Destaques Geral

O que você precisa saber sobre o coronavírus – Parte 5

Especialistas respondem questões que ajudam enfrentar a pandemia

9 de Maio de 2020

63 – A doença deixa sequelas permanentes no pulmão? Posso vir a precisar de um transplante no futuro, se tiver um caso grave da covid-19?

– A Fiocruz afirma que “as infecções graves por coronavírus podem deixar um certo grau de fibrose pulmonar. Mas isso especificamente nos pacientes que vão para terapia intensiva, serão submetidos à ventilação mecânica, vão respirar por aparelhos. Então, são os casos graves que, como em qualquer pneumonia, podem estar associados a alguma perda de função respiratória. Normalmente, na maior parte dos casos evolui para uma melhora sem sequelas”.

64 -Por que a hipertensão é um fator de risco, se não é um fator que afeta os pulmões?

– Os hipertensos, assim como os diabéticos, têm o sistema imunológico mais debilitado. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, “todas as medidas de prevenção e controle da pressão arterial devem ser enfatizadas para este grupo, para que se evite complicações e pior prognóstico, que estão associados à maior chance de internação por descompensação clínica”.

65 – Ex-fumantes também fazem parte do grupo de risco?

– Com base em estudos feitos na China sobre o novo coronavírus, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou uma nota técnica alertando para os riscos de agravamento da doença em pacientes com histórico de tabagismo, que foram 14 vezes maiores do que em pessoas que não fumavam. O pneumologista Valter Eduardo Kusnir diz que o ex-fumante está no grupo de risco pelo processo inflamatório já instalado no pulmão, que facilita a entrada do vírus. Essas pessoas, segundo ele, desenvolvem com o tempo um quadro de bronquite crônica, que evolui para a chamada Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). “Se foi um fumante de época de adolescência, por exemplo, por pouco tempo, é uma coisa. Se fumou por mais tempo é outra. Assim como aqueles que largaram o vício recentemente”, afirma Kusnir. “A quantidade de cigarros também conta. É como  conseguimos calcular a carga tabágica do indivíduo.”

66 – Existe risco maior de ter trombose decorrente da covid-19 aumenta o risco de trombose?

– “A capacidade de coagulação e de formar trombos tem muita relação com nossos mecanismos de defesa. Coagular sangue tem relação com como nosso sistema de defesa age contra agentes agressores. A covid-19 interfere nos mecanismos de coagulação e isso tem sido motivo de estudos”, diz Lauro Ferreira Pinto Neto, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Santa Casa de Vitória.

67 – Tenho propensão genética a tromboses. O que fazer? Devo começar a tomar já o anticoagulante, para o caso de meu corpo estar preparado se eu pegar coronavírus?

– Pessoa com tendência a trombose não deve tomar anticoagulante em nenhuma hipótese neste momento. “Nenhuma conduta profilática (uso de remédio para prevenir doenças) está definida na covid-19. É importante que cada caso seja discutido com seu médico”, afirma Lauro Ferreira Pinto Neto, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Santa Casa de Vitória.

68 – Por que a obesidade está sendo considerada um grande fator de risco para a covid-19 para os que têm menos de 60 anos?

– “A obesidade contribui para um estado inflamatório, produzindo moléculas chamadas de citoquinas. Elas afetam outros sistemas, causando estresse celular, falta de oxigenação celular e morte celular”, explica a endocrinologista Amy Rothberg, professora associada da Escola de Medicina da Universidade de Michigan. De acordo com especialistas, essa interação já havia sido notada em outras enfermidades que comprometem o sistema respiratório, mas nunca de forma tão grave.

69 – Pessoas que fizeram cirurgias bariátricas são grupo de risco?

– Não. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, Marcos Leão Villas Bôas, o paciente que passou pela cirurgia perdeu peso, reduziu as doenças associadas e teoricamente está mais saudável. “A respiração, o sistema fisiológico e o metabolismo estão melhores do que se estivesse ainda com a obesidade. Os benefícios da cirurgia bariátrica são importantes no enfrentamento de qualquer epidemia”, afirma Villas Bôas.

70 – Há algo que se possa fazer para melhorar a resistência do organismo contra o coronavírus?

– “Até o momento não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus”, informa o Ministério da Saúde. As recomendações de prevenção são os cuidados com a higiene, distanciamento social e uso de máscaras.

71 – Indígenas são mais vulneráveis ao coronavírus?  Por que deve-se evitar a propagação da covid-19 nas aldeias?

– O infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG Unaí Tupinambás explica que, de um modo geral, as populações indígenas são mais vulneráveis ao novo coronavírus. “Elas circulam pouco nas cidades e têm pouco contato com alguns tipos de vírus e bactérias a que já estamos acostumados. Então, temos de tomar cuidado extra para evitar que esse vírus chegue nas populações mais circunscritas”. De acordo com o  Instituto Socioambiental (ISA) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) até o dia 29 de abril foram oficialmente registrados 101 casos de contaminações entre indígenas e 4 mortes. Os dados podem ser consultados nas plataformas de monitoramento dos respectivos sites.

72 – Estou atualmente em tratamento de câncer. Devo continuar?

– O Instituto Nacional de Câncer informa que “o paciente com câncer não deve, em nenhuma hipótese, parar seu tratamento por conta própria, seja quimioterapia, radioterapia ou uma cirurgia. Toda decisão quanto ao tratamento deve ser feita junto com a equipe de saúde. Em algumas situações, consultas e exames poderão ser adiados e remarcados”. Pessoas com câncer fazem parte do grupo de risco do novo coronavírus. “Nesse momento, é importante manter a calma e conversar com o seu médico.

Trata-se de um cenário muito novo e, por isso mesmo, precisamos individualizar o tratamento para saber quais as necessidades de cada um. Mas em geral não aconselhamos a interrupção do tratamento oncológico se não houver aparecimento de sintomas da covid-19”, afirma Bruno Ferrari, oncologista e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas.

73- Tenho tuberculose e estou em tratamento. Continuo? Corro mais riscos?

– Pessoas com tuberculose também estão no grupo de risco da covid-19 e não devem parar o tratamento, que demora no mínimo seis meses. “Se for acometido pelo coronavírus, é propício a desenvolver uma forma mais grave da doença”, alerta o farmacêutico-bioquímico Fabiano José Queiroz Costa, gerente de Biologia Médica do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF), referência regional para diagnóstico da doença no Brasil. “Como tem os pulmões debilitados e o sistema imunológico comprometido, é um paciente com maior fragilidade”, acrescenta.

74 – Sou paciente cardíaco e estou na época de fazer o check-up anual. É melhor deixar o exame para outra época?

– Sim, é melhor adiar. Exames de rotina devem ser remarcados se o paciente não estiver com nenhum sintoma. “O correto para a grande maioria dos pacientes cardiovasculares, inclusive aqueles que fazem o controle anual, é que temporariamente adiem esses exames”, orienta o cardiologista Daniel Albuquerque. “A exceção é para o caso de pacientes instáveis clinicamente e em uso de anticoagulantes, que devem fazer exames semanais ou quinzenais.”

75 – É seguro ir ao dentista neste momento? Devo esperar mais?

– A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou no fim de março as indicações aos profissionais de saúde bucal, reforçando que os procedimentos odontológicos devem se restringir aos emergenciais.

76 – Meu filho não está se sentindo bem. Devo procurar a emergência mesmo com o risco de contaminação?

– “Nesse momento de pandemia, quando a criança apresentar algum sintoma, o ideal é procurar primeiramente seu pediatra”, recomenda Sulim Abramovici, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). “Se não for possível, alguns hospitais em São Paulo, por exemplo, têm adotado esquema diferenciado para triagem dos pacientes, de modo a separar casos suspeitos de covid-19, sem contato com casos não respiratórios.” É possível, ainda, contar com a ajuda da telemedicina para ajudar a definir se os sintomas exigem a ida a uma unidade hospitalar.

77 – É seguro uma mãe com coronavírus amamentar?

– A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta a manutenção da amamentação por falta de elementos que comprovem que o leite materno possa disseminar o novo coronavírus. A informação é reforçada no Brasil pelo Departamento Científico de Aleitamento Materno (DCAM), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O benefício da amamentação supera potenciais riscos de transmissão do vírus por meio do leito materno.

É indicado que a mãe higienize as mãos e use máscara. Caso a mãe não se sinta à vontade para amamentar a criança, ela poderá extrair o seu leite manualmente ou usar bombas de extração láctea (com higiene adequada) e um cuidador saudável poderá oferecer o leite ao bebê por copinho, xícara ou colher.