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Para evitar desabastecimento, comércio limita venda de óleo

Por Nathália Araújo / Redação

11 de setembro de 2020

O receio é que possa haver falta do produto nas prateleiras. / Foto: Divulgação

PASSOS – A alta no preço do óleo de soja tem assustado consumidores da região. Nos últimos 15 dias, o reajuste ficou entre 25% e 70%. Em levantamento realizado na quinta-feira, 10, em dez supermercados de Passos, o preço do produto, em embalagem de 900 ml, varia entre R$ 5,79 a R$ 7,18. No município, hipermercados e supermercados têm limitado a venda do óleo por conta da diminuição no fornecimento na cadeia produtiva, ocasionado pelo aumento nas exportações da soja e derivados. O receio é que possa haver falta do produto nas prateleiras.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), desde o início da pandemia do novo coronavírus, o consumo do óleo de soja se intensificou no país. Outro fator que afeta o custo do óleo é a valorização do dólar, que fez com que produtores de soja e dos fabricantes de derivados optassem pelas exportações, impactando o fornecimento no mercado interno.

Com menos itens nas gôndolas, a Associação Mineira de Supermercados (Amis) destaca que o país pode ficar desabastecido e recomenda que a mercadoria deixe de ser vendida no atacado, limitando a quantidade adquirida a cada cliente. Em Passos, os hipermercados já perceberam a diminuição dos estoques e passaram a limitar a venda de produtos por cliente. Em alguns estabelecimentos, cada consumidor pode comprar até dez unidades de óleo de soja.

Vinícius Muzetti, advogado do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) da Câmara Municipal de Passos, conta que os cidadãos já estão entrando em contato para reclamar dos valores cobrados e esclarece que, para que os preços sejam considerados abusivos, é necessário realizar uma análise acerca da cadeia de produção e fornecimento, assim como de despesas com tributação, custos diretos e indiretos e, ainda, da margem de lucro.

Muitas vezes os consumidores encontram a mercadoria superfaturada e já consideram que a prática seja lesiva para a economia popular. No entanto, este é o fim da cadeia de produção e distribuição, então é necessário verificar o preço de entrada e saída dos produtos. Para reverter a situação, o ideal seria realizar uma cotação para encontrar os preços mais acessíveis ou, no caso de valores realmente abusivos, o órgão competente deve aplicar a multa por irregularidade”, destacou Muzzeti.

A recepcionista Flávia Vilela dos Reis afirma que ficou assustada quando foi fazer suas compras mensais, e optou por adquirir itens de marcas mais baratas.

Isso é um absurdo, sinceramente, nunca imaginei que uma garrafa de óleo custaria mais que R$ 6. O país está em crise e as pessoas simplesmente não se importam, tudo está muito caro e precisamos pensar bem antes de colocar alguma coisa no carrinho. Estou economizando até no chocolate para a minha filha e isso é triste, espero que não demore até que as coisas voltem ao normal”, disse.

Em relação à matéria-prima, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou que a cotação para a saca de 60 quilos da soja está em R$ 136,68 e a previsão é que a variação seja de até 5% no mês de setembro.