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Os 40 anos do ‘Mágico Desinventor’

Por Adriana Dias / Redação

30 de março de 2021

Marco Túlio Costa com o totem de O Mágico Desinventor. / Foto: Divulgação

Fosse uma pessoa, já estaria entrando na ‘crise dos 40’. Mas, quem está completando quatro décadas é o livro ‘O Mágico Desinventor’, de autoria de Marco Túlio Costa. A obra foi a primeira de sua carreira, editada e publicada em 1981, pela Editora Record, do Rio de Janeiro e que já ganhou várias traduções e edições.

É um verdadeiro ‘marco’ na trajetória do escritor, natural de Formiga, que tem outras 22 publicações, que lhe renderam um prêmio Jabuti em que concorreu na categoria infanto-juvenil com a obra Fábulas do Amor Distante e foi finalista de quatro edições da Câmara Brasileira do Livro. A história do mágico é extremamente atual, fala de poluição, meio ambiente e até uso de máscaras.

O escritor Marco Túlio Costa é formado em Publicidade e Propaganda, pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e também graduado em Letras, atua em Comunicação Social em Passos desde 1986. Na literatura tem livros infanto-juvenis de contos. Questionado sobre quem é o Mágico Desinventor, o autor contou que é um ser muito evoluído e que está decepcionado com os rumos da humanidade e resolve desinventar várias daquelas invenções que ele julgava prejudiciais à evolução.

Enquanto o mágico arquiteta seu plano, crianças que brincam em uma praça e diante do súbito desaparecimento da televisão, do dinheiro, remédios, automóveis, elas começam a investigar e chegam à casa do desinventor. Vão acabar se dividindo em confusão e o piloto das coisas se dirige para um futuro sombrio. A humanidade está vivendo num mundo poluído em que as pessoas precisam de máscaras para ir lá fora e o próprio ser humano está em mutação pela necessidade de viver em uma atmosfera tão ruim. Enquanto isso, outro grupo vai para um mundo de acrílico, totalmente limpa, sem natureza, em que as máquinas têm os seres humanos como seus brinquedos”, explicou Costa.

O enredo leva os leitores a refletirem sobre o papel do ser humano na construção de sua própria história. Esta é a proposta do livro para discutirem aquilo que o Mágico Desinventor proporcionou.

O contexto em que a obra foi escrita foi no Brasil dos anos 1970, nos anos de chumbo. A floresta Amazônica era um adversário a ser vencido. Pensava-se na ocupação do Oeste e não havia preocupação ambiental. Uma cidade como Cubatão(SP) era o símbolo do desenvolvimento e estava intimamente ligado à poluição. Nas escolas era um tema novo. Em 1977 cheguei à rodoviária do Rio de Janeiro, com uma mochila e uma máquina Remington, algumas roupas em sentido Niterói. A travessia na barca pela baía de Guanabara me proporcionou uma visão muito triste da baía, que me mostrava uma água grossa, manchada de óleo e que boiavam todas as espécies de lixo. Isso me causou grande impacto. E, para piorar, em Niterói estava acontecendo uma greve de lixeiros”, contou.

O clima desfavorável ao rapaz de 22 anos, inventou o alter ego que era um ser poderoso, que o livraria dos problemas do mundo.

Surge para solucionar aquelas questões que tinham me impactado de início. Muitas pessoas da minha geração me incentivavam e no final de 1977 saía de Belo Horizonte, Jeferson Ribeiro de Andrade, que a convite de Ziraldo iria trabalhar na editora do Pasquim. Consegui um emprego de datilógrafo na Fundação Getúlio Vargas e depois do trabalho ia para a redação do Pasquim, e me encontrava com Jeferson, que eu já conhecia desde Passos na época da Revista Protótipo. Pouco tempo depois ele foi para a Editora Record e teve importância grande na publicação de O Mágico Desinventor. Além dele a personagem importante foi Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa, que fez crítica fundamental e me enviou os escritos”, contou.

A obra que inaugurou a sua trajetória como escritor recebeu ilustrações de Rafael Nobre e foi traduzido para o espanhol em 1994 onde teve 10 edições.