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O show dos Stones

25 de abril de 2020

Há um clima de Rolling Stones no ar mais uma vez, em uma dessas ressurreições que eles promovem de si mesmos. Quando a tela dos computadores apareceu dividida em quatro no recente evento One Word – Together at Home, uma espécie de USA For Africa dos novos tempos, muita gente postou que não conseguia segurar as lágrimas. Aquilo foi mesmo forte.

Mick Jagger ao violão, cantando no cantinho da sala de sua casa para ganhar mais potência com a acústica rebatida; Keith Richards sentado na poltrona de uma espécie de escritório luxuoso e aconchegante, procurando as notas ao seu violão sem muita paciência; Ronnie Wood, o sempre efusivo Ronnie, pedindo que as pessoas acompanhassem trechos da canção com palmas enquanto tocava guitarra; e Charlie Watts, gaiato, simulando a bateria pré-gravada sobre malas de viagem tipicamente inglesas que não deverão ter outra utilidade nos próximos meses. Eles cantaram “You Can’t Always Get What You Want” representando o sentimento dos habitantes de um planeta que não podem mais ter o que desejam. Um dos raros momentos de se amar um troço chamado quarentena.

Agora, sob juras e promessas de jornalistas protocoladas em cartório para a gravadora Universal, de que nada seria vazado antes das 13h01 de quinta, 23, os Stones divulgam uma nova música. Ela foi escrita por Jagger e Richards, a parceria mais longeva do rock, se chama “Living In a Ghost Town” e vem, apesar de ter sido feita há um ano, do mesmo espírito confinado de onde saiu a participação em One World. A música é divulgada com um clipe, que entrou na página da banda, no YouTube, a partir das 15h de quinta, 23.

No texto que a gravadora Universal enviou junto com a canção, cada Stone escreve algo quase edificante. Mick Jagger, que gravou violão, gaita e guitarra, explica a origem da canção: “Então, os Stones estavam no estúdio gravando algum material novo antes do bloqueio causado pela pandemia e houve uma música que achamos que ressoaria bem nos tempos que estamos vivendo agora. Nós trabalhamos nisso em isolamento e aqui está ela.”

Keith Richards foi menos polido: “Gravamos essa faixa há mais de um ano em Los Angeles para fazer parte de um novo álbum, uma coisa em andamento, e então a merda toda atingiu os fãs. Mick e eu decidimos que este era o momento de lançá-la e aqui está. Fiquem seguros”. Charlie Watts foi mais, digamos, Charlie Watts: “Gostei de trabalhar nessa faixa. Eu acho que ela capta um clima e espero que as pessoas a aceitem”. E Ron Wood, de 72 anos, o sempre efusivo Ronnie, completou: “Muito obrigado por todas as suas mensagens nas últimas semanas, significa muito para nós saber que vocês curtem a música. Ela é um pouco assustadora e se chama Vivendo em uma Cidade Fantasma”.

A nova música Living In a Ghost Town tem a aura típica que a banda carrega desde “Voodoo Lounge”, de 1994.
Um jeito especial de pegar um rock cru, domesticá-lo com algumas injeções de teclados comportados e soltá-lo de novo na arena, para o ataque das guitarras de Ronnie e Richards.