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Os 72 anos do ‘príncipe das trevas’

Por Mariane Morisawa / Especial

26 de março de 2021

Documentário sobre Ozzy abrange os 72 anos de vida do astro do Rock. / Foto: Divulgação

Ozzy Osbourne, ícone do heavy metal, “príncipe das trevas”, líder do Black Sabbath, maluco que comeu um morcego no palco, astro de reality show. Mas, se você perguntar para ele mesmo quem é Ozzy Osbourne, a resposta é simples: “É um filho da classe trabalhadora. Eu estava confuso quando jovem sobre o que queria fazer na vida até escutar os Beatles. Aí soube o que queria fazer”. O documentário As Novas Vidas de Ozzy Osbourne, do canal A&E, tenta abarcar os 72 anos de vida do astro do rock, da infância simples e a prisão ao estrelato, passando por escândalos e a reinvenção como homem de família em The Osbournes.

Eu tive a melhor vida que alguém poderia querer. Saí do nada, e minha profissão me abriu tantas portas. Cheguei aonde nunca imaginei”, disse ele em entrevista coletiva. Segundo Osbourne, o filme, que fala de sua prisão, de seus problemas com drogas e álcool e da atual batalha contra o Parkinson, é honesto em seu retrato. “Não houve maquiagem. O documentário mostra o bom e o mau”, afirmou ele.

Sua mulher Sharon acredita que isso se deve à própria personalidade de Ozzy “É um sobrevivente. Teve uma vida incrível, enfrentou tudo o que foi colocado em seu caminho, se reergueu e se superou. É um bom homem. O que você vê é o que ele é.” Sharon enfrenta novas acusações de racismo nos bastidores de seu programa The Talk, veiculado pelo canal de TV americano CBS, mas o assunto não entrou no filme.

Além de Sharon, o documentário traz entrevistas com os filhos Aimee, Kelly e Jack, os outros membros do Black Sabbath – o guitarrista Tony Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward -, amigos e colegas da música como o produtor Rick Rubin, Ice-T, Rob Zombie, Jonathan Davis e Post Malone. Foram muitas vidas de Ozzy em uma. Como sua filha Kelly define, ele é o verdadeiro Homem de Ferro. John Michael Osbourne nasceu em Birmingham, na Inglaterra, o quarto de seis filhos. A casa onde cresceu não tinha banheiro interno e não havia nem água e sabão direito, o que levou o cantor a dizer que sempre se sentia sujo quando criança.

Na escola, sofria bullying por causa da sua dislexia. Era colocado no canto com um cone na cabeça e chamado de bobo. Aos 16, abandonou os estudos. Foi encanador, pedreiro, trabalhou num matadouro. Passou a cometer pequenos delitos, o que acabou resultando numa sentença de seis semanas por roubo. Foi na adolescência também que ouviu os Beatles, e sua relação com a música, que já era forte, aumentou. Em 1968, ele se juntou ao baixista Geezer Butler, ao guitarrista Tony Iommi e ao baterista Bill Ward para formar a Polka Tulk Blues, que depois mudou seu nome para Earth.

O primeiro álbum, lançado em 1970, alcançou o top 10 no Reino Unido. O segundo, Paranoid (1971), levou a banda à liderança das paradas no Reino Unido e ao 12.º lugar nos Estados Unidos, com clássicos como War Pig e Iron Man. A controvérsia sempre esteve com o grupo, que usava símbolos religiosos e místicos. A influência do Black Sabbath é inegável, sendo pedra fundamental para o heavy metal e para vertentes mais recentes do rock, como o grunge.