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O poder da linguagem

10 de outubro de 2020

Por que não há sociedade sem linguagem? Porque não há sociedade sem comunicação e para que haja uma comunicação efetiva necessitamos entender o que é linguagem verbal. Esse tipo de linguagem é baseada na fala e na escrita, ou seja, tudo aquilo que é comunicado por meio da interação falada ou escrita, pertence ao contexto da linguagem verbal que é a matéria do pensamento e serve como veículo da comunicação social.

O conceito de linguagem é mais amplo que o de língua. Língua é a estrutura convencionada socialmente que aprendemos na informalização, em primeira instância e, posteriormente, vamos à escola para aprender o seu padrão gramatical. No entanto, não podemos perder de vista essa amplitude da linguagem, pois ela expressa emoções, ideias, propósitos por meio da exigência da realidade social, histórica e cultural da comunidade falante. Por isso, é importante entendermos, de forma resumida, a história do estudo da linguagem.


Estudo da linguagem

O fenômeno linguístico é complexo, por isso o interesse pela linguagem é antigo. No século IV a.C., os hindus iniciaram um estudo da língua deles tendo como preocupação a preservação da pronúncia dos textos sagrados do livro da religião hinduísta, o Vedas. É interessante observar que os gramáticos hindus, entre eles, Panini, do século IV a.C., fizeram uma descrição da língua tão bem estruturada que serviu de modelo de análise para os ocidentais no final do século XVIII. Para quem ainda não está acostumado com o termo descrição da língua, isso ocorre quando os estudiosos descrevem e registram determinada variedade de uma língua, ou seja, quais fatos aconteceram em dado momento de sua existência, quais são as unidades e categorias linguísticas existentes, quais são os tipos de construção possíveis e a função desses elementos, bem como, o modo e as condições de usos dos mesmos.

Caminhando pela história, os gregos impuseram uma questão reflexiva: haverá relação necessária entre a palavra e o seu significado? Ou seja, qual é a relação entre a língua e as coisas que ela exprime? Você já parou para pensar nisso? Como é que olhamos um objeto, o chamamos por um nome por conta do seu simbolismo ou significado? O gramático latino, Varrão, definiu a gramática como ciência e arte. Na Idade Média, os modistas consideraram que as regras da gramática são universais, portanto, não são dependentes das línguas em que se realizam.

Em 1660, foi criada a Gramática de Port Royal que serviu como modelo para as gramáticas do século XVII. No século XIX, surgiu o comparativismo que fazia o estudo de comparação dos falares. Em seguida, nesse mesmo século, houve o aparecimento da linguística histórica que realizava o estudo comparado das línguas, evidenciando o fato de que as línguas se transformam com o tempo. No estudo de Franz Bopp, descobriu-se por meio do método histórico-comparativo, que o grego, o latim, o persa e o germânico têm uma origem comum: o indo-europeu. Assim, podemos inferir que a nossa origem linguística está no indo-europeu já a nossa língua portuguesa possui raiz latina. Estudar a língua e a linguagem é um modo de conhecer a nossa identidade.

PROF. ANDERSON JACOB ROCHA. Doutor em Língua Portuguesa (PUC/SP). Autor do livro: A Linguagem da Felicidade. Instagram: prof_andersonjacob. Youtube: Prof. Dr. Anderson Jacob