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O que você precisa saber sobre o coronavírus – Parte 3

Especialistas respondem questões que ajudam enfrentar a pandemia

7 de Maio de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

34 – Quando ocorrer o fim da quarentena, escolas públicas e particulares vão reabrir? Devo mandar meu filho imediatamente? Quais cuidados devo tomar?

– Ainda não há previsão para a retomada das aulas presenciais. Para Luis Fernando Waib, médico infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), quando as aulas voltarem, é importante ensinar as crianças sobre as mudanças de hábitos necessárias para conter a disseminação do vírus, como higienização das mãos e máscaras.

“Também deve-se monitorar sintomas gripais diariamente e, caso estejam presentes, não enviar a criança à escola. Além disso, é  importante lembrar que, embora ensinemos as medidas corretas, elas são crianças e muitas vezes quebrarão o distanciamento social naquele ambiente”, afirma. Como as crianças muitas vezes são portadoras assintomáticas do vírus, especialistas orientam que elas devem continuar se mantendo distantes de pessoas do grupo de risco, como avós.

35 – Como ficam os vestibulares e o Enem? É possível adiar ou fazer de forma digital?

– A aplicação da prova impressa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está prevista para os dias 1.º e 8 de novembro de 2020, enquanto a prova digital está marcada para os dias 22 e 29 de novembro. No dia 28 de abril, a Justiça Federal decidiu manter o cronograma da prova, derrubando uma liminar obtida pela Defensoria Pública da União que obrigava o MEC a mudar a data do Enem por causa da pandemia do novo coronavírus.

Segundo o MEC, a implementação da versão digital do Enem terá início neste ano e será feita de forma progressiva – nesta fase inicial, até 100 mil pessoas poderão fazer a prova no novo modelo. Procurada pela reportagem, a Fuvest, que realiza a prova da Universidade de São Paulo (USP), respondeu que a data da prova continua mantida para 29 de novembro, enquanto a Vunesp, responsável pelo exame  de ingresso na Universidade Estadual Paulista (Unesp), informou que a data da prova está mantida para o dia 15 de novembro.

36 – As crianças estão ficando muito tempo expostas a telas e não tenho o que fazer, pois preciso trabalhar. Quando devo me preocupar?

– Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp, explica que o uso de tecnologia começa a preocupar quando a internet passa a afetar outras atividades das crianças e dos adolescentes, como as horas em famílias, as tarefas escolares e os momentos de refeição. “É importante também que os pais observem a forma com que os filhos usam a internet. É só um consumo de conteúdo passivo, rolando a barra da tela de redes sociais, ou a criança pesquisa assuntos de interesse dela?”, indaga Asevedo. “A internet pode ser usada de maneira destrutiva, que estimula o isolamento, mas há a possibilidade de ser um uso criativo.”

37 – Meu filho passou a trocar a noite pelo dia. Isso pode acarretar problema para ele?

– Sim. Segundo o psiquiatra Elson Asevedo, da Unifesp, a mudança da rotina do sono afeta o ciclo de liberação de hormônios. “Em crianças e adolescentes, essa ruptura pode causar irritação, ansiedade, alteração de humor e prejuízo de memória e de aprendizado”, afirma. Além disso, Rodrigo Martins Leite, do Instituto de Psiquiatria da USP, destaca que uma rotina inadequada de sono durante a quarentena pode dificultar o retorno às atividades normais quando o isolamento social acabar. “A transição para os horários e normas da escola pode se tornar particularmente difícil se não houver uma rotina na quarentena”, diz Leite.

38 – Tenho um filho adolescente que iria fazer intercâmbio no segundo semestre. Devo cancelar?

– Em relação a intercâmbios, Plínio Trabasso, médico infectologista da Unicamp, orienta que as pessoas esperem recomendações de autoridades, tanto brasileiras quanto dos países a serem visitados, antes de marcar a viagem. “Cada país vai adotar a medida que for mais adequada para a sua situação epidemiológica e não temos como intervir nesta decisão”, diz Trabasso.

39 – Posso pedir reembolso total por um pacote de intercâmbio que comprei?

– De acordo com uma medida provisória editada pelo governo no começo de abril, empresas de viagens não são obrigadas a reembolsar os valores pagos pelo cliente, desde que ela ofereça a opção de remarcação ou disponibilize crédito para o consumidor usar posteriormente. “Acabam ficando mais restritas as possibilidades do consumidor neste momento”, afirma Igor Marchetti, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Mas entendemos que há margem para tentar negociação com a empresa dependendo de cada caso e de cada tipo de intercâmbio.”

40 –  O que acontece com quem tem assinaturas de temporadas de concertos que não estão sendo realizadas?

– No caso de eventos que geram aglomeração de pessoas e foram suspensos por causa da pandemia, o Procon sugere que os promotores ofereçam uma nova data para as apresentações: se ela não for viável para o consumidor, pode então ser feito o reembolso dos valores.

41 – Qual a segurança de aplicativos de videochamada? As conversas podem ser interceptadas?

– Fabio Assolini, analista da empresa de cibersegurança Kaspersky no Brasil, afirma que os aplicativos mais comuns no mercado são recomendados para uso doméstico. Entretanto, existem duas ameaças principais às quais os usuários podem estar expostos em videoconferências: instalação de programas maliciosos e invasão de hackers para acesso a gravações ou a reuniões em andamento sem autorização dos organizadores. “É importante tomar alguns cuidados como usar sempre a versão mais recente do aplicativo e ficar atento com as imitações, porque existem aplicativos falsos explorando a popularidade das ferramentas.

Por isso, baixe sempre o aplicativo de suas lojas oficiais. Também é fundamental configurar uma senha e uma sala de espera para controlar a entrada em reuniões”, diz. No caso de uso de videochamada para assuntos corporativos, Assolini indica o uso de plataformas que ofereçam recursos como criptografia ponta a ponta. “Deve-se ter melhores formas de autenticação e controle, por meio da verificação da veracidade de contatos e da utilização de logins que não sejam baseados apenas em números de telefone.”

42 – Como faço para evitar fraudes virtuais neste momento, em que muito do comércio está sendo feito online?

– É preciso tomar alguns cuidados na hora de comprar pela internet. “Veja se o site é confiável: antes de fornecer suas informações de cartão de crédito, faça uma pesquisa sobre as avaliações de outros clientes do site em questão”, orienta Fabio Assolini, analista da empresa de cibersegurança Kaspersky no Brasil. “Também não se deve jamais clicar em links ou baixar arquivos de fontes não confiáveis.” Ele ainda diz que é preciso tomar cuidado com as falsas promoções que estão circulando por meio de mensagens, principalmente pelo WhatsApp.

43 – O que faço com a minha academia? Posso cancelar o plano?

– Como em algumas cidades as academias estão fechadas por conta da pandemia, o cliente pode pedir rescisão do contrato sem pagar multas, avalia Iara Pereira Ribeiro, professora de Direito Civil da Faculdade de Direito da USP de Ribeirão Preto. “O serviço não está sendo oferecido por uma situação de força maior”, afirma Iara. Vale ressaltar que muitas academias já estão congelando automaticamente os planos dos clientes neste período de quarentena.

44 – Havia contratado uma festa em bufê. A empresa pode me cobrar multa por cancelamento? Quais os meus direitos?

– No começo de abril, o governo editou uma medida provisória (MP) que cita contratos de eventos, estabelecendo que a empresa responsável pelo evento não é obrigada a reembolsar os valores pagos pelo cliente, desde que ela ofereça a opção de remarcação ou disponibilize crédito para o consumidor usar posteriormente. “A partir dessa medida provisória, se o cliente não quiser remarcar ou usar o crédito, ele deverá pagar uma multa para cancelar o evento. As negociações de hoje já estão obedecendo essa MP”, diz Igor Marchetti, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

45 – É verdade que todos vão pegar coronavírus em algum momento?

– Se pensarmos no longo prazo, na evolução biológica do vírus, a contaminação de toda a população pelo novo coronavírus é uma situação inevitável. “A tendência é a doença perder a agressividade para manter o hospedeiro vivo para que possa ter um local para se reproduzir.

No entanto, isso deve acontecer no longo prazo”, afirma Ricardo Nishimori, médico de família e mestre pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Pela epidemiologia, ainda há muitos casos assintomáticos e esses infectados acabam sendo os maiores transmissores, por isso a necessidade do isolamento social”, diz. Mas como a doença é nova e apesar da alta taxa de transmissibilidade, não é possível afirmar com certeza que todos vão pegar o novo coronavírus em algum momento. Estudos sobre o comportamento do vírus ainda estão em andamento.

46 – Quais são os sintomas mais conhecidos do coronavírus?

– Os sintomas podem variar de um simples resfriado até uma pneumonia severa, sendo os mais comuns febre, tosse, dificuldade para respirar, coriza e dor de garganta.

47 – Há outros observados com menos frequência, mas que já estejam sendo associados à covid-19?

– A conjuntivite é um dos sintomas associados a casos graves de covid-19, segundo a Academia Americana de Oftalmologia. A entidade fez essa indicação com base em três estudos científicos concluídos recentemente. Perda do olfato e do paladar também pode indicar a infecção pela covid-19, de acordo com estudo da Universidade de Mons, da Bélgica, e vem sendo relatada por pacientes.