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‘O Sebrae tem atuado para qualificar o debate eleitoral’, diz Carlos Melles

Por Adriana Dias / Da Redação

16 de novembro de 2020

Carlos Melles, recebeu o prefeito de Juruaia, Álvaro Mariano. / Foto: Divulgação

O paraisense Carlos do Carmo Andrade Melles fala sobre o assunto empreendedorismo nas eleições municipais de 2020. “É muito importante que os eleitores empreendedores saibam identificar um candidato e futuro gestor público engajado na pauta do empreendedorismo. Faz parte de uma cidadania ativa, acompanhar as políticas públicas desenvolvidas em prol do desenvolvimento local.


Folha da Manhã – Por que foi importante incluir o tema empreendedorismo na campanha para as Eleições 2020?

Melles – Ao longo dos últimos anos, o Sebrae tem atuado para qualificar o debate eleitoral em torno da valorização dos pequenos negócios nos planos de governo dos futuros gestores municipais. O empreendedorismo se tornou hoje o principal motor da economia brasileira com a enorme relevância já demonstrada pelas micro e pequenas empresas. Acreditamos que colocar o empreendedorismo no centro do debate eleitoral contribui para o desenvolvimento dos municípios brasileiros.

Nossa iniciativa também tem por objetivo incentivar que os donos de pequenos negócios tenham condições de identificar um candidato alinhado com a pauta do empreendedorismo e claramente comprometido com o crescimento dos pequenos negócios locais. Cabe destacar que o Guia do Candidato Empreendedor é apenas a primeira fase de um trabalho de aproximação e diálogo com os futuros prefeitos e vereadores. No pós-eleição, temos a intenção de visitar cada um dos municípios brasileiros para melhorar o ambiente de negócios e criar uma parceria ao longo dos mandatos.

FM – O que se espera de um prefeito empreendedor?

Melles – Um prefeito empreendedor é aquele reconhece a importância do empreendedorismo na sua região e trabalha em prol de melhorar o ambiente de negócios para os empreendimentos de menor porte. Desde 2000, o Sebrae tem reconhecido os esforços de gestores municipais empenhados em implementar projetos com foco no desenvolvimento dos pequenos negócios do município. O Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor já registra quase 10 mil projetos inscritos, 918 vencedores estaduais e 94 ganhadores em nível nacional. Sua 10ª edição foi realizada em meados do ano passado.

FM – E como ser um prefeito (a) empreendedor (a)?

Melles – Além de valorizar e apoiar o empreendedor local, um prefeito empreendedor também deve atuar de forma ampla para atrair oportunidades de negócios para os municípios, fortalecendo e identificando as potencialidades, as vocações da região, seja no turismo, no agronegócio, na indústria ou no comércio. Ele também deve aumentar a participação dos pequenos negócios nas compras governamentais da prefeitura, como por exemplo, na compra de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar ou na contratação de microempreendedores individuais para realizar pequenos reparos nos prédios públicos.

A inclusão do ensino do empreendedorismo também é uma ação significativa. Com o início da implementação da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), acreditamos que as temáticas do empreendedorismo serão amplamente incorporadas aos currículos escolares. Por último e não menos importante, eu diria que um prefeito empreendedor trabalha para desburocratizar o ambiente de negócios, tornado a vida do empreendedor mais fácil, seja simplificando processos, facilitando a abertura e licenciamento de empresas. A modernização da gestão pública é fundamental neste contexto.

FM – E o projeto Cidade Empreendedora, como o cidadão pode perceber isso na prática?

Melles – É muito importante que os eleitores empreendedores saibam identificar um candidato e futuro gestor público engajado na pauta do empreendedorismo. Faz parte de uma cidadania ativa, acompanhar as políticas públicas desenvolvidas em prol do desenvolvimento local.

Para começar, eu recomendo que o cidadão conheça o nosso Guia do Candidato Empreendedor que traz detalhadamente ações desenvolvidas no programa em diferentes áreas de atuação, como geração de empregos, por exemplo. Busque saber quais são as propostas específicas para a criação de mais postos de trabalho na sua cidade, com programas e políticas públicas orientadas para esse objetivo. A aplicação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas no munício também ajuda a identificar isso na prática, pois ela traz uma série de benefícios legalmente estabelecidos para o fortalecimento dos pequenos negócios e do empreendedorismo.

FM – Com o impacto da pandemia, como o Sebrae avalia o cenário econômico que espera os próximos prefeitos e vereadores?

Melles – Nós temos assistido a uma retomada lenta, mas consistente da economia nos últimos meses. Nossa expectativa é de que essa recuperação continue, ao longo do próximo ano. Será um grande desafio para as novas lideranças, principalmente pensando na recuperação do emprego. Esse fator é primordial para a melhoria do nível de consumo das famílias e do otimismo da economia. A boa notícia é os pequenos negócios já mostram recuperação e foram os que reagiram mais rapidamente após o pior período da crise, recuperando cerca de 443 mil empregos nos meses de julho, agosto e setembro, enquanto as médias e grandes empresas criaram quase metade dessas vagas (245 mil) no mesmo período.

FM – Qual o papel dos pequenos negócios a retomada da economia?

Melles – Os números dos pequenos negócios no Brasil falam por si. O Brasil é o quarto país mais empreendedor do mundo, segundo a Pesquisa Global Enterpreneurship Monitor (GEM) de 2019. Análise feita pelo Sebrae, a partir da série histórica desse estudo, mostra que neste ano, o país deve atingir a marca histórica de empreendedorismo com um quarto da população envolvida com seu próprio negócio. Claramente o empreendedorismo se tornou o principal motor da economia brasileira hoje, com a enorme relevância já demonstrada pelos pequenos negócios. As micro e pequenas empresas estão presentes em 100% dos municípios, representam 30% de toda a riqueza nacional, expressa pelo PIB, e são responsáveis por 54% dos empregos formais. Sendo assim, não temos dúvida de que a retomada econômica de forma efetiva no pós-pandemia do coronavírus só será possível com uma recuperação vigorosa dos pequenos negócios, que gerem emprego e renda no país.