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Passense vai participar do V Festival de Poesia de Lisboa

Por ADRIANA DIAS / Da Redação

11 de setembro de 2020

A poetisa passense Larissa Lorena de Jesus Silva vai declamar o poema ‘Resistência Negra’ e também concorre a uma premiação. / Foto: Divulgação

A poetisa Larissa Lorena de Jesus Silva vai participar do V Festival de Poesia de Lisboa, que ganha sua primeira edição on-line devido à pandemia do coronavírus. O encontro será realizado no dia 18 de outubro, às 15h (horário de Brasília) e às 19h (horário de Lisboa), com transmissão on-line pelo Facebook e pelo Instagram. A confirmação do nome de Larissa foi divulgada na quarta-feira, 9.

A passense, que é bacharel em Direito e estudante do curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) Unidade Passos, contou que teve um poema de sua autoria escolhido e que esta obra atende à temática proposta pelo festival.

O meu poema com o título ‘Resistência Negra’ foi voltado ao tema e fala um pouco da escravidão. Vou declamar o material no festival. Fiquei extremamente feliz por ter sido escolhida e mais feliz ainda em saber que, posteriormente, este poema vai fazer parte de um livro que lançam depois de todo festival, por uma editora portuguesa. Eu já vou estar nele, e isso era impensável há pouco mais de um ano”, afirmou Larissa.

A estudante participou de um edital e diz não ter sabido de outra pessoa de Passos que tenha participado.

Fiquei sabendo por meio das redes sociais e me interessei para fazer parte dos projetos deles. E, meu poema também vai concorrer a um dos três lugares do festival”, disse Larissa.

Na página do festival, os organizadores salientam que, embora os encontros presenciais tenham sido anulados, eles preparam uma programação muito especial para falar sobre o tema R-existir, a poesia como afirmação da existência.

É importante destacar que todos os painéis são abertos ao público e transmitidos por Instagram e Facebook. Já as oficinas exigem inscrição prévia e serão realizadas via zoom”, apontaram no site.

A conversa será mediada pelas organizadoras do FPL, Jannini Rosa e Carla De Sà Morais-Gossuin e pelo curador desta edição, Gustavo Prudente. A mineira Conceição Evaristo deve contar sobre sua humilde infância em Belo Horizonte e em como ingressou no mundo acadêmico, sendo hoje Mestra em Literatura Brasileira, Doutora em Literatura Comparada e uma das autoras mais lidas no Brasil. Ela será homenageada pelo festival.

O festival também deve tratar da militância e o quanto ela foi fator determinante em sua produção literária, na luta contra o racismo e em suas próprias experiências – que ela poeticamente intitula escrevivências. Os povos originários já ocupam as terras brasileiras com sua rica cultura muito antes da invasão portuguesa. Da mesma forma, as diversas populações africanas forçadas a trabalhar como escravos trouxeram para o Brasil um tesouro cultural mais antigo que a dominação colonial. O levante negro e indígena, em áreas diversas como política, economia e as artes, não é uma novidade: é o resultado da R-Existência continuada de povos que vêm de muito longe.

Autoras como Conceição Evaristo são exemplos de como a poesia tem servido a esse levante. Seja por meio da denúncia ou da afirmação da vida, povos indígenas e negros têm usado a palavra poética para gerar obras que demarcam suas lutas históricas e, ao mesmo tempo, têm um valor literário que transcende o tempo e atravessam qualquer coração humano.