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Os bastidores do fim dos Beatles

18 de abril de 2020

Dressed in happi coats often worn by Japanese workmen the Beatles arrive in Tokyo , Japan . 29th June 1966

“Os Beatles são considerados a aventura mais fabulosa do século 20, mas ninguém poderia prever que tal sucesso duraria até o próximo século”. A declaração é de Mark Lewisohn, historiador do grupo. Cinco décadas depois, “os Beatles continuam no mais alto nível artístico e levam outros a tentar superá-los”, diz o autor do livro The Beatles: All These Years.

A separação nunca foi anunciada oficialmente. Em uma entrevista publicada naquele 10 de abril, pouco antes do lançamento do primeiro álbum solo de McCartney, ele simplesmente respondeu “não” quando perguntado se via uma retomada do trabalho com o John Lennon. “McCartney rompe com os Beatles”, publicou imediatamente o jornal The New York Times.

Posteriormente, a dissolução de seus vínculos comerciais em um tribunal britânico selou definitivamente a separação.
Milhões de fãs ficaram arrasados, lembra Philip Norman, autor da biografia oficial de McCartney publicada em 2016. “Uma geração inteira cresceu com os Beatles. Eles lançaram um novo álbum para cada etapa importante da vida”, enfatiza. “Muitas pessoas pensaram que o futuro seria sombrio sem eles, era realmente um sentimento generalizado.”

Mas, hoje, ainda são os artistas mais vendidos de todos os tempos e seu catálogo, de “I Want to Hold Your Hand” a “Hey Jude”, continua popular. “Estão por toda parte”, diz Norman. “O encanto é simplesmente indestrutível.”

No final da década de 1960, o grupo de Liverpool – Lennon, McCartney, o baterista Ringo Starr e o guitarrista George Harrison – se tornou um fenômeno social “mais famoso que Jesus Cristo”, segundo Lennon.

Mas a Beatlemania teve seu preço: em uma entrevista recentemente descoberta, Lennon confessou que a música “Help”!, composta em 1965, era um pedido de ajuda no sentido literal. “Era real, eu estava gritando ‘socorro!’”, afirmou. “Não há como desconectar, é 24 horas por dia (…), todo mundo quer um pouco de você.”

As tensões, principalmente entre Lennon e McCartney, acabaram destruindo a banda. Quando McCartney deixou saber do rompimento, passou quatro anos sem fazer um show. Starr e Harrison já haviam lançado álbuns solo, Lennon e Yoko Ono já haviam formado a Plastic Ono Band.