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Passos poderá ter desabastecimento de gás de cozinha

14 de abril de 2020

Em Passos, o preço do gás está variando de 75 a 79 reais, com o novo reajuste esse valor deve variar entre 78 a 81 reais. / Foto: Divulgação

PASSOS – A exemplo de vários municípios do país, principalmente os localizados longe das refinarias de petróleo, Passos já começa a ser prejudicada com a escassez do botijão de 13 quilos do gás de cozinha (GLP) em razão da pouca produção nas refinarias da Petrobras e a alta procura do produto por parte dos consumidores varejistas. A situação ainda não é crítica, mas segundo os donos e funcionários de cinco revendedoras que comercializam o produto na cidade, o cenário é de caos no abastecimento em um futuro próximo.

Ricardo Alexandre Fonseca, funcionário da revendedora Supergasbras em Passos, revelou que o problema que atinge os municípios do interior do Brasil é em função da queda na produção do GLP em razão da pandemia do coronavírus. “Tudo porque houve redução de funcionários nas refinarias, inclusive de combustíveis usados em veículos, para fugir da aglomeração de pessoas. Não estamos conseguindo trazer a carga total de bujão”, disse.

Para que a situação não se agrave mais, os consumidores têm de se conscientizar de que não é plausível estocar gás de cozinha em suas residências. “A Supergasbras de Passos está priorizando quem tem apenas o botijão. Os clientes que possuem dois vasilhames, sendo um para reserva, nós estamos pedindo o prazo de uma semana para a entrega, porque ele já está com um vasilhame em uso que dura no mínimo 30 dias”, explicou Fonseca.

“Desde o início da pandemia, o consumo de GPL em Passos vem aumentando gradativamente porque as pessoas estão com receio de falta no mercado varejista. Normalmente as revendedoras recebem dois carregamentos do produto por dia, mas a quantidade que chega não é suficiente para atender a demanda. Se pedimos 120 botijões, sai das refinarias a metade”, comentou Adilson José Ferreira, proprietário da revendedora Consigás.

Alex Andrade, proprietário de um dos depósitos em Passos revende produtos da Liquigás, também revelou que seu estoque do GLP está com pouco produto. “Antes da crise, eu vendia entre 20 e 25 bujões por dia, hoje subiu para perto dos 35”. Para outro dono de depósito na cidade, representante da Ultragás, Valdeci Ribeiro, “esse início de desabastecimento começa na Petrobras e passa pelas revendedoras, que não conseguem carregar seus caminhões com a carga solicitada. Tem algumas que enfrentam dias na fila das refinarias e conseguem trazer 40% ou no máximo 50%”, disse.

Um dos proprietários de depósito da revendedora Nacional/Butano na cidade, Verdi Lemos Silveira, disse que o problema dos estoques do GLP é geral. “Na base de recarregamento da minha empresa, em Ribeirão Preto (SP), a situação esteve mais crítica semana passada, mas já está sendo normalizada. A quantidade de bujões no meu depósito não chegou a estar crítica”, frisou.

Além das cinco revendedoras, Passos conta com mais de 30 depósitos. O preço do vasilhame de 13 quilos varia de R$63 (promocional) a R$75 para a entrega do produto em domicílio.

Expliçações

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Revendedores de gás no Espírito Santo (Sinregás), Cleber Santos, “a queda no consumo de gasolina e óleo diesel fez cair a produção nas refinarias. Como os dois produtos e o GLP são produzidos juntos, a queda afeta os três”.