Destaques Dia a Dia

O pão nosso de cada dia

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

14 de dezembro de 2020

Uma brevíssima história do pão nosso de cada dia, colhida numa folhinha do dia14/10/2020 no calendário de Aparecida. É interessante e atrairá padeiros e outros mais para a curiosidade da existência do pão desde os tempos remotos.

Diz o texto que os primeiros pães de que podemos ter notícias eram achatados, duros, secos e muito amargos. Para ser consumido era preciso lavar o pão várias vezes em água fervente e depois assá-lo sobre pedras ou, então, embaixo de cinzas. Bem, até aí, a técnica era essa e se o pão ficava gostoso ou não, seria o caso de entrevistar “alguém da época”. Entrevistar como, hein?! Se faziam tudo isso para consumir o pão, presumimos que ele seria digerível e nutritivo. Saboroso, não temos como afirmar! Acredito que o processo, apesar de trabalhoso, ou seja, lavar várias vezes e assar, deveria transformar totalmente o sabor e amaciar o pão. Deveriam ter o cuidado de não queimá-lo, é claro!

Diz ainda o texto que, no decorrer da história, a cor do pão que uma pessoa consumia, sinalizava a sua posição social. O pão escuro indicava que uma pessoa era de baixa condição social. O pão branco indicava o contrário, uma pessoa teria uma posição social alta. O que podemos entender? Pão escuro, pessoa pobre. Pão branco, pessoa rica. Bem, talvez nem tão pobre, miserável, nem tão rica, pertencente à nobreza. Deveria haver um “um pequeno precipício social” entre elas. É o que eu imagino. Acontecia isso, de haver pão escuro e pão branco, porque refinar a farinha branca tinha um custo maior. O processo de refino da farinha branca era mais caro! Hoje, explica o texto, a situação está invertida. Os pães mais escuros são mais caros e acredita-se que são mais apreciados pelo seu maior valor nutritivo.

Em 1859, o cientista Louis Pasteur, considerado o pai da microbiologia moderna, em suas experiências descobriu como funcionava o fermento. Alimentando-se de farinha de amido, o fermento produzia dióxido de carbono. Ele é um gás que expande o glúten na farinha e faz crescer a massa do pão.

Os pães brancos, ao menos aqui no Brasil, caíram mais no gosto do povo. O principal deles, conhecido como pão francês, domina o mercado. Há também o pão italiano, com um leve sabor de azedinho, um pouco mais duro, trazido pelo que sabemos, pela colônia italiana. Também apareceu no Brasil, há muitos anos, o famoso panetone. É um pão doce, geralmente com recheios. Dizem ter sido criado por um italiano chamado Antônio. Conhecido lá como Tone (ou Toni?), “o pão do Tone”, virou: panetone.

Por aqui também, a criatividade peculiar do mineiro criou o famoso pão de queijo. É quase raro mesmo participar de uma festa ou refeição comemorativa entre amigos ou em família, em Minas Gerais, sem que o pão de queijo não esteja presente. Pelo que eu saiba, há mais de uma maneira de fazer, de acordo com os ingredientes usados. Mas, são todos deliciosos e o tamanho do apetite melhora mais ainda o sabor.

Enfim, com o passar dos anos, foram sendo criados vários tipos de pães e com sabores típicos de seus criadores. Todos os países do mundo têm a sua receita de pão e ele é “batizado” com vários nomes e muitas vezes com o nome do país de origem. Todos eles têm os seus segredos, as suas fórmulas, os ingredientes que são usados, mas, pelo que eu saiba, o trigo é o principal deles.

Em nossa região mineira tenho visto o pão de milho, de cebola, de alho, o pão sírio, o pãozinho caseiro, a rosca com recheio de goiabada, de canela e outros “modelos” que o leitor deve conhecer. Devem existir pelo Brasil todo e, talvez, com nomes diferentes. O pão parece ser um dos alimentos mais antigos de que se tem notícia. A sua história, durante séculos, deve ter sido deslumbrante no que toca a sua evolução.

Não foi por menos, que Jesus Cristo, ao ensinar uma oração para que fosse constante na vida de seus seguidores, invocando a proteção divina do Pai, incluiu nela o “pão” para simbolizar a necessidade que nosso corpo tem de alimentos. Na prece, Ele diz também: “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje…” Além disso, para os católicos, ele ainda utilizou o pão e o vinho para instituir a Eucaristia, o momento mais sublime na vida dos fiéis e da Igreja.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG; ex-professor do ensino técnico comercial formado no Curso Normal Superior pela Unipac. E