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O que significa namorar?

13 de junho de 2020

Ontem, foi o dia dos namorados. A origem do verbo namorar é, provenientemente, da expressão espanhola “estar en amor” pela qual se originou o verbo enamorar. Daí surgiu a palavra namoro. Apesar dos egos cada vez mais exacerbados, namorar ainda é um ato desejado por muitos. Até dizem, romanticamente, que em um casamento feliz, há um enamorar constante, um namoro eterno.

Ao fazer uma reflexão sobre essa palavra, podemos ressignificá-la. Ela é tão autossuficiente que não necessita nem de preposição, pois a sua regência verbal é transitiva direta. Portanto, em primeira instância, dizer ou escrever ‘Pedro namora com Carolina” está inadequado em relação ao que a gramática prescreve. Ela nos ensina que deveria ser ‘Pedro namora Carolina”, sem a preposição “com”.

No entanto, ouvimos muitas pessoas dizerem “eu namoro com a fulana”. Esse “com” é a preposição que não é necessária por causa da transitividade direta do verbo namorar. Mas, por que as pessoas usam a preposição? Esse uso ocorre por analogia feita com os verbos “casar” e “noivar”, que são transitivos indiretos. Veja os enunciados: “Pedro casou-se com Carolina” e “Ela noivou-se com ele”. Vimos que eles necessitam do uso da preposição. Assim, acabam servindo como referência para quem usa o verbo namorar. Por isso, é comum usar “Pedro namora com Carolina”.

Dessa forma, podemos encontrar alguns autores gramaticais que concordam com os dois tipos de uso. É preciso salientar que o uso mais adequado e considerado pela grande maioria dos zelosos pela língua, é o verbo namorar sem a preposição. Dessa maneira, fique atento aos textos formalizados. Não se arrisque no vestibular, no ofício, na entrevista formalizada de emprego, na redação do Enem e por aí vai.

Por falar em namoro, podemos pensar nas relações humanas. Elas são fundamentais para termos solidez em nossas interações. Em sentido etimológico, a palavra “relacionar” vem do latim “relatio” que significa ação de trazer de volta, aquilo que restaura. Como somos seres falhos, passivos de ações que nos tiram fora do eixo, precisamos de restauração, de alguém que nos traga de volta. Daquele que cuida porque quer ver o outro bem. Daquele que compreende as limitações e as potencialidades do outro. Daquele que traz melhoria contínua. Para saber se sua relação está indo bem, questione-se: quais são as melhorias que ela lhe traz? E/ou, como você tem contribuído para o crescimento contínuo do outro?

Para relacionar-se é preciso que estejamos inteiros, que tenhamos autoestima. Essas são premissas essenciais para cuidarmos de nossa microestrutura. É dessa forma que contribuiremos para a macroestrutura social. E viva o amor!

PROF. ANDERSON JACOB ROCHA. Doutor em Língua Portuguesa. Autor do livro: A Linguagem da Felicidade. Instagram: prof_andesonjacob. Youtube: Prof. Dr. Anderson Jacob.