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Plantio de palmeiras em avenidas gera reações em Passos

Por Mayara de Carvalho / Redação

6 de fevereiro de 2021

Palmeiras plantadas pela Prefeitura de passos nas Avenidas Sábia e José Caetano de Andrade têm chamado a atenção de quem passa pelo local. / Foto: Divulgação

PASSOS – Cerca de 60 palmeiras plantadas pela Prefeitura de Passos ao longo das Avenidas Sábia e José Caetano de Andrade têm chamado a atenção de quem passa pelo local.


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Segundo a prefeitura, o plantio faz parte de um projeto-piloto que tem por objetivo tornar as vias mais bonitas, com planejamento e organização técnica para maior aproveitamento de grandes espaços de uso coletivo. No entanto, a escolha pela plantação de palmeiras causou estranheza para pessoas que passam pelas vias.

A bióloga Érica Almeida caminha todas às manhãs pela Avenida Sabiá e disse que ficou surpresa ao perceber a novidade nas calçadas.

O que vemos ali é o impedimento de ir e vir em uma via que é muito usada para caminhadas matinais ou no fim da tarde, visto que o local é bem quente e sem árvores para refrescar os passeios em outros horários do dia. Temos a parte de baixo, que é uma ciclofaixa, e fica bem complicado passar pela calçada agora. Ainda tem o fato de ser um canal, onde, com toda certeza, a área de rolamento foi muito bem compactada. Acredito que essa planta vai morrer”, disse Érica. Segundo ela, palmeiras não são utilizadas para arborização urbana e sim em paisagismo.

Palmeiras, tecnicamente, não são árvores e, na verdade, são usadas para embelezamento de áreas já verdes. Essa escolha é uma loucura! Palmeiras são muito sensíveis. Tem que ter uma cova muito boa, assim como o transplante tem que ser muito bem feito e, também, a aclimatação. O solo tem que ser fértil”, disse a bióloga. Segundo Érica, existe também a questão do código de postura do município, que determina sobre o espaçamento mínimo entre o meio-fio e o plantio de árvores para garantir a circulação de pessoas.

O engenheiro florestal da Secretaria de Meio Ambiente de Passos Geraldo Donizete Pereira, idealizador do projeto-piloto, afirma que, entre os motivos para a escolha, está o fato de que as palmeiras estavam em um viveiro do município.

Primeiro por ela ser uma planta de pequeno porte. São as mesmas que temos na Avenida Comendador Francisco Avelino Maia. Quisemos fazer a plantação pois o córrego está muito feio, não tem vida. No entanto, após o plantio, percebemos que a população tem se manifestado. Nossa ideia veio para melhorar, se não der certo, vamos parar”, disse. Segundo ele, há mais de mil palmeiras no viveiro. “Passamos elas para o solo e, em seguida, fizemos o transplante para as calçadas”, explicou.

Segundo Pereira, a calçada rente ao córrego não foi feita para passagem de pedestre. “Ali é apenas um meio-fio para que haja um distanciamento entre a pista e o corrimão. É perigoso. Quem quer caminhar pelas avenidas deve usar as calçadas laterais”, disse.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente, Gilson de Oliveira Wenceslau, afirma que a administração possui projetos de urbanização e que mil plantas já foram licitadas.

Temos projetos de arborização. Tivemos o Corredor Verde, com a Uemg, q qual já foi concluído. Também tivemos o projeto Passos Mais Verde e estamos elaborando um projeto de urbanização para Passos com mil mudas que já foram licitadas. Todos esses temas estão sendo pensados, tratados e discutidos. Vamos levantar demandas e executar de forma planejada dentro do que for possível”, disse. Segundo ele, a intenção é envolver a comunidade e buscar parcerias para executar os projetos.

Segundo o diretor, o objetivo com o plantio nas avenidas não foi gerar sombra.

Fizemos a plantação para dar vida ao local. Isso é paisagismo. Essas vias são de trânsito rápido de veículos. Temos um plano de colocarmos 10 mil árvores em Passos. A maior parte é de Oiti. Demos uma volta na cidade e a demanda é grande. A cidade toda precisa do incremento da arborização urbana. Contudo, nem todo município está preparado para receber a arborização. Tem locais com redes de energia colocadas ao contrário. Também temos situações onde as calçadas são muito estreitas, mas estamos tentando”, disse.