Destaques Entrevista de Domingo

“O prefeito faz política e a equipe que ele escolhe faz a gestão”

Por Adriana Dias / Da Redação

14 de dezembro de 2020

Foto: Divulgação

O produtor rural e comerciante prefeito eleito de São João Batista do Glória, Celso Henrique Ferreira, o Celsinho do Açougue, do Progressistas (PP) é o entrevistado deste domingo, 13, da série de entrevistas com os chefes de Executivos eleitos em 15 de novembro e que assumem seus cargos em janeiro de 2021.

No último dia 7, Celsinho completou 49 anos. Ele, que é natural de Monte Santos de Minas, mas tem orgulho de ter recebido o título de cidadão gloriense, mora no Glória há 30 anos. Celsinho é casado com a diretora da Escola Municipal José Severiano Filho, Simone Cristina, natural de Osasco, que também recebeu o título de cidadã gloriense, com quem tem os filhos: Henrique, 19 anos, Emílio, de 16 e Vinícius, de 13 anos.


Folha da Manhã – Como iniciou a sua história em São João Batista do Glória?

Celsinho – A história começa com meu pai, Celso Alves Ferreira, ele sempre gostou muito de fazenda, de negociar terras. Brinco que ele parecia cigano, pois viveu cada época de sua vida em um lugar deste país. É um homem do mundo, corre aqui, vive dali. E, com isso, em 1977, meu pai comprou uma fazenda em São João Batista do Glória. Quando ele comprou a primeira, foi próximo da região das Palmeiras, hoje nós temos uma área no Esmeril. Há 26 anos moro em São João Batista do Glória, onde construi minha família e fiz grandes amigos.


FM – Você ficou conhecido como Celsinho do Açougue, ainda tem o comércio?

Celsinho – Tive um comércio, um açougue por mais de duas décadas, mas há dois anos o vendi. Sempre estive no meio político militando, fui presidente do Sindicato Rural de São João Batista do Glória, fiz muito trabalho voluntário também. A presidência do sindicato foi na gestão do prefeito Dr. Glayson da Silveira Martins. Fui vice-prefeito do prefeito José Heitor no último mandato dele, em 2012. E, mesmo sendo numa época em que os vices eram vistos e tidos como figurativos, eu entendo que cresci muito politicamente. Desde esta época eu vi em mim a vontade de cuidar da cidade. Sempre tive um trabalho muito ativo com o povo. Me preocupo com relação às questões sociais.


FM – Por quanto tempo foi presidente do Sindicato Rural?

Celsinho – Foi no triênio 2005-2007. O sindicato no Glória é bastante forte e atuante. Foi com muito apoio do sindicato e, principalmente de Dr. Glayson, prefeito na época, que criamos a Expoglória, fizemos cursos de capacitação em parceria com o SENAR, sendo um dos sindicatos mais atuantes no estado de Minas Gerais.


FM – Qual será o seu primeiro ato como gestor público de São João Batista do Glória após a posse?

Celsinho – Vamos realizar, ao abrir a prefeitura no dia 4 de janeiro, um culto ecumênico na porta da prefeitura, com a presença do pároco, de pastores e de todos os interessados em nos ajudar a agradecer a esta nova tarefa, sob as bênçãos de Deus e todas as entidades religiosas.


FM – Qual o diferencial da sua campanha que entende ter feito a população votar no senhor?

Celsinho – A minha campanha foi feita em cima da carência que eu enxergo em nosso município. As políticas sociais são feitas para todo mundo, logicamente, todo cidadão, mas, principalmente, para aquele que precisa dela. Precisa de uma saúde digna, de uma casa, do trabalho, de moradia, uma saúde ativa. E, são estas demandas que foram ficando pra trás nesse dia a dia. A pandemia trouxe muito transtorno e deixou ainda mais visível alguns problemas relacionados à saúde. É muito difícil a responsabilidade de quem toma decisões à frente do município. Porque, a pessoa que tem que decidir, tomar uma posição naquele momento e ela está sujeita a acertos e a erros, só quem bate pênalti é ela. Quem está de fora para falar alguma coisa. Meu posicionamento, como candidato a prefeito, foi o de ser a terceira opção de voto. Tinha o Renato Soares Macêdo, candidato da prefeita Aparecida Nilva dos Santos – que teve um mandato de 8 anos -, a respeito demais. E, também a terceira via do candidato Silvio Alves dos Santos que já havia sido candidato em outra eleição.


FM – O senhor tem como prerrogativa dar continuidade aos projetos e ações desta administração?

Celsinho – Vamos dar segmento ao que está dando certo. Uma gestão é sequência de outra e eu sei da minha responsabilidade com relação a isso. Eu confio muito nessa transição que estamos fazendo agora.


FM – Já começaram então, o processo de transição?

Celsinho – Sim, já demos início à transição. Confio muito na disponibilidade e na transparência da prefeita Nilva em estar passando a realidade do nosso município, que é muito importante para o trabalho. Até então, eu como gestor do próximo mandato, vou prestar contas do governo dela até março, tenho essa responsabilidade. Mas estou muito tranquilo e tenho uma coisa comigo, de que a divergência partidária ficou nas urnas, lá no dia 15. Terminou, acabou. Até essa questão partidária que no Glória é muito acirrada, eu quero mudar um pouco. Ganhamos, não houve falha, fizemos uma passeata ordeira, sem briga sem nada. Acabou. Segunda-feira parecia que nem tinha política, cidade ordeira que não teve farra de foguete, essas coisas. Houve muito respeito, e, vivemos em uma democracia. Estamos vivenciando várias mudanças no mundo.

Hoje a internet trouxe acessibilidade de conhecimento e informação a todo mundo, qualquer jovem, qualquer criança tem acesso e hoje eu enxergo muito isso, o jovem que está chegando ao mercado de trabalho, que está chegando nas escolas, faculdade, universidade, eles estão muito atentos a isso. Então, o perfil do eleitor mudou, eu acreditei e fui feliz no voto consciente. Aquele voto que a pessoa vota baseado nas propostas que estão sendo feitas. Propostas conscientes, relativas ao que o povo enxerga e eu me preocupei muito com isso, em fazer aquela proposta. Aquela política que é uma coisa assim irracional, não, eu falei que vou fazer e vou fazer se Deus quiser, cumprir cada compromisso de transformação de políticas sociais. De saúde, moradia, educação, turismo, que é uma porta de acessibilidade do Glória de renda muito grande. O pessoal tinha reunido com esses empresários, deixaram muito assim como a gestão passada deixou já decidido, mas eu não quero questionar.

O porquê a Nilva fez ou não fez, o que outros gestores fizeram, quero sim valorizar o que eles fizeram e a minha política é em cima do que nós vamos fazer. Quero deixar bem claro que não estou aqui para fazer política, jogar pedra, que fez ou que não fez, todos fizeram da melhor forma possível com a intenção de fazer o melhor possível. Se houve acertos ou erros, todo mundo está sujeito a isso. Os recursos do Glória são recursos bons, uma cidade que tem a estrutura dela física pronta, temos na área de esporte, quadras de esportes, melhores quadras e estádios da região. Falta uma identidade esportiva, mas nós vamos criar, quero fazer um trabalho muito sério em cima disso, resgatando nossos jovens, direcionando-os, porque o esporte é uma saúde preventiva, saúde física, mental. Formação dos jovens, das crianças.


FM – O Glória ainda recebe o recurso de ICMS de Furnas Centrais Elétricas?

Celsinho – Recebe, o ICMS é dividido. 50% de São José da Barra e 50% de São João Batista do Glória. O que ocorre é o seguinte: tem as demandas e outra coisa, o serviço prestado pelo nosso município é muito grande. Você pode pegar a folha nossa de gente que trabalha na prefeitura é muito grande, a prefeitura é a que mais emprega. Se é a que mais emprega, as despesas são muitas. Hoje a porcentagem está 44%, mas não é por isso que a gente vai inchar ainda mais a máquina. Eu acho que a gente tem que direcionar aquilo que deve pra fazer funcionar bem.


FM – Você pensa em cortes de pessoal?

Celsinho – Eu enxergo da seguinte maneira, ganhei sem fazer esse tipo de barganha, sem trocar nada em troca de nada. O meu compromisso é de fazer uma gestão transparente e trazer o progresso que nosso povo pediu. Trazer a saúde que nosso povo quer, então eu penso o seguinte, em trabalhar com menos pessoas que puder. Porque eu enxergo assim, R$50 mil que você consegue enxugar de uma folha, serviços que vão ser prestados, mas de uma maneira diferente, mais ativo. R$50 mil no fim de um ano é R$600 mil, em 4 anos são R$2,5 milhões. Tendo R$3 milhões nas mãos hoje você faz muita coisa e eu quero fazer, quero fazer casa para nosso povo no sistema de Cohab.


FM – Fez um levantamento da demanda habitacional?

Celsinho – Tem muita demanda ainda, porque a nossa campanha foi feita, eu posso dizer com muita certeza, nós andamos mais ou menos 85% das casas do Glória, zona rural também. Quando eu falo que conheço a realidade do nosso povo, eu conheço, porque eu sempre tive uma vida muito ativa com o povo, principalmente com o pessoal dos bairros que a gente conhece, tive comércio muitos anos e isso me deu um conhecimento muito grande. Graças a Deus fui muito bem recebido em todas as casas, entendeu?

E eu brinco muito com isso, que conheço nosso povo por nome e sobrenome. Então a gente tem esse conhecimento e a principal coisa: o povo enxerga essa questão muito bem em cima e a responsabilidade que eu tenho é muito grande, porque nós vencemos com um número de votos muito grande. A confiança que o povo do Glória deposita na minha pessoa é muito grande, mas eu tenho certeza que vou honrar cada voto com muita sabedoria, dignidade, muito suor, trabalho, com transparência e, principalmente, o que eu falo, caminhando junto com o povo.

Quero ser aquele prefeito que caminha junto com o povo. Penso que o prefeito tem que estar no meio do povo, principalmente depois de eleito, a rejeição maior que um político tem é justamente essa, ele ganha a eleição e se afasta do povo. Estando junto com o povo, você vai ter a oportunidade de explicar o porquê você está fazendo e porquê não está fazendo, esse é o meu propósito, fazer um mandato transparente, e com responsabilidade. Os recursos que a gente tem são bons.


FM – Você já fez algum levantamento se você pega a prefeitura com recurso ou sem recurso ou se tem algum rombo nas contas públicas?

Celsinho – Essa questão eu não tive acesso ainda. A equipe deu entrada nesses papéis, fizemos os ofícios, mandamos para a equipe de transição. Mas pelo o que foi falado durante a campanha, a prefeitura está com mais de R$8 milhões em caixa e eu espero que isso aí seja uma realidade. Só de não pegarmos uma prefeitura endividada já é um passo muito grande. Porque a gente vê frente às várias dificuldades que muitos prefeitos estão passando, respeito demais o mandato que ela fez.

Tenho certeza que ela agiu com essa responsabilidade e, como ela que soube de vários recursos que entrou neste ano de pandemia e esse ano realmente não houve tantos gastos assim, com essa pandemia parou tudo. Então eu creio que vamos pegar em boas condições e, também sabendo que Romeu Zema está fazendo os repasses antigos, tem um cronograma desses repasses retroativos do governo de Fernando Pimentel que ainda não foi feito. Tenho certeza que vamos conseguir fazer um mandato dentro daquilo que foi proposto.


FM – O seu secretariado você já tem os nomes?

Celsinho – Alguns já sim, o Glória tem sete secretarias. A princípio vamos deixar assim mesmo, foi bem feito e é tranquilo. O Glória é uma cidade que a gente consegue ter acesso a tudo. Alguns nomes são da nossa base de apoio da campanha. Vamos montar uma equipe compromissada, comprometida, capacitada e dar o melhor para o nosso povo. O prefeito faz política e a equipe que ele escolhe faz a gestão. Lógico, eu sei da minha responsabilidade. Então em cima disso vamos acompanhar uma equipe competente, transparente, que vai transpirar vontade de dar o máximo em cima disso. Logicamente, aqueles cargos que eu puder reaproveitar do mandato da Nilva, vou aproveitar.


FM – Seu vice prefeito terá alguma função específica dentro da administração?

Celsinho – Meu vice-prefeito, Eder Aparecido de Paula Garcia, o Eder Parabólica, é do Partido Liberal e vai nos ajudar muito na administração. Esse meu vice é um jovem político, vereador de dois mandatos, uma pessoa muito ativa, eu tenho a certeza de que ele estará junto comigo, caminhando e ajudando a executar os serviços de fiscalizar e correr atrás disso daí. Não vai ser um vice figurativo. Todo mundo tem vontade de crescer na política e eu quero fazer a minha gestão dando oportunidades de estar ali junto comigo. Sei que a responsabilidade é muito grande, mas é caminhar um de mãos dadas com o outro.


FM – O senhor tem bom trânsito e relacionamento com deputados estaduais e federais?

Celsinho – Temos sim, com vários. Com o deputado federal Emidinho Madeira, com o ex deputado federal Renato Andrade, também com Aelton Freitas e com o deputado estadual Cássio Soares, que mesmo ele tendo apoiado o meu adversário, eu o respeito muito, ele é majoritário no Glória e quero ele do nosso lado agora, dando continuidade no seu trabalho. O mandato dele é compromisso com o povo do Glória, não com o Celsinho em específico. Já liguei pra ele, conversei sobre a questão da gente estar dando continuidade a esse trabalho. As portas do Glória vão continuar abertas para o deputado Cássio Soares, uma pessoa que fez muito para o Glória e tenho certeza que ainda fará muito mais. Temos abertura com vários outros políticos.


FM – O senhor terá maioria na Câmara?

Celsinho – Sim, tivemos cinco eleitos. Da nossa coligação ‘Oportunidade para todos’, PL, PP e PSD. Mas já temos conversas com outros vereadores, provavelmente vamos estar com a base de seis vereadores dos nove. Quero fazer um mandato para o Glória. Acho que a câmara tem que fazer o trabalho dela, legislar e fiscalizar logicamente, mas vamos ser parceiros, tendo um relacionamento muito ativo, porque eu sei que o Executivo e o Legislativo caminhando bem, as coisas do Glória vão fluir da melhor maneira possível.

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