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O Tiradentes, o boticário e as dúvidas sobre ele

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

18 de janeiro de 2021

Vinte e um de abril é dedicado a Tiradentes, considerado o herói da Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira. A história narra que nesse dia do ano de 1792, o alferes Joaquim José da Silva Xavier foi enforcado e esquartejado em praça pública por motivos de traição ao Reino de Portugal. Informa ainda que a patente de alferes era equivalente à patente de tenente, nos dias de hoje.

Há relatos de pesquisadores contestando a versão oficial que sempre foi divulgada nos diversos livros sobre o assunto e nos livros escolares. Aqui, temos informações compiladas por Macimina Baracho. É o nome que consta no texto, que transcrevemos com nossa redação e interpretação fiel ao que está escrito.

Não faço este texto para contestar nada e nem tentar esclarecer coisa alguma. Considero uma curiosidade e deixo o assunto para os especialistas em pesquisas sobre tal personagem. A finalidade é apenas aguçar a polêmica sobre o assunto, que acredito já tenha provocado muita discussão entre os entendidos e talvez tenham sido até ridicularizadas as versões apresentadas.

Aqui, nós achamos um texto com o título “A descoberta da farsa”, na internet. Tenho uma pequena lembrança de ter visto o assunto também numa página de jornal, já faz um bom tempo. Diz o texto que em 1969, há 41 anos, hoje seriam há 52 anos, o carioca e historiador Marcos Correa, estando na cidade de Lisboa, capital de Portugal, teve contato com umas fotocópias da lista de presença da galeria da Assembleia Nacional da França, em 1793.

Ele estava ali pesquisando sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e encontrou uma assinatura que era o seu objetivo, era o que procurava. Perto da assinatura de José Bonifácio, havia a assinatura de um Antônio Xavier da Silva. Marcos Correa, funcionário também do Banco do Brasil, tinha feito um curso de grafotécnico, portanto, era formado e entendido no assunto. Por interesse próprio, ele havia estudado bastante a assinatura do alferes Joaquim José da Silva Xavier, nosso famoso herói nacional, conhecido como Tiradentes. As semelhanças eram muito fortes, impressionantes mesmo!

Tiradentes, com ajuda dos maçons seus amigos e, portanto, irmãos de maçonaria, numa nau com o nome de Golfinho, em agosto de 1792, teria zarpado para Lisboa. Ele tinha ido em companhia de sua namorada com o nome de Perpétua Mineira e mais os filhos de um ladrão já falecido, Isidro Gouveia.

Na Torre do Tombo, em Portugal, foi encontrada uma carta narrada por Simão Sardinha, um desembargador. Ele afirma ter visto na Rua do Ouro, no mês de dezembro do ano de 1792, alguém com as mesmas características pessoais de Tiradentes, muito parecido mesmo com ele. O desembargador conhecera no Brasil o Tiradentes, “e que ao reconhecê-lo saiu correndo” (ipsis litteris).

Em 1806, 14 anos depois, consta que Tiradentes voltou ao Brasil e abriu uma botica na residência da namorada Perpétua Mineira. Instalou-se na Rua dos Latoeiros, hoje Gonçalves Dias, na cidade do Rio de Janeiro. Mesma rua onde ele foi preso em 1789 pelo Tenente Francisco Vidigal. Escondia-se ele, na época, na casa de Domingos Fernandes. Tiradentes faleceu em 1818. Foi proclamado Patrono Cívico do Brasil em 1865. Hoje, é celebrado anualmente no Brasil.

Tal assunto se baseia em relatos e suspeitas. Apenas a autenticidade do pesquisador Marcos Correa em 1969, reconhecendo uma assinatura muito semelhante à assinatura de Tiradentes é que deixa mais suspeitas no ar. Será que alguém conhece a verdadeira história de um país nos seus detalhes, já que muito do que acontece nos bastidores do poder não é revelado como de fato aconteceu ou mesmo nem seja revelado? Não estou afirmando que nada seja verdade, mas, nem sempre as verdades aparecem por completo. O homem aprendeu a dizer verdades, mas, também, aprendeu a mentir.

É aí que entra o verdadeiro caráter de alguém. Por outro lado, há verdades que não podem ser reveladas, pois, causariam muito mal à sociedade. Enfim, é tudo muito complicado mesmo! Então, vivamos a nossa vida, tirando proveitos e exemplos da história, mesmo que muitas delas não sejam exatamente como nos ensinaram.

, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG. Ex-professor do ensino comercial com registro no MEC, formado no Curso Normal Superior pela Unipac.