Destaques Dia a Dia

Pelos Trilhos da História – Parte 1

POR SEBASTIÃO WENCESLAU BORGES

27 de janeiro de 2021

Viajar nesse trem antigo, só é bom se você souber viver o seu presente, e o passado fica apenas nas boas recordações! Estradas de ferro, o trem, seu sacolejo, seu apito adentrado a cidade, obedecendo as diversas placas de uma travessia da linha de ferro com as vias da cidade, sua fornalha soltando fumaça pelas narinas, o tac-tac do telegrafista enviando mensagem de sua saída e chegada nas saudosas estações das cidades de nossa região.

O trem de ferro foi um símbolo que deixamos para trás. Pesquisando sobre o trem de ferro que circulou por várias décadas em nossa região, e datas de inauguração das estações do ramal que iniciava na cidade de Guaxupé e terminava em nossa cidade de Passos, fiz um texto dividido em três partes.

Em meio a lembranças de minha infância e juventude, fazendo viagem em locomotivas no início chamadas de “Maria Fumaça”, pela imaginação fiz uma volta ao passado: Fiz de conta que estava vivendo a época das inaugurações das estradas de ferro em nossa região, quando tudo começou com o ramal da cidade de Guaxupé, o primeiro em nossa região.

E assim embarquei numa viagem imaginária de Maria Fumaça, de Guaxupé, passando por várias já saudosas estações com as datas de suas inaugurações, até chegar ao dia da inauguração e da chegada pela primeira vez daquela máquina, até então desconhecida pela população, os acontecimentos que antecederam a sua chegada em nossa cidade de Passos, cultivada na memória de um menino, ouvidos de quem viveu naquela época.

“Guaxupé”

Na estação de Guaxupé, inaugurada em 15/05/1904, e desativada o tráfego de passageiros em 1977, lá estava eu, embarcando para fazer minha inesquecível viagem imaginária de trem de ferro que passará, em três textos, por várias estações, até chegar ao meu destino que é a inauguração do ramal da cidade de Passos.

Chegando a hora do embarque, o guarda dá seu apito forte, e todos tomam seus lugares nos vagões. Dado o sinal de OK do maquinista, o guarda por três vezes faz seu apito se ouvir, e o trem começa lentamente a se locomover, e o povo feliz, vai seguindo viagem.

Havia o pessoal que viajava nos vagões da primeira classe, com algumas mordomias. Seus bancos eram estofados, que serviam para dormir, e ainda havia um bar onde seus passageiros passavam horas tomando cervejas, conservadas frias dentro de grandes caixotes com serragem e gelo, além de vários tipos de refeições.

E o trem levava também o pessoal de renda baixa em seu vagão de segunda classe, com seus bancos de madeira, podendo sentar duas pessoas que tinham opção de ficar de frente ou de costas, visto que o encosto era removível, e era nesse vagão de segunda classe, por ser mais barato os “bilhetes” e o pessoal ser mais divertido, onde sempre tinha ali um gaiteiro puxando o fole acompanhado de um pandeiro e um violão. Foi nesse vagão que eu embarquei nessa minha viagem. No final de cada vagão, havia um banheiro pequeno. E o trem seguia viagem chegando todo serelepe, apitando e exibindo seus vagões até na estação seguinte.

“Guaranésia”

Inaugurada em 23/06/1912. Hoje, com as linhas férreas desativadas, o complexo da estação ferroviária é um bem tombado pela Prefeitura por sua importância para a cidade. E o trem depois de uma parada, passageiros descendo, e outros entrando, parte seguindo viagem, e vai levando o pessoal, vendo gado no pasto, ranchos dentro de mata, vários tipos de lavoura, até a pequena estação do vilarejo de “Catíto” inaugurada em 01/09/1912.

E nessas pequenas estações, ver a chegada do trem e o desembarque dos passageiros era o divertimento da maioria da população. E o trem segue viagem, com os passageiros vendo as belezas naturais, com destino a outra parada no pequeno vilarejo de “Itiguassu” com sua pequena estação inaugurada em 01/11/1912.

E no desembarque, passageiros saíam com sacos, cestas, malotes e velhas malas cheias. E o trem depois de uma rápida parada segue viagem com os passageiros vendo fazendas, bois, boiadas… E aquela grande máquina de ferro com seus vagões iam serpenteando entre lavouras, morros e matas até chegar à estação da cidade de: aguardem!
Até quarta-feira com a segunda parte desta gostosa viagem imaginária de trem! É o tempo passando e a gente “Memoriando”!