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Passos tem 96 moradores de rua e acampamento em praças

Por Mayara de Carvalho/ Redação

19 de fevereiro de 2021

Foto: Mayara de Carvalho

PASSOS – A Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda de Passos continua sem conseguir resolver o problema de pessoas em situação de rua no município. A pasta tentou, em junho do ano passado, levá-los para o ginásio Elzo Calixto Mattar, mas não teve sucesso.


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Barracas improvisadas continuam sendo montadas na praça Geraldo da Silva Maia (Rosário). De acordo com informações do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), 96 pessoas vivem nas ruas em Passos. O aposentado Antônio Custódio de Lima, afirma ter ficado desconsolado ao passar pela praça e ver as barracas.

Foto: Mayara de Carvalho

A pessoa não tem lugar para ficar né? Parece que a prefeitura tinha organizado para que eles ficassem lá em baixo, no ginásio. Agora estão aqui. Devem ser de fora. É uma situação ruim e muito sofrida”, disse.

O morador de rua Alessandro Pereira da Silva, 38 anos, nascido em Areado, está em Passos há 21 anos.

Cheguei de carona. Trouxe uma bolsa. Não tenho parentes nem ninguém para ajudar. Nesses 21 anos fui e voltei várias vezes. Voltei pois, aqui, se souber viver é bom. Tem que saber viver”, disse.

Silva está afastado do trabalho pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas afiram que não recebe o benefício há alguns meses.

E a assistência social esqueceu de mim. Tenho depressão e sou bipolar. Para mim, nada está bom. De dia, fico pelas ruas, à noite, durmo na rodoviária e vou me virando com doações para me alimentar”, afirma.

Segundo ele, dormir no ginásio da Barrinha não é algo que está em seus planos.

Aquele ginásio não é bom. Eu não roubo, não uso drogas. Se for para ficar lá junto com ladrões, prefiro ficar sozinho. É um local perigoso. Pessoas levam facadas e são roubadas no local”, disse.

Segundo o morador de rua, o jeito é ter paciência e esperar que tudo melhore. “Queria arrumar um cômodo. Queria ter família comigo para companhia”, disse. Marco Antônio dos Reis, também está em situação de rua e afirma que sofre preconceito.

Sou de Passos. Vivo assim há cerca de cinco anos. Foi depois que me separei. Tentei seguir a vida, mas sem apoio ficou tudo muito difícil. Temos o Centro Pop que nos dá comida. Podemos tomar café, almoçar e tomar banho, isso é muito bom. Contudo, somos muito humilhados. Hoje mesmo um segurança que estava no local me tratou como um cachorro. Acredito que seja por causa da minha cor. Negrinho pobre é um dos nomes que me chamaram e chorei muito”, disse.

De acordo com Reis, a prefeitura deveria resolver a questão do Aluguel Social. “Estamos esperando, mas é só conversa”, afirma. “Estou pelejando tem um tempão. Tenho 28 anos, parei os estudos na 7ª série. Já pensei em voltar a estudar, mas é muita complicado. Tenho experiência com serviços gerais e acabador de móveis”, disse. A Folha entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da prefeitura, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

Barracas improvisadas continuam sendo montadas na praça Geraldo da Silva Maia (Rosário). / Foto: Mayara de Carvalho


Poços dá atendimento e evita esmolas

PASSOS – A maior cidade do Sul de Minas, Poços de Caldas, tem um dos menores índices de pedintes nas ruas, normalmente cheias de visitantes atraídos pelos seus pontos turísticos. E isso se deve, em grande parte, à ação da Secretaria Municipal de Promoção Social, que há anos adotou o programa “Não Dê Esmolas! Poços Oferece Atendimento”.

Através de campanhas permanentes, os cidadãos são alertados para esse problema. E o primeiro passo, ao se deparar com o pedinte, o cidadão ou visitante pode acionar o telefone 156, e solicitar o atendimento – que oferece oportunidade para o pedinte se reintegrar à sociedade. A campanha alerta que a esmola, ao contrário, é que financia a permanência do pedinte nas ruas e a acomodação permite que ele use a mendicância como profissão, além de financiar o consumo de álcool e drogas.

Acionados pelo 156, os servidores municipais promovem a abordagem às pessoas em situação de rua e promovem o resgate durante 24 horas por dia. Eles são encaminhados ao Centro POP, que garante os direitos básicos das pessoas em situação de rua (alimentação, higiene, guarda de pertences, oficinas etc).

Também é oferecido a cada um dos abordados o acompanhamento por psicólogos e assistentes sociais, para entendimento das necessidades e dos motivos que os levaram a viver na rua. A última etapa do processo é o encaminhamento, que pode ser feito para os abrigos, casa de passagem, albergues, incubadora social, CAPs, CAPs AD, consultório na rua ou, em caso de migrantes, o redirecionamento à cidade de origem.