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O que você precisa saber sobre o corona vírus

Especialistas respondem questões que ajudam enfrentar a pandemia

16 de Maio de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

150 – Estava planejando a compra de um imóvel. Devo seguir com o plano?

– Deve investir na aquisição de imóveis quem tem capital disponível para comprar o imóvel à vista, aproveitando o poder de barganha neste momento. Do contrário, se houver necessidade de financiamento, corre-se o risco de adquirir uma dívida alta e de longo prazo em um período em que há possibilidade de demissões, por causa da economia fragilizada. No caso dos financiamentos, as taxas de juros praticadas pelos bancos tendem a ficar mais altas em épocas de crise.

151 – Vale a pena comprar imóvel agora para alugar?

– A alternativa mais vantajosa de investimento para quem possui dinheiro disponível são os fundos imobiliários, porque há desconto, menor risco e liquidez. Mas existe a opção de comprar um imóvel já ocupado e mantê-lo assim, com bom inquilino, para que se conte com os valores dos recebíveis (meses de aluguel) como renda.

152 – Não tenho como pagar a parcela do carro. Podem me tomar o automóvel? É possível evitar?

– O banco costuma retomar o veículo caso o cliente fique inadimplente por três meses. No cenário atual, no entanto, as instituições estão mais abertas a negociar e o consumidor pode pedir a suspensão do pagamento de duas ou três parcelas do financiamento sem muita dificuldade. Há duas opções: o cliente pode pedir que as parcelas que ele pagaria nos meses de quarentena sejam jogadas para o fim do contrato, com juros, ou solicitar que a instituição mude as bases do contrato, aumentando os valores das parcelas que serão pagas após o fim do isolamento social, explica Miguel de Oliveira, da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). “Os bancos sabem que o consumidor teve corte de salário e muitos não conseguem nem trabalhar. Eles têm interesse de evitar a inadimplência”, diz Oliveira. “O cliente precisa conversar com seu gerente. Ele só não pode deixar de pagar o financiamento sem tentar negociar.”

153 – É o melhor momento para comprar online?

– Com o período de isolamento social e lojas fechadas – à exceção de farmácias e supermercados –, as vendas online cresceram 20,4% entre fevereiro e março, segundo dados da Câmara Brasileira do Comércio Eletrônico. Mas a resposta para essa pergunta depende de vários fatores. Segundo Felipe Brandão, secretário executivo da entidade, este é um momento de muita incerteza por parte dos consumidores. Primeiro, porque a quarentena impõe novos hábitos de consumo.

Segundo, porque agora, mais do que antes, é necessário avaliar se o item é realmente útil. “Ninguém sabe quanto tempo vai durar ou quais serão as consequências”, lembra Brandão. Por outro lado, ele afirma que “o e-commerce tem sido um pilar importante para os negócios se manterem e milhões de família terem renda”. Vale lembrar: como o e-commerce está sendo o único canal para muitas categorias, é bastante possível que as compras cheguem com algum tipo de atraso.

154 – O consumo de energia aumentou com toda a família em casa durante a quarentena. O que posso fazer para reduzir os gastos?

– Não deixe ligado nada que não esteja sendo usado. Esse deve ser o mantra dentro de casa, principalmente em tempos de home office. “Equipamentos eletrônicos consomem mesmo quando estão em stand by. Então, sempre que colocar um aparelho para carregar, como o notebook ou o celular, fique atento e, quando terminar de carregar, tire da tomada”, explica Vinicyus Lima, gerente da Central de Operações da Enel Distribuição São Paulo.

Segundo ele, os maiores vilões são os aparelhos que funcionam por resistência, como chuveiro, ferro e geladeira. Logo, opte por banhos mais rápidos e não abra a geladeira toda hora.

155 – Como está sendo feito o cálculo da minha conta de luz?

– Algumas distribuidoras de energia deixaram de enviar funcionários para fazer a leitura dos relógios de luz, para protegê-los do coronavírus. Nesse período, o cálculo será feito com base na média aritmética das faturas dos últimos 12 meses. Mas, se o consumidor preferir, poderá fazer ele próprio a leitura do relógio de luz. A Enel foi uma das empresas que adotaram a possibilidade de autoleitura do relógio de luz. Os dados podem ser enviados pelo site ou aplicativo da empresa, informando o CPF e o número de instalação para fazer o login, ou pelo telefone 0800-7272-120.

156 – A empresa fornecedora de água pode cobrar por estimativa, mesmo que aumente minha conta?

– Caso a empresa não consiga realizar a leitura presencial (também chamada de real) do hidrômetro, ela pode fazer o cálculo da conta por estimativa de consumo com base nos seis últimos meses. Porém, a diferença entre o consumo real e estimado será compensada na próxima conta com a leitura real, podendo trazer valores mais altos ou descontos, dependendo da variação de uso. O consumidor deve estar atento para não levar um susto com o valor da conta após os meses de confinamento.

157 – Como evitar que o consumo suba na quarentena?

– As concessionárias orientam que os moradores redobrem a atenção para reduzir o desperdício. As principais dicas para isso são: reduzir o tempo de banho, manter válvulas de descarga do vaso e torneiras reguladas, ensaboar a louça com a torneira fechada, usar a máquina de lavar roupa apenas com a capacidade máxima ou reutilizar a água do tanque para lavar as peças.

158 – Consigo renegociar impostos e taxas com órgãos públicos?

– O governo federal determinou a prorrogação do prazo para a entrega da declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). A data-limite, que era 30 de abril, passou para 30 de junho. Em caso de tributos estaduais e municipais, cada Estado ou município tem uma política diferente.

O Estado de São Paulo, por exemplo, suspendeu o prazo de 30 dias para o pedido de isenção de IPVA para portadores de deficiência e taxistas. No município de São Paulo, houve prorrogação de seis meses para pagamento de Imposto sobre Serviços (ISS) para pessoas físicas que atuam como MEI (microempreendedor individual), mas não se determinou o adiamento das parcelas do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), como ocorreu em outras cidades.

159 – Os planos de internet ficaram mais caros na quarentena?

– Não. Segundo a Proteste, organização de defesa aos direitos do consumidor, não houve variação de preço após o início da quarentena. O estudo da instituição foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, tendo como base os preços praticados nos últimos 12 meses. Foram analisados planos de uso moderado, entre 35 e 60 Mbps (megabits por segundo), e planos de uso intenso, acima de 100 Mbps (megabits por segundo). Segundo pesquisa realizada pela reportagem, também não houve alterações significativas de preços nos planos de banda larga nos últimos meses.

160 – É possível prever quanto tempo a economia vai levar para se recuperar?

– Os economistas divergem em relação ao formato que deve ter a recuperação no Brasil – se será em V (mais rápida) ou em U (mais lenta) -, mas concordam que a crise política ameaça a retomada. Para o economista Sergio Vale, da consultoria MB Associados, a recuperação será bastante lenta, pois está atrelada à volta da confiança, que, por sua vez, ganhará força caso haja uma cura ou uma vacina contra a covid-19. “No Brasil, ainda temos uma crise política que tende a piorar com a possibilidade de impeachment no horizonte e, mesmo que isso não ocorra, teremos um presidente fraco, com forte crise fiscal em final de mandato”, afirma Vale.

Para ele, a recuperação pode ser ainda mais lenta do que a posterior à crise de 2016. O economista Bráulio Borges, da consultoria LCA, no entanto, aposta em uma retomada em V. “A economia brasileira já deverá voltar a crescer na margem no terceiro trimestre, com o relaxamento do distanciamento social, que deverá acontecer gradativamente até o começo de 2021.” Borges explica que há uma expectativa global de que a retomada seja rápida e que, como o Brasil também depende dos ciclos globais, deve acompanhar esse movimento.

Além disso, novas reduções da taxa de juros e as medidas de aumento dos gastos adotadas pelo governo devem favorecer o crescimento após essa fase mais intensa da crise. O economista, porém, também pondera que o cenário político é um risco. “A deterioração do quadro político doméstico poderá gerar ruídos, levando a uma retomada mais lenta por manter a incerteza quanto ao futuro ainda mais elevada, inibindo novos investimentos.

161 – Qual o pior cenário econômico para o Brasil?

– A maioria dos economistas prevê uma retração no PIB neste ano entre 3% e 3,5%. “Cenários mais negativos do que esse podem emergir caso a própria retomada da atividade global se revele pior do que se projeta”, diz o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores. Segundo ele, uma queda ainda mais profunda do PIB pode ocorrer caso haja novas ondas de contaminações antes do surgimento de uma vacina ou de um tratamento efetivo para a covid-19. Borges lembra ainda que as turbulências domésticas também podem prejudicar a velocidade da recuperação.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, também afirma que a demora para se encontrar um tratamento para a covid-19 e uma paralisia quase completa do governo federal decorrente da crise política podem piorar ainda mais o cenário econômico brasileiro. “(Esse) é o pior cenário, mas está cada vez mais para realista do que para pessimista”, diz.