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Pandemia aquece vendas no mercado de construção

Por Ézio Santos / Especial

19 de agosto de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – O mercado da construção civil é um dos poucos que não sentiram o impacto da pandemia do novo coronavírus. Em Passos, representantes do setor afirmam que, nos últimos meses, houve um aumento significativo de construções, ampliações e reformas de imóveis comerciais e residenciais. No entanto, revendedoras de materiais e construtoras enfrentam, desde o início da crise da covid-19, dois inconvenientes: o reajuste de preço em torno de 10%, que onera os investimentos, e a demora para a entrega de determinados produtos.

A explicação mais lógica é o fechamento temporário de muitas fábricas em razão da demissão maciça de funcionários ocorrida no início da crise epidemiológica. A falta de matéria-prima também influenciou no aumento de preços e no prazo para atender à elevada demanda. Nilton Fagundes do Nascimento, dono da Estrela do Sudoeste, loja de material de construção, revela que nos últimos meses o movimento de clientes aumentou bastante, porém o volume de vendas praticamente não sofreu alteração.

Tivemos um pico nos meses de junho e julho, mas já está se normalizando, com exceção de pisos, revestimentos e outras mercadorias de acabamento. Parece que o povo está naquele movimento das formigas, comprando aos poucos e estocando em casa”, ressaltou.

Para ele, o agronegócio e a construção civil são, na atualidade, os principais pilares da economia brasileira.

A população não vive sem comer e sem moradia. Desde o início da pandemia, as pessoas ficam recolhidas em casa, e quem não perdeu o emprego ou estava guardando dinheiro passou a investir na compra de terrenos, casas, reformas e aumento de área construída. O governo federal ajudou muito liberando o abono emergencial, antecipando o 13º salário dos aposentados. Tudo isso faz a economia girar”, declarou.

Contratação de empresas especializadas está em alta

PASSOS – Entre as empreiteiras e construtoras, a principal reclamação é sobre o reajuste e a falta de alguns materiais.

Nos últimos meses, o preço do cimento e da cal aumentou três vezes, também teve reajuste no do tijolo, ferragem, argamassa, entre outros, além da dificuldade para adquirir alguns insumos. Não paramos de trabalhar ao longo da pandemia, que ainda está aí. Tivemos aumento de projetos e execução de obras. Em momento algum ficamos sem operários, apenas um pouco de dificuldade para contratar profissionais especializados, como pedreiros, por exemplo. Realmente, o setor de construção civil está de vento em popa. Acredito bastante nas medidas econômicas do governo federal, baixa dos juros para financiamentos de imóveis por parte dos bancos e outras facilidades para investimentos”, afirmou Renan Salermo Melo Silva, proprietário da Petra Engenharia e Construção.

De acordo com Geraldo Magela Mota, gerente da Usina CMP, que comercializa concreto, mesmo com as dificuldades enfrentadas no país, a empresa teve um aumento de cerca de 15% na demanda.

Com o aquecimento da construção civil em Passos e região, cresceram também os pedidos e, consequentemente, a produção. Os problemas são o aumento do preço do cimento e de outras matérias-primas e o prazo dilatado na entrega do cimento”, frisou.

Outro produto básico e importantíssimo para a construção civil é o tijolo. Em razão do aquecimento do setor, após uma grande crise que vinha ocorrendo desde 2014, a gerente administrativa da Cerâmica Glória, Laís Godinho, garante que, nos últimos meses do ano, houve aumento nas encomendas, mas também no prazo para a entrega do tijolo baiano. De acordo com ela, isso está ocorrendo devido à falta de oferta do produto no mercado, já que a crise dos últimos anos afetou o setor e muitas empresas da região acabaram fechando.

Hoje, o tempo para que o produto seja entregue ao nosso cliente é de aproximadamente um mês. Para atender o mercado e não deixar nosso cliente sem material, aumentamos a produção, mas infelizmente esse aumento não é imediato e a estrutura tem suas limitações. Com a crise que nos assolou nos últimos anos, o setor foi muito desgastado e não tivemos oportunidades de investimentos”, pontuou.

A reportagem tentou entrar em contato com dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Passos, mas não obteve sucesso.