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Piumhi faz plano de contingência para trabalhadores na safra de café

28 de abril de 2020

Foto: Divulgação

PIUMHI – A Prefeitura de Piumhi vai exigir que trabalhadores rurais de outras cidades façam triagem em Unidades Básicas de Saúde para poder atuar na safra de café em lavouras do município e também que cafeicultores assinem termo de responsabilidade para a contratação. O objetivo, segundo a administração, é evitar possível contágio do novo coronavírus.

Em pronunciamento nesta sexta-feira, 24, o secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente de Piumhi, Martiniano Fagundes, apresentou um plano de contingência para receber os trabalhadores para safra de café. “Sugerimos que não venham pessoas do grupo de risco, acima de 60 anos e com algum problema de saúde desses que estão colocados como relacionados à Covid-19”, disse o Secretário.
De acordo com ele, o plano visa exigir que esses trabalhadores façam uma triagem na Unidade Básica de Saúde de sua cidade antes de realizar a viagem. Os proprietários das fazendas que contratam essa mão de obra terão que assinar um termo de responsabilidade pelos contratados. Segundo Fagundes, o objetivo é que a administração, em especial o PSF Rural junto à saúde do município, tenha acesso a cada nome, a cada documento dessas pessoas que vão chegar para atuar na safra a fim de que seja feita uma triagem em Piumhi também. Assim, o safrista passará por uma triagem antes e depois de chegar a Piumhi.

Quarentena

O secretário destacou, também, que os trabalhadores terão que fazer uma quarentena de 15 dias na fazenda, sem poder ir até a cidade, depois que chegarem ao município. “Todas as pessoas que vierem desses municípios, passem por uma quarentena de 15 dias na fazenda. Nesses 15 dias que tiverem aqui, eles não venham na cidade e, qualquer problema de saúde que eles tiverem nesse momento, durante esse período, que seja contatada a Secretaria de Saúde”, disse ele. Com essa atitude, é possível prevenir que os trabalhadores assintomáticos transmitam o vírus para a cidade, sem ter consciência disso. A espera de 15 dias é o período estimado de incubação do vírus.

Capetinga espera colher 194 mil sacas de café este ano

CAPETINGA – De acordo com João Paulo Aguiar, extensionista da Emater em Capetinga, para este ano, a expectativa de colheita de café no município é de 194 mil sacas. Com uma área total de seis mil hectares plantados, 86,66% estão em produção.

“Caso comparado ao nosso histórico, este é um ano de safra alta e muito positivo. A boa expectativa provem do investimento feito pelos produtores, da ampliação de área plantada nos últimos anos e das boas condições climáticas que tivemos no último ano agrícola”, considerou Aguiar.

Mesmo com o bom prognóstico, o extensionista ainda disse que, em razão da pandemia de covid-19, é possível que as dimensões das produções sejam afetadas, por este motivo, a reunião de orientações foi fundamental, pois visou harmonizar as necessidades econômicas com as de saúde.

“É possível que a pandemia impacte negativamente a colheita, porém, não temos como mensurar. Tudo vai depender da evolução da doença e das medidas restritivas do governo e do município. A grande questão da reunião foi levar informação, justamente para que todos estejam cientes dos riscos que a pandemia representa e, com isso, possam seguir ações que mantenham as atividades em controle”, completou.

Capetinga possui a área de cafeicultura em regiões montanhosas. A partir da segunda semana de maio, a colheita é realizada nas áreas mais baixas, até que, em junho, inicia-se a colheita em ritmo mais acelerado nas áreas altas, que inclusive, possuem maior concentração de plantio. Deste modo, segundo João Paulo Aguiar, a diferença de altitude pode ser extremamente benéfica, uma vez que proporciona uma colheita mais tardia em comparação as outras cidades.

“Dois terços da área plantada estão localizados nas maiores altitudes do município, gerando uma colheita mais tardia. Em Capetinga, grande parte da produção oferece condições de ser mecanizada, então, para atingir uma maior porcentagem de grão maduros e secos com a máquina, a colheita é feita mais tarde. Graças a essas diferenças geográficas, acho que não teremos um grande impacto aqui no município, uma vez que já temos uma característica de colheita gradual, que se intensifica somente a partir de junho”.

Neste momento de abril, o município se encontra na fase de trabalho de manutenção de maquinas, planejamento de colheita, monitoração de maturação e limpeza de terreiros de café, desta maneira, Aguiar reforçou a importância da contratação de residentes de Capetinga.

“Os produtores não têm muitas dificuldades nessa fase, que demanda pouca mão de obra. A quantidade necessária pode ser atendida perfeitamente por quem já vive no município. Minha sugestão, neste momento de crise e desemprego nacional, é que Capetinga aproveite a mão de obra local, existem pessoas desempregadas que podem trabalhar na colheita, mesmo sendo um trabalho temporário, ele oferece uma boa remuneração. A medida atende às oportunidades de trabalho e, ao mesmo tempo, evita o contágio pelo novo vírus”, finalizou.