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O Poder da comunicação

3 de novembro de 2020

Às vezes a gente quer se enquadrar no ambiente, agradar as pessoas e não consegue. Um gesto, uma palavra, um ato dirigido e não acontece o poder da intercomunicação. Diz uma coisa, o entendimento é outro. E vice-versa. Muita afasia por aí. Intercomunicação é a troca de informações. Como ensinam no elementar – no básico – é  o entendimento de uma pessoa para outra, ou para outras. Aí, então, é que se dá a esbórnia. Esbórnia? O que é isso? Pois então…

Faltou-se o poder da comunicação. Um termo de pouco uso, não usado na prática de dias comuns. Nesse caso, esbórnia tem o sentido de festa. Quem sabe, farra. Pecou-se, assim, no ato de transmitir a mensagem. Não há porque usar expressões complexas. E isso acontece muito. Comum nas gírias e jargões profissionais. Os médicos têm as suas expressões, assim como os advogados, jornalistas, mecânicos, trabalhadores na construção civil etc.

O que fazer para evitar problemas dessa ordem não é difícil. Fazer-se entender através da maneira mais simples possível. Fugir da complexidade. Usar palavras e expressões menos indigestas. Por exemplo, em vez de dizer que está com cefaleia, diga que está com dor de cabeça. E se afasta de muitas dores de cabeça na forma de entendimento. Procedendo assim, e a fim de evitar problemas de ordem, que se possibilite uma boa intercomunicação. Estamos entendidos? Fácil, não? Nisso reside o busílis da questão. Busílis da questão? De novo, não! É de beber, de comer ou de passar no cabelo? Acalme-se!

Busílis da questão significa, tão somente, onde se concentra a dificuldade, o nó do problema. Pensei até que me fossem atirar na cova dos leões. Daniel é o Profeta da Bíblia. Existem outros. O tradicional é o profeta, cujo nome significa “Deus é meu Juiz”. Já percebi. A distinção em pessoa vai dizer que não lê a Bíblia. Porque não a vê como livro sagrado, que chupou manga ou que não tem tempo. Direito lhe cabe. Sem o uso e aplicação da fórmula de Bhaskara, método resolutivo para encontrar raízes de equação de segundo grau (bom nisso é Geraldo Magela Soares, proficiente linhagem de Armando Riguetto), pensemos em bloco. Não fosse a Bíblia livro tão importante, não seria o mais difundido no mundo. Imaginou o que é mais de 5 bilhões de cópias vendidas e distribuídas? Não se trata de valor relativo. É valor absoluto. No caso de descrença, faça diferente: tome a Bíblia como manual de vida. E seja feliz.

E por ato de transição, sortilégio dos que se perdem no começo-meio-fim, temos de nos valer da boa comunicação com simplicidade. Sem essa de dar câimbras no sistema lingual. Se possível ficar distante de assassinar o idioma pátrio. Há pouco tentei ler um livro recomendado. Na primeira página, o autor diz que é um “previlégio” ter-me como leitor. Desculpe. Não terá. Primeiro, aprenda a escrever. É “privilégio” o correto. Previlégio é a vó! Nisso falando, que conheçamos a linguagem formal e a informal. A primeira, nome o diz: pelo formalismo. Falar e escrever bem, observando-se as regras, as normas. A linguagem informal é utilizada no dia a dia. Nela não se observa a boa gramática. Uma espécie de vale-tudo. Sem exagerar.

Na verdade, o ideal é saber as duas. Ter conhecimento tanto da linguagem culta como da informal. E saber usá-las no momento adequado. Captou a mensagem ou “cê” não entendeu bulhufas do que estou falando? Vai dizer que não gosta de estudar, não é chegado em aprender, que tem preguiça e com propensão a bocejos etc. Está bem. Também não gosto de determinadas situações, comidas, coisas, pessoas… Mas, às vezes, sinto-me na condição de a elas sujeitar-me. Não disse “engoli-las”. Seria demais. Pelo menos, adaptar-me àquilo a que estou atrelado em passantes dias. Afinal, não se faz e não se come só o que gosta.

Espere aí. Não está gostando do assunto? E eu me achando! Deixe pra lá. Quer saber? Assim que é bom. Fosse tudo certinho, na uniformidade de que dois mais dois são quatro, seria tão chato como o ter de descobrir o derretimento de gelo na Groelândia pelas vias acrobáticas da ciência, pelo estudo interdisciplinar de Norbert Wiener, ano de 1948.
Pelo visto, também não é chegado em ambiente cibernético. Está bem. Deixe o Pai da Cibernética em paz. O que isso tem a ver?

E se fica assim. Como nos velhos tempos de Hélio Ribeiro, o papa da comunicação. “Ninguém telefona para ninguém. E se toma uma colher de qualquer coisa de meia em meia hora…” Para quê, também não sei. Melhor do que muita vacina que insistem a que nos submetamos contra a Covid, pode ser. Caetanamente falando, ou não. E como está a política desenvolvimentista mesmo? Quem dera atendesse ao que está em Apocalipse: frio ou quente. Não está. Está morno. Ou melhor, modorrento. Modorra, nada a ver com Sodoma (bem que podia), acarreta sonolência. Bem que podia. Dormir e, quem sabe, acordar para ver um mundo incrivelmente renovado.

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado trabalhista e previdenciário, com escritório em Formiga,
escreve aos domingos nesta coluna.