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Paróquias de Passos enfrentam dificuldades por causa da covid

30 de abril de 2020

PASSOS – De que forma as paróquias de todo o país estão mantendo seus compromissos financeiros e projetos sociais desde que a pandemia do coronavírus foi anunciada? A reportagem da Folha foi saber como está a situação dos nove territórios sob a jurisdição de um padre em Passos, cinco do setor regional e das quase 90 da Diocese de Guaxupé.

Os assuntos levados a todos os párocos do município passense para uma avaliação das reais condições das igrejas de pouco mais de um mês que a crise foi instalada também em Minas Gerais foram principalmente em relação ao dízimo, receitas, investimentos, corte de despesas, coleta e intenções durantes as missas. A grande maioria não se manifestou sobre os questionamentos elaborados pela reportagem. Outros responderam, mas de forma extremamente sucinta.

Os párocos que se manifestaram sobre os assuntos por telefone ou redes sociais foram unânimes em afirmar que, de certa forma, estão enfrentando dificuldades financeiras sim, porém escassez de dinheiro não chegou ao limite. Um dos padres chegou a revelar que muitos outros tiveram que apelar para Medida Provisória do governo federal número 936/2020, que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e dispõe sobre medidas trabalhistas complementares para o enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo número 6, de 20 de março de 2020, e da emergência em saúde pública de importância internacional decorrente do novo vírus covid-19.

O padre César Acorinte, pároco de Santa Terezinha do Menino Jesus, em Itaú de Minas, coordenador de pastoral das paróquias do Setor Passos, que abrange também as de Fortaleza de Minas, Alpinópolis, São José da Barra e São João Batista do Glória, confirmou que a crise é geral. “Estamos vivendo tempos difíceis em todos os setores da economia brasileira, e as paróquias não são diferentes. Houve redução drástica nas coletas e intenções nas missas. A arrecadação em relação ao dízimo caiu em torno de 60% e, consequentemente, tivemos queda acentuada nas receitas”, afirmou.

Acorinte revelou ainda que todos os párocos da diocese, de certa maneira têm controlando a situação, mesmo com a falta de recursos, sem atingir o setor com demissões. “Não temos outra saída a não ser reduzir a jornada de trabalho e salários, cortar despesas na igreja, casa e secretaria paroquiais, suspender obras de manutenção, reformas e outras que seriam iniciadas. Aqueles que conseguem manter reservas financeiras estão com a casa em ordem, mas se o quadro da pandemia não melhorar e tudo estiver como era em janeiro e fevereiro deste ano, a tendência é piorar bem mais nos próximos meses ou até mesmo no segundo semestre”, ressaltou.

A 14 paróquias que formam o setor Passos são: Santa Terezinha (Itaú), Nossa Senhora do Rosário (Fortaleza de Minas), São Sebastião (Alpinópolis), São José (São José da Barra), São João (São João Batista do Glória); Senhor Bom Jesus dos Passos, São Judas Tadeu, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora da Penha, São Luiz Maria Grinion Montfort, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora Aparecida, São José e São Bendito, todas em Passos.

Situação é de risco em toda a região

PASSOS – A reportagem da Folha apurou que a maioria das 87 paróquias da Diocese de Guaxupé está passando por dificuldades financeiras neste tempo de pandemia. Aquelas que ainda não aderiram à MP 936 estão, de certa forma, pedindo socorro ao bispo dom José Lanza Neto e sua equipe de administradores.

“Nós temos no momento 35 paróquias em situação de risco. Nove, a Mitra Diocesana já teve que enviar dinheiro retirado do fundo emergencial que vai suprir as necessidades até junho. A pedido do bispo, estamos solicitando aos párocos que continuem promovendo eventos através das redes sociais e drive thru juntos a suas comunidades para a obtenção de recursos. Temos informações que estão conseguindo bastante êxitos e isso é excelente”, comentou Ana Maria Cardoso Morais, gerente Administrativa da Diocese.

Dízimo

A consagração do dízimo todos os meses acaba por influenciar consideravelmente na questão de sobrevivência financeira das paróquias por esse Brasil afora. Em Passos, por exemplo, poucas pessoas não estão entregando a décima parte do seu salário mensalmente, ou qualquer quantia, por causa do confinamento social que impede de irem à Secretaria Paroquial. Através das celebrações de missas pelas redes sociais, muitos padres estão solicitando que os dizimistas entrem em contato por telefone nos escritórios das paróquias e informem o endereço completo que um funcionário irá buscar o valor consagrado mensalmente nas residências dos fiéis contribuintes.

Para o pároco Acorinte, a generosidade de todos os católicos do Brasil inteiro tem sido bastante importante no aumento das receitas das paróquias. “Além do dízimo, todas recebem doações espontâneas em dinheiro, roupas, alimentos etc, que ajudam substancialmente também no trabalho social que nós, padres, desenvolvemos junto às comunidades carentes. Nós, párocos, jamais podemos deixar de agradecer as contribuições dos cristãos católicos nestes tempos tão difíceis que estamos passando”, disse.