente administrativa e estratégica, não sabendo informar o destino dos aparelhos e outros detalhes. Ele apenas comentou que se faz necessário a retirada até mesmo para evitar que equipamentos se deteriorem. Segundo ele, a fábrica de ração continua operando normalmente e comercializando seus produtos por atacado e junto aos produtores rurais.

O escritório responde pelo Departamento Jurídico da Cooperativa, responsável por defender os interesses da empresa em relação aos processos judiciais e assessoria nos contratos em geral. A pandemia causada pelo novo coronavírus desde março de 2020 é considerada a principal causa da crise financeira da Casmil, declarou o advogado, ao contar que os créditos perante o setor bancário e fundos de investimentos desapareceram. Ele lamentou ainda que as vendas dos produtos derivados do leite, comercializados na região e no Estado de São Paulo, foram travadas, resultando em acentuada queda na receita da empresa.

O advogado revelou também que todas as demandas judiciais envolvendo a Casmil ao longo dos últimos anos estão sendo analisadas.

É um processo longo que necessita de um estudo aprofundado, como, por exemplo, a motivação e validade, baseadas em leis. Sobre as ações trabalhistas, caem na mesma situação. Existe a defesa, e com as sentenças, dependendo da necessidade, recorremos para a instância judicial superior”, frisou.

Alexandre disse que não tem conhecimento do valor estimado da dívida da cooperativa porque é uma questão administrativa.

“Nosso trabalho é defender a empresa em relação aos processos judiciais, mas posso adiantar que ela está ativa, não há nenhuma intenção de lesar seja qual for a pessoa física ou jurídica, bem como instituições públicas ou privadas. Em seu nome estão 100% de seus bens imóveis, inclusive parte de uma área de aproximadamente 22 mil metros quadrados, em São Paulo, capital, que foi negociada, mas os investidores não cumpriram o que rezava no acordo judicial, já denunciado, restando à Casmil o recebimento da multa e os bens localizados na capital paulistana que já possuem averbação da existência das reclamações trabalhista em trâmite em Passos, ou seja, ninguém ficará sem receber eventuais créditos laborais. O valor comercial do patrimônio na referida capital é bem superior ao total das dívidas que temos conhecimento, considerando as ações movidas por pessoas físicas e jurídicas contra a Casmil”, afirmou.


Ex-conselheiro pede ação do Sinrural

PASSOS – Para o ex-conselheiro fiscal da cooperativa ex-presidente do Sindicato Rural de Passos, Émerson José Cardoso de Carvalho, de 89 anos, é lamentável a situação da empresa.

Desde a sua fundação, fui cooperado. No início do ano passado, depois de observar que as coisas não estavam indo nada bem, passei a vender o leite para outra indústria de laticínios. É muito triste ver a atual administração acabar com tudo”, disse.

Emerson lembrou das grandes conquistas da Casmil em mais de 70 anos: “Mas de uns tempos para cá, só problemas. São dívidas, umas atrás das outras. Acho que já passou da hora do Sindicato Rural de Passos, órgão defensor da classe ruralista, tomar medidas esclarecedoras sobre o que há de errado lá dentro. Ninguém sabe a verdade”, disparou.


Promotor

O titular da 4ª Promotoria de Passos, o promotor Márcio Kakumoto, revelou ao jornalista Carlos Alberto Alves estar de posse do Inquérito Policial que apura sobre a investigação junto aos diretores da Casmil por desmandos cometidos dentro da cooperativa, mas os trabalhos ainda não foram concluídos. Mas sobre o desmanche da extinta fábrica de produtos lácteos, e do silo para armazenamento de produtos agrícolas, o magistrado afirmou oficialmente que o Ministério Público (MP) não foi comunicado.

A cooperativa é uma pessoa jurídica de direito privado, ou seja, ela é uma empresa privada, de forma que o Ministério Público não tem mecanismos de gerência ou de opinar melhor sobre a administração da Casmil. O que nós podemos trabalhar é na notícia de prática de crimes, prática de alguns desmandos no que é pertinente aos bens da cooperativa. Sobre ato de disposição de bens de forma dolosa para frustrar o pagamento de eventuais credores, isso pode configurar conduta de fraudes à execução e contra devedores, mas depende de uma apuração e até o momento o Ministério Público não recebeu nenhuma notícia nesse sentido”, afirmou Kakumoto.


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