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Passos deve ter coleta seletiva, diz diretor de Meio Ambiente

Por Ézio Santos/ Especial

13 de abril de 2021

A implantação da coleta seletiva deve gerar emprego e renda para catadores, associações e cooperativas que atuam no setor. / Foto: Divulgação

PASSOS – O diretor Municipal de Meio Ambiental, o coronel aposentado da Polícia Militar Gilson de Oliveira Wenceslau, afirma que a Prefeitura de Passos pretende, ainda em 2021, implantar a coleta seletiva de material reciclado no perímetro urbano do município. Segundo ele, a implantação deve gerar emprego e renda para catadores, associações e cooperativas que atuam no setor.

Com o apoio do Ministério Público, a prefeitura está se mobilizando para que Passos venha, ter ainda em 2021, a coleta seletiva de materiais recicláveis em todo o perímetro urbano. Tal situação vai possibilitar gerar trabalho e renda, para associações, cooperativas e catadores”, disse o diretor.

Com a pandemia, a coleta de material reciclável e a venda do material coletado foi impactada na cidade. De acordo com Wenceslau, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Trabalho (Sedest), a administração pretende iniciar projetos para ajudar duas entidades do setor de coleta de material reciclável e catadores autônomos. Segundo ele, o primeiro passo é cadastrar os interessados, caso ainda não sejam, no Cadastro Único para que eles possam receber apoio de programas do governo federal e outros programas de ajuda a famílias de baixa renda.

Wenceslau também afirma que, em parceria com o Ministério Público, o município tem buscado apoio para as duas entidades ligadas à coleta seletiva de recicláveis no município, a Coocares e a Associação AAção Reciclagem. De acordo com o diretor, a Cooperativa Coocares ainda não apresentou documentos necessários, conforme previsão legal, que possibilita a formalização de apoio por parte do município. A princípio, estão sendo solicitados o estatuto da entidade, a ata da última eleição da diretoria e do conselho fiscal e a certidão negativa junto à União, Estado e município.

Por hora, os autônomos, que normalmente vendem os recicláveis nos ferros-velhos por causa da melhor oferta e mais perto de suas casas, serão cadastrados, possibilitando futuramente a realização de políticas públicas. Já os moradores de rua, que também praticam a mesma atividade, já são beneficiados pelo Centro Pop Padre Leo, que oferece café da manhã, almoço e banho. Para dormir, eles recorrem às vezes ao Albergue Santo Agostinho”, disse.

Sobre a Ação Reciclagem em relação à pandemia, o ex-presidente disse que a entidade no primeiro semestre de 2020, teve dívida de aproximadamente de R$ 40 mil, mas no início do corrente ano, o débito foi saldado. Wenceslau revelou que hoje a AAção conta com 14 colaboradores remunerados mensalmente e foco da associação e mais na coleta de materiais recicláveis de residências.


Cooperativa teve queda de 50% na coleta de material com a pandemia

Olário Alves (à direita) preside há quatro anos na Coocares, que tem 12 cooperados. / Foto: Divulgação

PASSOS – O setor de coleta de material reciclável em Passos tem sentido o impacto da pandemia do novo coronavírus. As medidas de restrição adotadas pelo governo do Estado e pela prefeitura para conter o avanço da covid têm afetado o recolhimento e provocado queda nas vendas de recicláveis.

O presidente da Cooperativa dos Catadores e Recicladores de Materiais Reaproveitáveis do Sudoeste Mineiro Ltda (Coocares) Olário Alves Ribeiro afirma que, desde março de 2020, houve redução de 50% em todas as etapas do trabalho, que começa com a busca pelo material. Os principais motivos foram a suspensão de eventos como shows, casamentos e festas em clubes, nas quais eram gerados boa parte do material reciclável coletado, além do fechamento de vários setores do comércio. Segundo ele, o reflexo foi queda no recolhimento e aumento nas despesas da instituição.

Antes da pandemia, o cenário já era de crise e piorou mais ainda, porque nós dependemos do comércio para a sobrevivência das 12 pessoas que fazem parte da Coocares. Quando as lojas estão fechadas, nós também não abrimos o nosso barracão e muitos catadores chegam a passar necessidade em casa. O jeito é arrumar bicos para comprar a feira do mês. De uma forma ou de outra, eu tento ajudar, pedindo alimentos da cesta básica e chego a tirar até mesmo do meu próprio bolso, mas nem sempre dá tudo certo”, disse Olário, que foi um dos fundadores da Central de Organização de Materiais Recicláveis do Sudoeste Mineiro, hoje desativada.

De acordo com ele, a cooperativa, entre aluguel, água, luz e outras despesas, tem gasto mensal que ultrapassa R$1,5 mil, e o dinheiro arrecadado é proveniente da venda de diversos tipos de recicláveis doados pela comunidade, como alumínio, cobre e outros materiais.

Os cooperados tiram o sustento, hoje em torno de R$4 mil mensais, andando diariamente pelas ruas, catando papelão, plástico e materiais ferrosos. Juntamos tudo, pesamos, vendemos e repartimos, em torno de R$ 340 para cada. Ainda bem que muitos têm outros benefícios, como o Bolsa Família e outras formas de auxílio do governo, que ajudam a complementar a renda familiar”, disse.