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Pandemia reduz movimento nas casas acolhedoras

Por Ézio Santos / Especial

12 de Maio de 2020

Foto: Divulgação (Site EBC)

PASSOS – Se a maioria das entidades assistenciais de Passos está constantemente enfrentando dificuldades financeiras para honrar seus compromissos mensais, as Casas Acolhedoras de Maria (CAM), nestes tempos de pandemia do coronavírus, se encontraram numa condição confortável. Graças às doações em dinheiro, mantimentos, materiais de higiene e de construção, a diretoria tem encontrado poucos obstáculos para receber, com todo conforto, as pessoas, quase todas de famílias de baixa renda.

As Casas Acolhedores feminina e masculina, fundadas em junho de 2015 pelas irmãs Regina, Terezinha e Maria Sueli, têm por objetivo acolher gratuitamente somente acompanhantes de enfermos internados na Santa Casa de Misericórdia de Passos (SCMP) e no Hospital Regional do Câncer (HRC). O principal requisito para que mulheres e homens sejam alojados é o pedido oficial por parte dos responsáveis pela Assistência Social das duas instituições de saúde. “Infelizmente, aqui não é um albergue comum onde as pessoas chegam e vão sendo acomodadas. Temos regras que são cumpridas prezando principalmente pela organização, respeito e a disciplina”, explicou Terezinha Auxiliadora Machado, a tesoureira da instituição.

Os dois imóveis paralelos, mas separados por um muro, estão localizados na rua da Praia número 798 (feminino) e 792 (masculino). Cada um possui varanda frontal, sala, cozinha, banheiros, área de serviço e quartos equipados com 15 camas, armários e guarda-roupas. “Nós não temos funcionários para cuidar das duas sedes. São as próprias pessoas acolhidas que cozinham e lavam suas vestes. As roupas de cama, mesa e banho que são por nossa conta, bem como a higienização dos imóveis”, contou Terezinha.

Quem é acolhido na CAM recebe além do abrigo, mantimentos para preparo de refeições e produtos de higiene pessoal.

Os acolhidos chegam apenas com roupas e documentos pessoais. A alimentação contendo todos os itens da cesta básica fica por conta da entidade que são doadas por voluntários, amigos e comerciantes. Necessitamos também de carne, verduras e legumes, mas raramente ganhamos. E é bom o povo saber que não temos fins lucrativos. Tudo que ganhos revertemos em prol dos moradores temporários”, ressaltou a tesoureira.

As pessoas que estão à frente das Casas Acolhedoras de Marias por quase cinco anos são Regina Célia Machado Andrade (presidente), Maria Sueli Machado Borges e Terezinha, que são irmãs, além de Fernando de Paula Borges, esposo de Maria Sueli, e Kênia Regina Resende Nasser

Os acompanhantes

Em anos anteriores, as duas casas chegavam a receber lotação máxima de pessoas adultas que vinham como acompanhantes, a maioria de recém-nascidos e crianças com problemas cardíacos ou câncer, que ficavam internados por vários meses. “Nós acolhemos pais, irmãos, tios avós de quase todos os Estados do Brasil, como Amazonas, Tocantins, Rondônia, por exemplo, além de diversas cidades de Minas e São Paulo. Já teve mãe que ficou conosco por seis meses, ou seja, até o filho receber alta hospitalar. Em março e abril não tivemos hospedagens por causa da pandemia”, comentou Terezinha.

Sobre as despesas mensais das duas casas, ela revelou que são quitadas com dinheiro doado à entidade. De toda a energia consumida quando os imóveis estão com lotação máxima, quase 50% são geradas pelo sistema solar doado por uma empresa especializada. O gás de cozinha e água são pagos com parte de recursos obtidos através de carnês e ofertas espontâneas.

Em razão da crise provocada pelo coronavírus, o acolhimento de acompanhantes de doentes internados na Santa Casa e no Hospital do Câncer foi suspenso na segunda quinzena de março e abril todo para evitar aglomerações. Hoje, ocupam uma das casas apenas duas mulheres que vieram de Pouso Alegre e São Sebastião do Paraíso. Outro homem está no imóvel destinado às pessoas do sexo masculino. Todos estão recebendo os cuidados necessários para não propagar o novo vírus.

Para que as duas casas fiquem totalmente prontas em termos de estrutura, o grupo de pessoas acolhedoras quer ainda, neste ano, instalar revestimentos sobre o contrapiso que ocupa toda a área entre o portão de entrada e a varanda frontal.